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Categoria - Outras histórias Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero Autor(a): Aleksandra Pereira - Conheça esse autor
História publicada em 27/08/2010
Quarenta anos se passaram entre ontem e hoje. Há quatro décadas que não via este rosto, mas parece que foi ontem que tomamos nossa última xícara de chá juntos, na saudosa, elegante e glamourosa Barão de Itapetininga.

Ela me observava com carinho enquanto escolhia uma mesa no canto do restaurante, o seu predileto. Seus olhos estavam ligeiramente cansados, mas ainda de um azul intenso, onde me perdia nas nossas intermináveis noites.

Era também recém-chegada na cidade, como eu, que vinha do interior. Ela imigrara da Europa em busca da paz e do trabalho que já não mais encontrava em sua terra. Vindos de extremos, fomos nos encontrar na cidade-coração do país, cheios de desejos e esperanças, de vontade e temeridade. E São Paulo nos acolheu de braços e peito abertos.

Conhecemos-nos enquanto caminhávamos pelo Viaduto do Chá. E foi lá por onde andamos novamente após o jantar.

Paramos no mesmo local de nosso primeiro beijo, em frente ao Edifício Conde Prates. Lembrei-me da primeira vez que fitei profundamente seus olhos e me apaixonei.

Silencioso, ouvia seus passos. Mesmo depois de tanto tempo, nem que tentasse, confundiria os sons de seus passos com os de outros. Estavam marcados para sempre em meu coração.

Hoje, seu português perfeito nem de longe lembra o forte sotaque alemão que me pedia para traduzir as palavras de Neruda na apresentação no Pacaembú: "Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero" ("Poema No. 20" de Pablo Neruda). Lembro-me bem que sorria. Sorria muito.

Mas por que nos separamos? Por cenas sem motivo, ou por qualquer motivo. Nervos. O que hoje seria comumente chamado de "stress" foi a causa de nossa separação, em plena Avenida Paulista. Um adeus, sem maior explicação.

Hoje vejo o arrependimento em seus olhos, após tantos anos de escolhas, após anos daquela escolha. Mas agora quem dá as costas a seu olhar de esperança em um recomeço, a uma reconstrução de nossa história, sem remorsos ou dúvidas sou eu, voltando para aquela que acompanhou toda nossa história, mas que nunca, em nenhum momento, me abandonou: minha querida São Paulo, que me acolheu e me amou.

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Publicado em 06/09/2010 Parabéns, querido Romero! Com este belo conto você conseguiu mistificar vários leitores! Sua imaginação- baseada na sua ambiguidade sexual- é mesmo espantosa. Bela história de amor! Abraços ! Enviado por Giuseppe Stronzo - [email protected]
Publicado em 03/09/2010 Parabéns! Vc também saiu do ármario, caro Romero, como eu, e estamos com toda a força! Continue escrevendo assim , prestando bom serviços à alegre causa! Abraços. Enviado por Clodomir dos Anjos - [email protected]
Publicado em 02/09/2010 Parabéns pela criatividade. Antes, uma história sobre sua parte feminina. Agora, sobre a masculina. Vc tem mesmo mil faces, como um dado !
Parabéns!
Enviado por geraldo kalili - [email protected]
Publicado em 01/09/2010 Aleksandra? Ou Aleksandro? Sua história é mais que dúbia. Acho que precisa dar uma satisfação aos leitores, para que a entendam.. Abraço. Enviado por Nelson Petrauskas - [email protected]
Publicado em 01/09/2010 Rubens R.Romero. gostei da sua duabilidade. Voçê é um escritor inteligente; Parabéns pela narrativa moderna. Enviado por Percival de Souza - [email protected]
Publicado em 30/08/2010 Aleksandra, bem explícito esse romance, pareçe obra do escritor Rubens Ramoeiro, espanhol do século dezenove.Muito romantico. Parabens. Enviado por Luciano Ass Cucciolo Jr. - [email protected]
Publicado em 30/08/2010 Aleksandra, ??? não sei se meu QI anda a desejar ou o texto é um tanto quanto, como direi, difícil de se compreender. Desculpe, não entendi. Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - [email protected]
Publicado em 29/08/2010 Deslumbrante manifestação poética emprestada a uma história de um amor interrompido. "Ainda lo quieres, Aleksandra, pero el tiempo no lo permite mas..." Parabéns, Pereira.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 28/08/2010 Aleksandra, não está meio inconsistente essa sua
narrativa? "Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido. Afinal quem é quem? Entendeu? Uno abraço.
Enviado por Percival de Souza - [email protected]
Publicado em 28/08/2010 Corações partidos são coisas de sonhos românticos e, hoje, não têm relação com a
realidade. Há quarenta anos atrás você catou os pedaços, colou-os e continuou
a viver como podia, até que a dor passasse. A dor passou , que bom! Realmente,
agora, ela terá que resolver o problema que sózinha criou... ”puedo escribir los
versos más tristes esta noche, ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la
quise”... Abraços. Lia.
Enviado por Lia Beatriz Ferrero Salles Silva - [email protected]
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