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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades Barão de Duprat, 68, Santo Amaro/Marcas Famosas Autor(a): Dejair Tadeu Urbina - Conheça esse autor
História publicada em 03/12/2010
Foi nesse endereço em Santo Amaro que passei a maior parte de minha adolescência. Lá moravam meus avós maternos, Hortêncio Môsca e Elvira Pintoni Môsca. Infelizmente, meu avô nos deixou quando eu estava com 16 anos de idade, e ele, aos 59 anos de idade. Hoje funciona uma loja de roupas lá. Aliás, toda a rua transformou-se em lojas comerciais, alterando o que há 40 anos era uma rua residencial, agradável, pacata, onde todos se conheciam.

Quando eventualmente ainda passo por lá, entro numa máquina do tempo mental e pergunto: “Onde estão os Moscas; os Amaros; o seu Quinzinho (nosso vizinho de frente); o seu Esteves (já falecido), nosso vizinho de lado, de cujo filho, Márcio, eu tenho o privilégio de ser amigo de mais de 40 anos; o seu Arnaldo, dono do bar e nosso vizinho?”. Ficaram na lembrança e na saudade! E que saudade! Do tempo em que no fim da rua funcionava a Velnac, fábrica de veludos, sempre com seu jardim impecável, suas palmeiras elegantes, dando um toque a mais na paisagem. Hoje ela não existe mais; em seu lugar foi construído um shopping.

Meu avô esteve ligado ao desenvolvimento do setor automobilístico, principalmente em São Paulo. Participou de um projeto inovador para a época (aproximadamente 1962), quando funcionário da concessionária de veículos Marcas Famosas, até hoje localizada no mesmo endereço, Avenida Santo Amaro, no Brooklin. Ele foi um dos maiores mecânicos que já conheci. Aliado ao seu conhecimento e competência, havia um outro fator: a paciência. Não existia nenhum desafio que o desanimasse; ele insistia, com calma e paciência, até resolvê-lo. E com um grande detalhe: escutava com muita dificuldade; tínhamos que falar alto para ele ouvir!

Nessa época, a Marcas Famosas montou uma Perua Kombi Zero Km, pintada nas cores amarelo e azul escuro (o que confundia com os carros da Polícia Rodoviária), como uma verdadeira Oficina Móvel, como foi batizada. Tinha de tudo dentro dela: ferramentas múltiplas, gambão, peças sobressalentes, enfim, uma oficina completa. E para operá-la, evidentemente, se fazia necessário um profissional que soubesse não somente manuseá-las, mas que o fizesse de forma correta.

Daí, meu avô passou a ser o responsável por esse veículo. Devemos lembrar que para a época, realmente foi algo inovador, pois a nossa frota era composta por um grande número de carros importados, e, de longe, não tínhamos os recursos de que dispomos hoje.

Claro que a montagem desse veículo também foi uma grande visão de Marketing por parte da Marcas Famosas. Lembro-me dos senhores Jean Louis e Caporal, nomes sempre citados pelo meu avô; infelizmente não os conheci pessoalmente.

Todo final de semana, alternando sempre entre sábado e domingo, meu avô se deslocava até o litoral paulista. Devemos lembrar que tanto a subida como descida eram feitas pela Anchieta, pois a Imigrantes ainda não existia. De manhã à noite ele percorria a distância do planalto à baixada, prestando socorro a todo e qualquer veículo que se encontrasse parado. Automóveis como Dodge, Packard, Ford, Citroen,Chevrolet, Volkswagen, DKW, Simca, etc, bem como caminhões Scania, FNM, etc, não importava, qualquer que fosse o veículo que necessitasse de socorro, o Sr. Hortêncio o fazia com muita competência, gosto e prazer, e isso eu afirmo, porque tive a oportunidade de acompanhá-lo algumas vezes nessas empreitadas. Sem dúvida nenhuma, trabalho pioneiro! Saudade. Não parece que lá se vão mais de quarenta anos...

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Publicado em 31/12/2011 Primo vc esqueceu que eu tambem participei desta historia viajando com o vo Enviado por jose roberto mosca - [email protected]
Publicado em 27/07/2011 Conheci seu avô Hortêncio Mosca quando eu era ainda bem jovem. Ele trbalhava numa oficina mecânica, perto do Largo l3, em Sto Amaro. Em 1963 fui trabalhar na Marcas Famosas e lá encontrei o sr. Mosca. Fomos colegas de trbalho por alguns anos. Era um exelente mecânico, ótimo colega, deixou saudade... Enviado por Guido Scanferla - [email protected]
Publicado em 08/12/2010 Tive oportunidade de trabalhar na MF durante alguns anos, pós Caporal, na época do Tuba chefe da Oficina, Vitor, Roberto Jamela , Wilson Canela, Moreira,Dr. Rui pessoa bonissíma (diretor) Alberto chefe do RH, onde na época possuia um dos melhores times de futebol dirigido pelo Sr. João Atala.
Muito boa sua lembrança.
Lembro também que a MF possuia uma loja filial aqui na Adolfo Pinheiro com o nome se não me engano "Vetor"
Enviado por Luiz Boz - [email protected]
Publicado em 04/12/2010 Justa e merecida homenagem a seu avô, Urbina, demonstrando respeito por um trabalhador e que, infelizmente morreu muito cedo. Parabéns, Dejair.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 04/12/2010 Gostei de sua historia,pois fui amigo de seus avós
como tambem de seus tios Nelson e Rosa e mantenho
amizade até hoje com seu primo Cid grande pintor,artistico dos capacetes de Airton Senna.Fui tambem amigo de seu primo "Zelão" tambem
artista na pintura de autos.Enfim valeu sua narrativa.
Enviado por Ary Quintas - [email protected]
Publicado em 03/12/2010 Lindo texto sobre seu avô e Santo Amaro,belas memórias.Saudações! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - [email protected]
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