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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Meu bairro, minha história Autor(a): Ana Maria dos Santos - Conheça esse autor
História publicada em 14/04/2010
João Mineiro, Dito Carvoeiro, Dna Joaquina, Raul (o bêbado), Silvio (pé de valsa), Paulo Bota e tantos outros. Nasci em Jaraguá, filha de pai baiano e mãe do interior de São Paulo. Os dois se conheceram nos bailes da Parada de Taipas, no tempo que os cavalheiros usavam um lenço ao dar a mão à moça com quem iriam dançar.

A primeira casa de que me recordo foi perto da "bomba". A bomba era de gasolina e ficava perto do Isabel Vieira, o grupo escolar onde estudei até a quarta série. Ao lado da escola morava meu avô, o saudoso Seu Cândido, que sentado na varanda enfeitada de primavera vermelha, cumprimentava a todos e a todos convidava pro cafezinho.

O Jaraguá das minhas lembranças de criança era lindo. A primeira casa própria construída em mutirão com amigos do meu pai ficava próxima da linha do trem. Da varanda víamos os trens que chegavam e com o apito nos lembrava da hora. O chefe da estação era o pai do Panela, amigo de meu irmão. Eu gostava de ir à casa do chefe da estação, casa de madeira construída pelos ingleses.

Ainda me lembro do som das pedras ao serem pisadas e do som da ponte de metal que ligava a linha férrea a casa. O morro ao lado da casa, que eu também avistava de casa, era coberto de quaresmeiras e manacás, isto antes da instalação da Voight. Outro marco do lugar era a igreja católica, eternamente a ser terminada.

Na última vez em que estive no bairro, o viaduto sobre a bela estação de trem começava a dar mostras de que realmente seria construído, mas pra isto era necessário derrubar casas e locais de comércio. Quando cheguei em casa, depois de uma estada de alguns dias na casa de minha tia, procurei a foto do local num endereço de mapa na internet pois eu sabia que uma parte da minha memória ia ser destruída com a construção do viaduto.

Queria guardar a foto da memória. Nas minhas noites inquietas ainda me lembro do bairro do jeito que conheci. Sinto-me menina e ouço o latido dos cachorros e o canto das cigarras no verão. Fico tranquila então e adormeço em Jaraguá mais uma vez.


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Publicado em 26/11/2011 lembrança que quem a viveu teve todos os motivos para querer lembrar-se por toda a sua vida.ao contrario do meu bairro onde eu e muitos outros querem esquecer e preferimos vê-la transformada por obras de saneamento básico limpeza do rio sarapui que a cada verão nos castiça com enchentes devastadoras e vemos nossas casas cada vez mais destruída e o bairro cada vez mais pobre. Enviado por jaci vanelli - [email protected]
Publicado em 30/06/2010 Ana,uma delicia recordar os tempos de criança, você foi feliz e por isso tantas lembranças boas. Parabéns pelo seu texto. Enviado por margarida p peramezza - [email protected]
Publicado em 03/05/2010 oi Ana, como é bom relembras os tempos da nossa infância. Isto nos traz um gostinho de quero mais
que não sai da nossa boca.
Parabens, seu texto me encantou, continue escrevendo, vai valer a pena.abraços
Enviado por rosa gouvea - [email protected]
Publicado em 21/04/2010 Ana, nada melhor que recordar os doces momentos nos bairros das nossas vidas. Um abraço Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 15/04/2010 Poético translado de ocorrências memoraveis, numa escrita concactenada com recordações gostosas. Parabéns, Ana Maria.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 15/04/2010 Seu texto dá a impressão de estarmos caminhando,pisando de leve, enquanto tipos, construções, vidas vão passando diante de nossos olhos. Sons, perfumes, tudo o que você guarda e hoje tirou dessa caixa grande que chamamos de coração para nos brindar e emocionar com seu relato. Um beijo, Enviado por trini pantiga - [email protected]
Publicado em 14/04/2010 Belas lembranças do pedaço de torrão que nos viu criança e hoje refletem na memória com gostoso saudosismo. Os pequenos detalhes enobrecem ainda mais a sua curta narrativa mas, completa todas as emoções de um passado já distante. Abraços, Nelson. Enviado por nelson de assis - [email protected]
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