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Categoria - Personagens Rua Odorico Mendes Autor(a): Antonio Ranauro Soares - Conheça esse autor
História publicada em 26/07/2010
Rua Odorico Mendes, uma pequena rua na Mooca, paralela à Av. do Estado, uma mulher chamada de Helena e uma de minhas grandes recordações na vida. Desta rua ainda guardo em minhas lembranças os dias de chuva e de minha espera na esquina para que a chuva passasse e eu pudesse chegar até junto a ela. As enchentes eram comuns nessa rua.

Os motoristas da firma onde eu trabalhava na época já sabiam que sempre que fossem ao Ipiranga ou a qualquer bairro próximo à Rua Odorico Mendes, me conduzindo, era obrigatório o meu pedido para passar por essa rua para vê-la.

Quantas vezes esperei pela saída dos funcionários da Johnsons para que pudesse vê-la, nem que fosse por uns momentos. Mesmo depois da transferência da fábrica para São José dos Campos eu, sempre que podia, passava pela rua para relembrar você.

Rua triste, mas que ao mesmo tempo é a marca de um grande amor. Amor que persiste resistir ao tempo e aos acontecimentos.

Durante alguns meses de nosso namoro, alimentei o doce veneno de tê-la conhecido e que me acompanha agora durante muitos anos, o veneno do amor.

Uma das primeiras filiais que abri para minha firma foi em São Paulo, só para poder continuar a viver este louco sonho e doce sofrimento.

Ainda hoje, depois de mais de 50 anos, fico a me remoer de saudade e incertezas. Quando vou a São Paulo, visitar nossa filial, meu motorista sempre me pergunta ao me conduzir ao hotel: “o senhor quer passar na Rua Odorico Mendes?” Quase sempre minha resposta é positiva.

Para mim sua imagem ficou entranhada dentro de minha mente como se fosse o meu cérebro. Não existe noite ou dia sem que eu me lembre de você. Gostaria de ser um mágico ou mesmo um feiticeiro para poder voltar à noite em que você me disse adeus. Não entendi e talvez eu faça por não entender, com toda certeza, para não te esquecer.

Seu nome, ainda por todas as noites, faz-me relembrar os grandes e ótimos momentos que passei a seu lado...

A música de Taiquara "Helena, Helena.." soa como um hino e bálsamo para minha saudade. Já regravei uns 4 ou 5 Cds. Quanta saudade! Como gostaria de estar ao seu lado para ver o tempo passar e ver seus cabelos embranquecerem.

Por onde andarás agora? Com toda certeza casaste e tiveste filhos. Como são, e onde vivem? E você foi e é feliz? Eu vivo e sou feliz, apesar da saudade.

O dinheiro não tem nenhum significado para mim. Em Londres, N. York, Paris, Lisboa, só a lembrança de você me fazia sorrir.

Em Madri, sede de minha firma, e Sevilha não pude conter as lágrimas, quando ouvi alguém brincando chamar seu companheiro de "Paco". Soou como se fosse sua voz brincando comigo em um determinado dia em sua casa.

O presente que te dei no dia de seu aniversário, uma medalha com a face de Cristo, hoje faz parte da logomarca de minha firma.

Quantas lembranças nas praças de touros! Até hoje, quando escuto alguém gritar "Dolores", lembro-me de sua irmã.

Não consigo esquecer-me de seu pai, Antonio, e de seu tio, Ciriaco. Como podes ver, a Rua Odorico Mendes ainda tem muita importância para mim. Sempre que vou a São Paulo, nunca deixo de por ela passar. Hoje está tudo modificado e, cruelmente, muitas casas transformadas em comércio.

A indústria onde você trabalhava hoje está em São José dos Campos. A última notícia que tive de você foi que estavas morando em São Bernardo. Nem o destino me permitiu ter alguém com seu nome a meu lado. A filha que tive, com poucos dias, veio a falecer; seu nome era Helena.

Casei-me com alguém que tem um nome muito próximo ao seu. Meu neto casou-se com uma jovem em Lisboa cujo nome é Helena. Jamais consegui ou tentei te esquecer. O amor que nasceu em um baile será comigo enterrado numa verdadeira festa de músicas e saudades.

Guardo até hoje, no cofre de minha firma, algumas fotos da inauguração da firma de meu pai, na Rua Oscar Freire, onde você e sua irmã Dolores estiveram presentes.

