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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades São Paulo, a mãe de todos nós Autor(a): Adriana Pueblo - Conheça esse autor
História publicada em 02/09/2010
Viemos todos de mala e cuia, com a proposta de uma vida melhor. Mas, ao longo dos meses, meu pai não conseguiu adaptar-se à cidade, pois uma vida no "interior" era muito diferente da tão corrida São Paulo. Porém, surgiu um problema: minha mãe já estava muito adaptada e, por conta de alguns fatos, meu pai acabou por voltar sozinho para o Sul e minha mãe ficou aqui, somente comigo e com meu irmão.

Morávamos em uma pensão na Celso Garcia, onde viviam também outras pessoas que vieram de fora, a maioria do Sul também; por isso minha mãe logo se acomodou, mesmo com meu pai não mais presente, e fez muitas amizades.

Enquanto minha mãe trabalhava em uma indústria em Santana, nós, eu e meu irmão, ficávamos com a Dona da Pensão, Dona Cocó. Ela cuidava muito bem de nós e minha mãe podia trabalhar sossegada.

Bem, passado alguns anos, minha mãe conheceu um Gaúcho que veio se instalar na mesma pensão, solteiro e de boa linhagem. Logo ele se encantou comigo e com meu irmão. Após alguns meses, eles se casaram.
Fomos morar em Diadema, um bairro semi-novo que se encontrava sobre o poder do município de São Bernardo do Campo, que hoje já é uma cidade independente do Grande Abc.

Quando pequenos, íamos sempre ao Zoológico, lugar belíssimo, maravilhoso... Íamos aos cinemas da Avenida Ipiranga, fazíamos piquenique no museu do Ipiranga e passeávamos sempre no Parque do Ibirapuera...

Nesta São Paulo que acolhe a todos, na minha visão, somos todos iguais, independente do fator econômico, social, racial... Passamos a ser iguais em alguns momentos. Quando passamos nos nossos carros importados na Avenida São João e Amaral Gurgel, nos deparamos com os moradores de rua, e nos tornamos iguais a eles por dividirmos o mesmo chão. Quando vamos correr no parque do Ibirapuera, nos deparamos com os mendigos tirando seus cochilos embaixo de uma frondosa árvore e somos iguais, dividimos o mesmo local. Dividimos a mesma cidade. Nestes lugares de São Paulo, não há distinção de pessoas. São Paulo sempre nos recebeu de braços abertos.

Nem precisamos ir ao Nordeste, Centro Oeste, Norte, Sul, Sudeste para conhecer outros povos, pois eles estão por aqui mesmo, em São Paulo. São Paulo e sua grande diversidade... Até os japoneses, italianos, árabes e demais, se encontram e confraternizam em São Paulo, fazendo disso tudo uma grande cidade de grandes misturas, de grandes e variadas línguas.

Meu irmão decidiu, após anos, deixar São Paulo. Deixou com que o medo de um assalto, da violência, o tomasse. Voltou para o Sul. Assim, aqui, nesta cidade tão poderosa, só tenho laços parentais com minha mãe, pois toda nossa família, não quis arriscar a vir para essa cidade conhecida como "Cidade dos Loucos". Mas, para mim, o nome correto seria “Cidade Maravilhosa”.

Foi aqui, em São Paulo, que conheci meu marido, um verdadeiro paulistano nato. Tivemos nossos três lindos filhos aqui, tudo que conquistamos foi aqui. Cresci aqui, me formei aqui, me casei, constituí família, negócios, amigos... São Paulo construiu minha vida, como não agradecer a essa bela cidade?

Cidade Maravilhosa, cheia de encantos.
Cidade acolhedora, cidade em que todos nós, mamíferos, nos deleitamos em seu peito de protetora mãe.
Cidade que nos rende mais alegrias do que tristezas.
Cidade que recebe mais de um milhão de pessoas aos finais de semana na famosa Rua 25 de Março.
Cidade que nos leva a subir e a descer aquela Ladeira Porto Geral apinhada de gente.
Cidade que leva todos a comer pastel de bacalhau no Mercado Municipal do Parque D.Pedro.
Cidade que levam pessoas do Brasil inteiro a buscarem artigos para suas lojas.
Cidade da Rua José Paulino.
Cidade da Rua da Mooca.
Cidade da Noite da Pizza.

Querem mais?
Só isso já nos daria tanto prazer e nem poderíamos reclamar de nada.
Essa São Paulo, tão acolhedora... Eita povo bão, eita povo acolhedor, nos doamos aos povos, sejam eles quais forem, ajudamos e ajudamos, fazemos o bem, sem olhar a quem! Nossa São Paulo retribui aquilo que damos a ela, sempre, sempre e sempre.

Minha mãe sempre falou em voltar para sua terra natal, mas cadê coragem de largar tudo isso? Não creio que ela se vá. Seus netos já cresceram, estão quase se casando e lhe dando bisnetos, todos paulistinhas, nova geração. Ela não volta não, só sai de São Paulo para rever a família. Seu lar hoje é aqui! Sofreu muito lá no Sul, e quase nada aqui; o que sofreu aqui é o que todos sofrem, mas aqui em Sampa, sofremos juntos, nada separados, sempre todos juntos.

Lembro-me de um fato muito lindo: quando estava passando de carro no Parque D. Pedro, me deparei com um casal embaixo de um viaduto. Dançavam alegremente abraçados com o filho pequeno. Ao lado, uma lata de marmelada cozinhando algo que eles logo iriam comer. Fiquei sorrindo e vendo o quanto São Paulo nos traz felicidades, independente do grau de dificuldade em que estamos.

Passeando pelo Viaduto do Chá, também costumo encontrar pessoas sofridas, mas sempre com um sorriso no rosto.

Essa é São Paulo, a tão acolhedora dos povos de todas as raças.
Aprendi a ver a cidade com um olhar mais profundo, um olhar bem mais aguçado.

Minha querida São Paulo, deixe pra lá esses atos de violência, não quero que isso faça parte do cartão postal daqui. Temos tanto a oferecer: muito mais felicidade e sonhos do que a violência em si!

Não durma nunca, continue essa brava jornada das madrugadas. Não pare nunca, não morra como alguns querem, sobreviva! Continue a receber teu povo, continue a fazer o que tem de melhor, ser MÃE, ser MÃE de todos os povos! Minha querida São Paulo, obrigada.

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Publicado em 02/11/2010 Obrigado amigos, sinto o que todos sentem quando chegam aqui, uma vez São Paulo, sempre São Paulo rs Enviado por Pueblo - [email protected]
Publicado em 07/09/2010 Adriana, essa é a São Paulo vista por alguém muito otimista como você. Eu também sou. Que assim seja. Um abraço. Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - [email protected]
Publicado em 06/09/2010 Um testemunho corajoso, sincero, desinteressado e bem redigido, Adriana. Suas vicissitudes e problemas que iam surgindo, como a desencorajar sua intenção de fixar-se em São Paulo, serviram pra consolidar uma vontade férrea de seguir seu objetivo. Parabéns, Pueblo.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 04/09/2010 Existem jeitos e abordagens diferentes para se escrever sobre São Paulo. Viajei com a sua narrativa, percebi aromas e conteúdo! Feliz estréia a sua. Lia Enviado por L ia Beatriz Ferrero Salles Silva - [email protected]
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