Leia as Histórias

Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Progresso Autor(a): Arnaldo Muniz - Conheça esse autor
História publicada em 11/01/2010
Morávamos no Bairro do Tatuapé até 1968, na Rua Serra de Botucatu com a Rua Antonio de Barros. Éramos seis filhos, Sandra, Enio, Rita, Arnaldo, Mara e Cristiane. Os pais, Francisco Muniz Netto e Antonia Fortes Muniz e os avós paternos, João Muniz Furtado e Alexandrina Lacerda.

Sempre brincávamos na garagem da polícia, onde os guardas respeitavam e gostavam muito das crianças. No bairro havia um grande problema para nós na época, que era a poluição, pois muitas fábricas ficavam por ali, de tão doentes que as crianças ficavam meus pais tinham até conta na farmácia...

No final de 68 adquiriram um imóvel primeiro na Rua Arlindo Marques e depois outro na Santo Aniceto, na distante Vila Nhocuné, para onde os vizinhos e compadres Raif e Angelina Mamed haviam se mudado com os filhos, nossos amigos Lucilene, Lucimara e Marcos. Para nós foi um grande choque de realidade, pois estávamos saindo de bairro crescente e indo para num matagal.

Havia um riozinho, córrego Gamelinha, que era um filete de água muito clara de onde alguns homens retiravam areia para comercializar, e também ainda havia algumas chácaras, poucas casas. De resto havia muito barro. A condução ali era rara, apenas o Itaquera /Pq. Dom Pedro, o Vila Nhocuné/Sé e o Penha.

Fizemos amizades imorredouras tanto com os desbravadores do lugar quanto com seus filhos, muita gente ainda reside na mesma casa. Hoje pouquíssimos terrenos estão vazios e os preços absurdos. Brincávamos muito e de tudo, quando cansava de uma brincadeira inventava outra. Sempre tínhamos de esperar o pai, que chegava do Departamento de Obras Públicas às 20 horas, todos em casa e prontos para ir dormir...

Meus avós não tardaram e em 1969 vieram também residir de aluguel na Arlindo Marques Jr., sendo que posteriormente ainda vieram outros tios-avós para a mesma rua, isso nos dava algum suporte diante de tanta novidade. Os problemas de saúde se acabaram, até minha irmã que era a caçula na época sarou da bronquite e iniciou seus passinhos no campo do Niterói com a ajuda de uma boa amiga Edna, pois nessa época minha mãe já trabalhava no Hospital do Ipiranga.

Depois de um tempo veio o caçula definitivo, nosso querido Francisco, ou Chiquinho para os que o conhecem, porém com uma série de problemas de saúde e que aos poucos foram sendo superados ou suportados e até hoje aos 36 anos o temos. Minhas irmãs e irmão se casaram com pessoas do próprio bairro, apenas a mais velha foi procurar sua metade um pouco mais longe.

Tive o orgulho de fazer parte da primeira turma de ginásio da EMEF Abraão de Moraes, ensino médio no EE Afonso Penna e Psicologia na Faculdade São Marcos. Depois de atuar em diversas frentes na área da infância e da juventude hoje trabalho em um abrigo da Prefeitura, mantido pelos Salesianos do Bom Retiro.


E-mail do autor: [email protected] E-mail: [email protected]
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 11/03/2010 da hora,rsrsrs você escreve muito bem tmb, escreva mais, adoro esse site, adoro meu padrinho!!!! bjs Enviado por Bárbara Muniz - [email protected]
Publicado em 18/01/2010 Oi Arnaldo
Mas que emoção te encontrar aqui e ler este texto. Saudades de todos e de tudo.
beijos
Ana Ruth
Enviado por Ana Mari - [email protected]
Publicado em 12/01/2010 Arnaldo, em cada bairro pelo qual passamos com certeza deixamos um pouco de nós, o progresso vai continuar, parabéns pelo texto, abraços, Leonello Tesser (Nelinho). Enviado por Leonello Tesser (Nelinho) - [email protected]
Publicado em 11/01/2010 Progresso, na versão do Adoniran Barbosa era, POGRESSIO: "Progresio, pogrecio, nois sempre iscuito falá, que o pogressio vem du, trabáio, então amanhã cedo, nois vai trabaiá. Quanto tempo nois perdeu na boêmia, sabando noite e dia sem pará. Agora iscuitnadu os conseio das muié, amanhã nois vai trabaiá, si Deus quizè... Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 11/01/2010 O PROGRÊSSO, DESTROI TUDO, MAS TRAS NOVIDADES MARAVILHOSAS.. Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
Publicado em 11/01/2010 Arnaldo, Vocês foram em busca de ar puro e mais saúde. Acho que encontraram também,paz e felicidade.
Muito singelo seu relato. Escreva mais.
Um abraço Bernadete
Enviado por Bernadete P Souza - [email protected]
« Anterior 1 Próxima »