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Categoria - Outras histórias A queda do avião Jahu Autor(a): Aclibes Burgarelli - Conheça esse autor
História publicada em 25/10/2011

A aeronave Jahu é um hidroavião Savoia-Marchetti S.55 (versão C), o último de seu modelo no mundo. Destacou-se por ser a aeronave com a qual o brasileiro João Ribeiro de Barros e mais três tripulantes (João Negrão como co-piloto, Newton Braga como navegador, e Vasco Cinquini como mecânico), fizeram a terceira travessia aérea do Atlântico Sul - a primeira da história sem escalas -, em 1927.

Ribeiro de Barros foi neto de um dos fundadores da cidade de Jaú, em São Paulo. Como homenagem ao arrojado piloto, a aeronave esteve, durante alguns anos, depositada em uma área atrás do Museu do Ipiranga, sem qualquer cuidado de preservação.

Pois bem, fluía o ano de 1949 e Tomás, com seu amiguinho do bairro, o conhecido “Sebilca”, brincavam no interior de uma das "barcas" do hidroavião, evidentemente sem os motores superiores os quais as elevavam aos ares. Em um verdadeiro ato de rebeldia outro menino, apelidado de Paulinho, resolveu subir em uma das árvores, sob o qual descansava a aeronave, e bombardeá-la com a força de um estilingue municiado com mamonas.

Risos, brincadeiras... E o galho da árvore partiu-se e Paulinho despencou sobre a fuselagem de madeira a qual, dada sua qualidade de suportar agressões, sagrou-se mais uma vez vencedora. Paulinho levantou, passou as mãos sob os olhos para enxugar as lágrimas e todos, rindo do fato, retornaram às suas casas. Ao chegar em casa, “Sebilca” ainda ria muito ao que seu pai, com certa desconfiança, indagou qual a peraltice que praticara naquele dia. Respondeu que havia presenciado a queda de um menino no avião.

O pai, desconfiado com o relato, mesmo porque “Sebilca” nunca estivera em um avião, indagou que história era aquela de cair no avião e onde estivera a tarde toda, especialmente para presencial a absurda queda. Depois de ouvir a história o pai de “Sebilca” também passou a rir é concluiu:
- “É, desta vez houve realmente queda no avião!”.

Atualmente “Sebilca” continua no Ipiranga, mas o avião foi totalmente restaurado e está como novo, diferentemente de “Sebilca”. Os trabalhos de restauração tiveram início em 2004 e envolveram uma equipe de doze profissionais. Os dois motores foram recuperados no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP). O trabalho com a estrutura concentrou-se nas oficinas da Helipark, visando reconstituir a configuração exata da aeronave até os detalhes, desde o tipo de madeira e de pregos (de cobre e latão), até ao tom de vermelho da pintura original.

Foi entregue no dia 26 de Outubro de 2007, no Helicentro Helipark, em Carapicuíba. A Fundação Santos Dumont cedeu o Jahu por comodato ao Museu Asas de um Sonho da cidade de São Carlos (SP), onde ele se encontra atualmente.


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Publicado em 04/11/2011 Tania, seu tio fez a travessia com escalas enfrentando sabotagens, motim (do seu navegador) e falta total de apoio do presidente brasileiro, que queria que ele desistisse da empreitada. Lindenberg foi o primeiro a fazer o vôo solitário. Enviado por Pedro Cardoso - [email protected]
Publicado em 29/10/2011 Aclibes, os nossos nomes não têm homônimos. Recordo-me de um avião que era exposto ao ar livre ali mas proximidades do tunel Nove de Julho. Não me recordo o nome, mas sei que não era Jahu. O seu sobrenome não me é estranho.Parabéns pela narrativa! Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 27/10/2011 O brasileiro João Ribeiro de Barros,foi o primeiro das Três Américas a fazer a travessia do Atântico Sul.O Comandante Ribeiro de Barros,com recurso próprio,sem ajuda do governo,bateu o recorde de velocidade,e sem escalas.Quando amerrisou em águas brasileiras,na enseada norte de Fernando de Noronha em 28 de abril de 1927, concluindo o Reide, Charles Lindberg com seu Spirit of Saint Louis,estava levantando vôo para começar a fazer a travessia do Atlãntico Norte. Parabéns Burgarelli! Enviado por Tania Ribeiro de Barros - [email protected]
Publicado em 26/10/2011 Detalhe interessante sobre o famoso avião. Lembro de te-lo visto no Museu do Ipiranga. Boa lembrança, Burgarelli, parabéns.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 25/10/2011 Aclibes (nunca ouvi esse nome), quando menina, uma das minhas paixões era ir ao Museu do Ipiranga e visitar tudo, desde a Casa do Grito, ao Monumento e principalmente o museu, que para os meus olhos de criança, tinha um acervo lindo e enorme. Meu pai não deixava por menos:nem pensar em vir embora sem visitar o Jahu e reviver sua glória. Seu relato me despertou lembranças muito gostosas e o amor pelo bairro do Ipiranga. Eu tinha parentes lá e os visitava frequentemente.Parabéns Enviado por Ivette Gomes Moreira - [email protected]
Publicado em 25/10/2011 Burgarelli, vc é a primeira pessoa a rememorar um fato de minha infância: a visão do Jahu na lateral do Museu do Ipiranga! Lembro-me bem disto, apesar da pouca idade. Depois, creio, é que ele foi para o museu de aeronáutica, na Oca do Ibirapuera, onde tornei a revê-lo. Bela narrativa e é bom saber da restauração do histórico avião. Abraços. Enviado por Luiz Saidenberg - [email protected]
Publicado em 25/10/2011 Aclibes, será que não tem jeito de restaurar o "Sebilca" também? rsrsrs... Abraço. Enviado por Hugo Morelli - [email protected]
Publicado em 25/10/2011 O feito histórico está representado pelo “Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico”, depois de árdua luta da comissão em prol de seu retorno para à Capela do Socorro, juntamente com a comunidade, no início da Avenida Atlântica, que também recuperou seu nome original depois de muito tempo denominada Avenida Robert Kennedy. O monumento faz parte desta saga onde o JAHU amerissou na Represa de Guarapiranga e recuperado em seu local de origem depois de ausentar-se desde 1987 e devolvido em 19 de dezembro de 2010, unicamente pela vontade popular. Parabenizo por acrescentar mais um capítulo no que por pouco não desapareceu dos anais historiográficos. Enviado por Carlos Fatorelli - [email protected]
Publicado em 25/10/2011 Saidenberg, cuidado com aquele nosso velho conhecido alemão: Parabéns, Pedrão, pela boa memória e por ser mantenedor da antiga arte de construir uma boa pipa. Você é a primeira pessoa que compartilha comigo uma velha lembrança: a de ter visto o Jahu atrás do Museu do Ipiranga, numa reentrância, coberto por teto de lona ! Um abraço. [ Enviado em 20/5/2010 por Luiz Simões - [email protected] ] Enviado por Pedro Cardoso - [email protected]
Publicado em 25/10/2011 Bugarelli, fiz meu primário no Colégio ribeiro de Barros , na Base Aérea de São Paulo. Que bom se a gente, assim como o Jahu também pudesse ser restaurado Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - [email protected]
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