Hoje, com meus 73 anos, ainda me dou o direito de sentir muita saudade da Rua Odorico Mendes e de você, Helena.
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Publicado em 18/02/2012 Mas um capitulo triste na minha historia.
No dia 4 de agosto do ano passado perdi parte de meu tesouro, meu filho Frank, depois de uma luta terrível contra o câncer, partiu para o plano celestial. Na minha busca pelas irmãs Helena e Dolores tive algum progresso, localizei uma ação de Inventario no TJSP em 1960 e descobri que o nome na verdade é Helena Cano Barea e Dolores Cano Barea.
Agora meus netos Tatiane e Thiago assumiram as filiais da Espanha e Portugal porque eu já estou chegando ao meu final de linha e não dá mais para ficar nessas pontes aéreas entre Brasil e Europa.
Quero aproveitar a oportunidade para agradecer todos os comentários que recebi sobre minha historia.
A dor da perda de um filho querido não é amenizada por um amor por maior que ele seja. Ficará em minhas lembranças depois de minha partida que a Vida da Gente tem gente e gentes amadas.
Obrigado
Enviado por Antonio Ranauro Soares - [email protected]
Publicado em 18/09/2010 Sou um eterno e feliz apaixonado.
Minha historia de amor por Helena jamais será apagada da minha própria historia.
Hoje já com 74 anos de idade e 50 de casado sou um homem realizado e feliz dentro do possível.
Minha esposa Elaine e uma pessoa maravilhosa e muito por mim amada. Meus filhos 2 são os tesouros que encontrei dentro deste Baú do Destino que é a Vida. Meus netos cada um com sua personalidade e cumprindo com seus destinos dão prosseguimento a minha vida.
Como já não posso dar seqüência a minhas idas e vinda ao exterior entreguei a meu neto Thiago que e casado com Helena a direção da Matriz de minha firma em Madri. Tatiane casada com Fellipe dirige a filial do Canadá. Elaine está terminando seu curso de veterinária este ano e pretende se especializar em Inseminação, estes são filhos de minha filha Ciomara (Farmacêutica). Victor outro neto e odontologo e bem realizado na área de transplantes. Raphael formado em economia exerce sua atividade no banco do Brasil e Alex com apenas 16 anos está prestes a terminar o 2º grau ainda este ano, filhos de meu filho Frank (Engenheiro)
Na verdade gostaria muito antes de terminar este meu ciclo de vida ter ou receber de alguém noticias de Helena e de sua família Barea Cano.
A todos que deixaram seus comentários nesta pagina quero apresentar meus agradecimentos e mostrar que o amor não é uma palavra singular ela e o plural de todas as vidas e sem ele amor, nossa passagem terá o significado muito pequeno e sem qualquer valor.
Amamos pessoas, lugares e lembranças e isso e o mais importante da vida, AMAR
Enviado por Antonio Ranauro Soares - [email protected]
Publicado em 08/09/2010 Sr. Antonio, há alguns meses atrás em consulta ao Portal da Mooca, li a sua belíssima história, coberta de romantismo. Parabéns e que possas ter notícias de alguém que lhe deixou tantas saudades.
Niderce Teresa
Enviado por Niderce Teresa - [email protected]
Publicado em 06/08/2010 Heitor, Shakespeare baseou o romance em uma história verídica, a qual, evidentemente romanceou. Valeu! Enviado por Willian de Moraes - [email protected]
Publicado em 04/08/2010 Caro Antonio, é admirável a sua coragem para expor esse texto. Quantos de nós não tem histórias parecidas escondidas na memória e empoeiradas pelo tempo. Um amor como esse ajuda a viver, ajuda a morrer, ajuda curtir dias de chuva e lindas paisagens...E, a saudade que caminha com ele torna esse sentimento vivo para sempre. Um abraço, Carmen Enviado por Carmen Francisca León Duarte - [email protected]
Publicado em 03/08/2010 Caro William, como estamos em época de debates politicos na TV, permita-me uma réplica: O amor entre Romeu e Julieta só existiu na mente do seu chará Sheakspeare(N.A. Pode estar errado)os meus foram reais, sem ensaios, scripts ou diretor dirigindo. Foram todos ali no duro, sem chances de refazer a cena.E que cenas...Desculpe a brincadeira. Heitor Enviado por Heitor Felippe - [email protected]
Publicado em 02/08/2010 Me contaram uma história muito parecida à tua.Pensei que não podia ser verdadeira.Achava que sería coisa da imaginação.Agora vejo que isso realmente acontece.O amor,seja como fôr,merece ser curtido.....é uma dor gostosa de se sentir. Pena que a Helena não saiba tudo isso.Se eu me emociono,imagina ela que é a protagonista.
Eu não morreria sem tentar revela.
Enviado por M.Virginia - [email protected]
Publicado em 02/08/2010 Mário foi o Burro de Troia.Lia quem escreveu foi Pascal.Mauricio, então não pare.Trini, o autor foi Byron. Pedro, então não elogie.Marco Antonio, o Menelau já encontrou.Heitor o maior amor foi de Romeu e Julieta.Rubens Lopomo, o seu sobrenome explica o que Freud não conseguiu.Flávio e a Maria? Parabéns pela excelente dissertação. Enviado por Willian de Moraes Laruchio. - [email protected]
Publicado em 02/08/2010 Ranauro, somos quase da mesma idade(71). Conheçi uma Helena quanto trabalhava de mensageiro nos Diarios Associados,na Sete de Abril. Era muito bonita e todos os dias eu levava uma rosa para ela. A gente chamava ela de Helena de Tróia. Parabens pela sua estória, muito boa. Enviado por mário lopomo - [email protected]
Publicado em 01/08/2010 Uma história de amor muito triste narrada com muita coragem e saudade eterna. Enviado por Pedro Salles - [email protected]
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