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Categoria - Paisagens e lugares Minha eterna Paulista Autor(a): Dora Patorini - Conheça esse autor
História publicada em 14/04/2010
Sou do tempo quando a Avenida Paulista era apenas uma alameda arborizada e florida. Eu morava próximo da Praça Osvaldo Cruz e adorava andar a pé pela Paulista nos finais de tarde até a Rua Haddock Lobo. Os tempos modernos chegaram e minha Paulista virou uma avenida. Ela perdeu sua agrestidade e ganhou um novo visual paisagístico, transformando-se na via mais famosa da capital.

Os casarões deram lugar a altos edifícios e as marcas da natureza que a caracterizavam foram substituídas por placas que indicam as ruas que a cruzam. Sua tênue iluminação, às vezes bruxuleante na nevoa da madrugada, quintuplicou em potência. As árvores floridas de todas as estações do meu tempo foram substituídas por moréias amarelas de verão e azaléias de inverno e o chão outrora dominado pelo verde foi tomado pelo concreto e asfalto com raros espaços para a grama do tipo amendoim.

As floreiras que vejo hoje ao longo de quase 500 metros me fazem lembrar com nostalgia o aspecto burlesco da região em tempos remotos. No lugar do canto dos pássaros, o som estridente de veículos. No lugar da quietude, perturbada somente por suaves brisas, a agitação de gente apressada. O tempo também tem pressa e quem não o acompanha fica para trás, como minha saudade da antiga alameda que guardo no meu coração de 84 anos.

Mas não deixo de sentir orgulho de ver minha alameda de passeios à sombra de copas de árvores frondosas transformada em símbolo do progresso do nosso país.


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Publicado em 14/04/2010 Adolescente, na falta de melhor programa, pegava o bonde 36, Angélica, e subia rumo à antiga Paulista. E ficava deslumbrado com as mansões, e ainda mais com a magnífica pérgola do Parque Trianon, com colunas e estátuas grecoromanas. Abraços. Enviado por Luiz Simões - [email protected]
Publicado em 14/04/2010 Sua historia me pareceu a de Zélia Gattai, esposa de Jorge Amado. Ela morava na Alameda Santos paralela a Paulista, proximo a Rua Consolação. Dizia ela, que quando menina ficava debruçada no muro e ficava encantada com os poucos carros que passavam, com os passaros que tinham aos montes nas arvores frutiferas,e o lazer dela e suas amiguinhas, era ficar vendo os enterros que iam para o cemiterio da consolação. Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 14/04/2010 Dora, "se avenida exilou seus casarões, quem reconstruiria nossas ilusões?". É um trecho de "Paulista" do Gudim que retrata bem a nostalgia daqueles que conheceram uma Paulista agreste, que ficou para sempre perdida como uma paixão terminada nas "manhãs frias de abril".Abraços, Marco Antonio (Marcolino) Enviado por Marco Antonio (Marcolino) - [email protected]
Publicado em 14/04/2010 AV> PAULISTA, SEMPRE FOI E SEMPRE SERA, A AV. DO
MEU CORAÇÂO.
CONHEÇO AV> PAULIATA SO ¨65 ANOS.
Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
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