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Categoria - Paisagens e lugares A primeira vez é sempre inolvidável Autor(a): Antonio Rossi dos Santos - Conheça esse autor
História publicada em 12/01/2011
Meados de maio. Minha filha caçula interna-se na Pro-Matre para receber, pela segunda vez, as bênçãos da maternidade. Por volta das 17h, ela deixa o apartamento acompanhada de um séquito que iria assistir ao parto, menos eu, lógico, pois não gosto nem mesmo de presenciar sutura de supercílio de jogador de futebol, quanto mais uma cirurgia de minha própria filha.

Sob protestos gerais, fui para a rua e pus-me a caminhar aleatoriamente; São Carlos do Pinhal, Brigadeiro Luiz Antonio, José Maria Lisboa, Avenida Paulista, Pamplona, Paulista... O estacionamento enorme repleto de veículos, as grades de ferro, o portal, sem o brasão da família, a mansão dos Matarazzo... Parei, toquei os desenhos metálicos desenvolvidos pelos serralheiros do início do século passado, e, como num passe de mágica, voltei aos anos 50, quando, pela primeira vez, eu vi a Paulista.

Como ocorria todos os anos, nas proximidades do Dia de Finados, minha mãe, avó e tias, acompanhadas das crianças, empreendiam visita à campa de meu avô materno no cemitério de Vila Mariana. Naquele ano, como havia sido inaugurada nova linha de bonde, a 64-Vila Mariana-Lapa, minha mãe decidiu que a volta para casa, na Lapa, não seria a que tradicionalmente fazíamos através de ônibus até a Praça da Sé e, posteriormente, outro até nossa casa; desta vez iríamos apanhar apenas uma condução: o bonde 64 Vila Mariana-Lapa.

Após longa caminhada do cemitério até às proximidades do Largo Ana Rosa, apanhamos o barulhento bonde aberto que seguiu pela Domingos de Moraes, largo do Paraíso, Bernardino de Campos, Praça Oswaldo Cruz e a Paulista...

O trânsito naquela tarde garoenta estava infernal. Filas de bondes nos dois sentidos e nas laterais das pistas os Fords, Chevrolets, Buicks, Studebackers enroscavam-se com os ônibus -auri-rubros da CMTC; tudo para sorte minha, que pude curtir a imagem da Paulista com seus casarões, palacetes e até mesmo alguns moradores nas janelas ou sacadas cobertas. Esta imagem permanece intacta em minha mente, e as grades e o portal da mansão Matarazzo levaram-me de volta àquele inolvidável dia em que vi a Paulista pela primeira vez.

Ao retornar ao apartamento 419 da Pro-Matre, minha filha já estava em seu leito e, logo após, uma simpática enfermeira trazia Liz, a mais nova paulistana ávida pela sua primeira refeição...

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Publicado em 31/01/2012 Meu querido irmão, voce e o Mario Lopomo estão ultrapassados, pois passei outro dia na Paulista e o que era a mansão dos matarazzos já é um canteiro de obras a espera de um arranhaceu... Beijos, Martha. Enviado por martha aparecida dos santos bulla - [email protected]
Publicado em 15/10/2011 Bonitas e singelas recordações!
Parabéns!
Abraço
Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - [email protected]
Publicado em 14/01/2011 Se você passar hoje pela Av. Paulista, se contar duas ou três casarões vai ser muito. A ex. mansão do Matarazzo é um estacionamento. Até ano passado somente o portal existia. Isso se não derrubaram. Enviado por Mario Lopomo - [email protected]
Publicado em 13/01/2011 Antonio Rossei: Meu pai ensinou-me a admirar e respeitar àquele(as) que escrevem bonito. Seu texto é bonito pacas !. Valeu !! Enviado por Xico Lemmi Filho - [email protected]
Publicado em 13/01/2011 Antonio, seu conto é um passe de mágica. Parabéns para você e pela Liz. Enviado por Pedro Cardoso - [email protected]
Publicado em 12/01/2011 Recordações paulistanas bem trabalhadas, parabéns, Rossi.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 12/01/2011 LINDAS RECORDAÇOÊS, TAMBEM SINTO UMA SAUDADE DA ANTIGA, AV. PAULISTA. Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
Publicado em 12/01/2011 Bela história, gostei muito. Tb, quando jovem, para mim a Paulista era uma fascinação. Seus casarões, o Pque. Trianon com sua bela pérgola e estátuas... Enviado por Luiz Simões - [email protected]
Publicado em 12/01/2011 Antonio. Pelas mãos do Dr. Domingos Andreucci, também aí na Pro-Matre, nasceram meus filhos Marcelo, em 04 de janeiro de 1967 e Maurício, em 08 de abril de 1968. Parabéns. Adeimar. Enviado por Adeimar Vicente Santana de Toledo - [email protected]
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