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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades História de office boy Autor(a): Daniel Coutinho - Conheça esse autor
História publicada em 22/12/2010

Nasci em 1967 na Maternidade Matarazzo, em “Sampa” (traduzindo, São Paulo)... E como eu poderia esquecer toda minha adolescência e juventude?

Trabalhava na Vila Clementino nos anos 80, mas como era office boy, estava todos os dias no Centro. Pegava o metrô na Estação Santa Cruz e não via a hora de desembarcar na São Bento.

Eu organizava meus trabalhos em duas partes. No período da manhã, ficava pela Rua Boa Vista, onde fazia vários depósitos da empresa no "Banespão" (como eu chamava); até o horário do almoço, ficava do lado de cá do Viaduto do Chá, ou seja, Rua Boa Vista XV de Novembro, São Bento, Clóvis Bevilácqua, Rua Direita, Rua Quitanda, Regente Feijó, etc.; entre um trabalho e outro, sempre checava umas lojas de tênis e roupas, principalmente Surf Wear. E tinha uma lojinha que parecia um porão (acho que ela chamava 18 SURF), na Rua Dr. Miguel Couto, onde eu sempre comprava uma parafina pra minha prancha ou alguma outra coisa.

Quando chegava a hora do almoço, tinha vários lugares onde podia deliciar-me com várias opções. Confesso que muitas vezes eu comia um churrasquinho grego no Vale do Anhangabaú (precisamente na Avenida São João), era R$1 e ainda ganhava de brinde um suco! Lembro que o vinagrete era tirado de uma "gaveta", isso mesmo, uma gaveta, que compunha a parafernália da "churrasqueira" grega.

Comi várias vezes também no Mc Donald’s da Rua Barão de Itapetininga, ao lado da loja da Wrangler. Sem falar no lanche de calabresa no Rei da Calabresa da Avenida São João... Puxa vida.

Recordo-me também de um restaurante na Rua Aurora que chamava Farroupilha, tinha um filé à parmegiana... O melhor que já comi!

Quando estava na região da Paulista, gostava do Jack in The Box (Brigadeiro), onde comia um “Taca” acompanhado de uma caçulinha Kaiser, e pra arrematar, comia o “Jumbo Jack”.

Bem, voltando ao centro, eu disse que dividia o trabalho em duas partes. Após o almoço, dava uns “roles” pela Galeria do Rock. Quando dava, comprava alguma camiseta, boné ou qualquer outra coisa de skate...

Vocês devem estar pensando que eu era “office boy de luxo”, pois sempre comia pela cidade e gastava algum dinheiro com comprinhas... Aí é que está! Eu comprava com dinheiro da firma e fazia "valezinhos" todos os dias... No final do mês, não tinha pagamento... Mas valia a pena cada centavo gasto!

Já do outro lado do Viaduto do Chá, passeava e trabalhava pela ruas 24 de Maio, 7 de Abril, Br. de Itapetininga, Praça da Republica, Avenida São João, Ipiranga, Largo do Arouche, Santa Ifigênia, enfim... Cada beco daquela cidade não passava sem minha chegada.

Hoje resido em Campinas, mas pelo menos duas vezes por ano eu vou ao Centro com minha esposa e filhos, só pra relembrar e me deliciar com as maravilhas da minha cidade de sangue e coração.

Afinal... São Paulo é a minha cidade!

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Publicado em 14/11/2011 Eu tbem trabalhei de boy no centro, hj tenho 40 anos, e tenho muita saudade deste tempo, o rapaz ai foi modesto dizendo que pegava valinho, ele nao quis dizer que pegava dinheiro de taxi e onibus da empresa e ia pé, todo mundo fazia isso Enviado por rogerio - [email protected]
Publicado em 14/10/2011 Bela escrita, Daniel, caro Ferrugem! Parabéns! Enviado por Daniel Jones - [email protected]
Publicado em 30/09/2011 Daniel, parabéns, seu texto conta uma história de trabalho, diversão, responsabilidade e prazer...São Paulo é realmente apaixonante. Oxalá, você escreva mais textos. Enviado por JJ - [email protected]
Publicado em 30/09/2011 Daniel, parabéns, seu texto conta uma história de trabalho, diversão, responsabilidade e prazer...São Paulo é realmente apaixonante. Oxalá, você escreva mais textos. Enviado por JJ - [email protected]
Publicado em 30/09/2011 Daniel, parabéns, seu texto conta uma história de trabalho, diversão, responsabilidade e prazer...São Paulo é realmente apaixonante. Oxalá, você escreva mais textos. Enviado por JJ - [email protected]
Publicado em 29/09/2011 Daniel, vc tem tudo para ser um escritor.... Enviado por Vianinha - [email protected]
Publicado em 29/09/2011 Daniel muito legal a sua história! Sua viagem pelas joias gastronomicas da cidade. Viva São PAulo!!! Enviado por Claudio M. - [email protected]
Publicado em 29/09/2011 A História do Daniel é a minha e a de tantos paulistanos apaixonados pelo centrão! Esse cara é meu amigo! Maior orgulho de ver a história dele publicada aqui! Parabéns! Enviado por Fernanda Martos - [email protected]
Publicado em 28/12/2010 Também fui office boy de 1975 a 1976. Dessas aventuras gastronomicas nunca mais esqueci da coxinha de frango que adquiri num bar da Rangel Pestana, ali proximo a Secretaria da Fazenda. Mordi a coxinha e tinha uma pena de galinha na massa.Fiquei imaginando se tinham triturado a galinha inteira, com pena e tudo. E aquelas pastelarias, modelos de limpeza e higiene. Certa vez vi abrirem a geladeira para tirar uma bacia de carne de pastel, dava até medo. Haja estômago !!!!! Enviado por Luiz Carlos Pereira - [email protected]
Publicado em 27/12/2010 Daniel, nunca fui office boy, ia ao centro depois de moço, e realmente via muito esse tipo de alimento, como o organismo humano suporta certos alimentos e bebidas reconhecidamente nocivo, mas a fome faz a hora, no caso do churrasco grego entre todos os alimentos perigosos deve ser o pior, pois fica exposto a salivação do churrasqueiro e de quem pede, fica exposto a fumaça negra dos veiculos, a poeira do local e é feita com a pior carne e sebo, que bem temperada fica atrativa, talvez o problema que nos afeta na velhice é a acumulação desse tipo de alimento que pela sua má qualidade incrusta nas artérias e o final é triste, também já comi uma vês, nunca mais, mas muito bom esse tema, parabéns,Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
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