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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades São Paulo, eternamente te amarei Autor(a): Altanizia Faria Silva - Conheça esse autor
História publicada em 26/11/2010
Conheci São Paulo lá pelos anos 50, muito jovenzinha. Fomos de trem, saindo de Barretos, pois morava em Frutal-MG, mas tinha um tio que era considerado “chique” por morar na capital de São Paulo.

E lá fomos nós, balançando naquele trem; achei o máximo! Conheci Santos; fiquei sem palavras de tão lindo! Imagine só ver o mar, sentir a brisa... Tiramos fotos sentados em leões decorativos na praia de Gonzaga.

Voltei para Minas decidida que iria morar em SP. Como sabia costurar um pouquinho, não tive dúvida: na primeira oportunidade, iria mesmo!

E no noivado de minha prima, lá fui eu novamente, e conhecemos um primo de minha prima... Explicando melhor: nós éramos primas de lado paterno e este moço, Celso, era primo materno. Celso estava de olho na minha prima, mas como essa já estava noiva...

Passado o noivado, resolvi que ficaria mais alguns dias na casa de meus tios. Como minha prima estudava (não me lembro se ela já dava aulas), precisou voltar. Aí sim, deu certinho!

Comecei a namorar com Celso e em breve nos casamos; e, assim, fui morar definitivamente em São Paulo. Primeiramente no Planalto Paulista, numa travessa da Cassemiro da Rocha, onde tivemos dois filhos maravilhosos, lindos, minha vida.

Sempre costurando, e bem, modéstia à parte, consegui uma ótima clientela, que crescia cada dia mais. Assim, nos mudamos para Domingos de Morais. Aí já era "modista", como se dizia na época.

Daqui mudamos para Rua Rio Grande, quase esquina com Rua França Pinto. Nesses tempos, eu já tinha uma confecção, fazia desfiles! Enfim, de costureira passei à empresária.

Como já precisávamos de uma casa maior, mudamos para Rua França Pinto, 549(hoje é um belo condomínio). Lá fiquei por 23 anos; divorciei-me, mas continuei na casa.

Eu conhecia metade do bairro, inclusive o Sr. Chiquinho, que era o cabeleireiro; o melhor barbeiro dos meninos, Chiquinho foi muito amigo meu e de minha irmã Aparecida.

Em frente de minha casa havia uma oficina mecânica onde trabalhavam o Pepino e Sr. Nelson "careca". Na esquina da Humberto I tinha a Padaria do Teles (português, marido da Marina); na Rio Grande tinha o Shinohara e também o Bazar do Roberto; na Padaria ABC, um pouco adiante, tinha o "Toddy", que era outro grande amigo, frequentava nossa casa.

Muito bom. Aos sábados íamos dançar, ora no Biheralle, ora nos sambões de Moema: Vila, Barracão de Zinco, no Patropi, no Cartola... Trabalhávamos duro a semana inteira, mas nossos sábados eram reservados para nossas danças. Tínhamos um prazer muito grande em costurar, bordar e customizar roupas novas para estrear aos sábados.

Ah, o Sr. Nelson nos emprestou por cinco anos um apartamento na praia de Zé Menino; era tudo de bom, descíamos a serra só para tomar um sorvete. Já nos feriados, era uma maravilha! As crianças (já não tão crianças assim, mas pra mim, são consideradas minhas crianças até hoje), surfavam. Da janela, eu ficava toda orgulhosa observando suas manobras... Isto quando não ia junto, para "torrar" e ficar ainda mais loira.

Aos 60 anos, mudei-me para Uberaba, meus filhos casaram, sendo que um continua em São Paulo e o outro mora aqui também. Tenho quatro netos que são tudo na minha vida.

Sempre que vou a São Paulo, volta tudo á minha mente. Lembro de como fui feliz em São Paulo... Quando me mudei, já morava em um apartamento na Aclimação, onde fui síndica por muitos anos.

Agradeço por tudo que aí consegui. Agradeço a São Paulo, que conheci e vivi. Vivi São Paulo no tempo da garoa, no tempo que namorava na Praça da República, no tempo que "modista" era Dona Isa.

Por isto digo, São Paulo: te amarei eternamente. Obrigada por tudo que consegui aí, com muita luta, mas aí conheci a cultura, a vida.
Te amo, São Paulo.

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Publicado em 26/11/2010 Altanizia, você escreveu um verdadeiro poema a S.Paulo.Lindo, mostra a época que se erá feliz por tão pouco,que o trabalho dava sentido aos divertidos sábados,sem medo,os amigos verdadeiros compartilhavam da jornada.E os vizinhos? Ah!verdadeiros familiares da porta ao lado,amigos sem interesses.Ame S.Paulo, sim.Ele merece e você ,Altanizia, merece ele.Amor feito um para o outro.Quando vir novamente traga rosas amarelas e derrame sobre nossa querida S.Paulo.
Na volta leve consigo a eterna saudad
Enviado por Fábio Belviso - [email protected]
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