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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Saudade dos meus vinte anos vividos no Cambuci e Ipiranga Autor(a): Daniel de Souza Araujo - Conheça esse autor
História publicada em 14/12/2009
Meu nome é Daniel, tenho 69 anos, nasci na Rua Freire da Silva, Cambuci São Paulo. Dizia minha mãe que nasci em cima da enchente, mas não sei nadar. Ainda pequeno morei na Rua José Bento. Meus pais trabalhavam no Moinho Santista, minha mãe tecelã e meu pai revisor de peças até a firma ser transferida para o bairro da Quarta Parada. Minha mãe fez acordo e meu pai acompanhou a empresa até sua aposentadoria.

Meus tios moravam no interior do antigo hospital militar, não tinham filhos e meu tio trabalhava no Nadir Figueiredo na Rua da Independência. Mudamos para a Vila Monumento, Ipiranga, na Rua Engenheiro Prudente e depois para a Dr. José Maria Azevedo, 146. Esta última era uma casa tipo cortiço com sete famílias. E seis ocupavam o mesmo banheiro, com chuveiro de água fria.

Lá comecei a estudar o primário no Grupo Escolar Dr. Murtinho Nobre, hoje E.E, até o terceiro ano e o quarto no Oscar Thompsom no Cambuci.
Após o primário, com dez anos, para ajudar em casa, trabalhava como ajudante de caminhão, balconista de bar, ajudante de marceneiro, e ajudante de ourives.

Nessa época, minha paixão era empurrar pneu, aro de bicicleta, esconde-esconde, ver os carros encalharem na lama das ruas, brincar na escadaria do Colégio Rainha dos Apóstolos e jogar meu futebol nos campos do Vila Monumento do E.C. Corinthians da mesma vila. Aos domingos, o passeio preferido era o Museu do Ipiranga e nas festas juninas corríamos atrás dos balões, de dia e a noite.

Alguns nomes da Vila: Manelão, Zé Ferreira, Bixiga que comia vidro, Nenê, Chicão Alemão, Mário Preto, Elias, Landão, a venda do Antonio português, o deposito de carvão da família japonesa, o Claudionor, e tantos outros. Minha avó cuidava da casa e fazia o almoço que eu levava para os meus pais até as 11 horas.

No final da rua existia um atalho (na barroca) para a Rua Oliveira Lima que desemboca na Rua da Independência onde eles trabalhavam.
Com treze anos e meio comecei cursar o ensino profissionalizante no SENAI do Cambuci onde me formei em Artes Gráficas, impressor. Já formado, trabalhei na Empresa Gráfica Revista dos Tribunais na Rua Conde de Sarzedas e depois na Gráfica São José na Rua Galvão Bueno e viajava de bonde todos os dias.

Joguei futebol pelo C.A Ypiranga no infantil, juvenil e profissional em 1958. Em 1959 servi o Exército na Cia do Quartel General da 2ª Região Militar, na Abílio Soares, Ibirapuera. A Cia tinha um time só de profissionais da época e era base para a formação da Seleção do Exército, inclusive com o Rei Pelé que servia em Santos. Campeão do Torneio das Forças Armadas (Brasil) e Sul Americana (com Argentina e Paraguai). Eu era zagueiro central.

Em 1960 me transferi para o Vale do Paraíba para jogar futebol e trabalhar, ali fiquei até 2009. Hoje estou morando provisoriamente em Caraguatatuba. Quando escrevia estas mal traçadas linhas, um filme passava na minha cabeça e que saudade me dá dos vinte anos vividos naqueles dois bairros, Cambuci e Ipiranga. A saudade do pouco tempo ainda está presente em minha memória e, se pudesse, gostaria de viver novamente e com mais intensidade cada minuto daqueles dias.

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Publicado em 26/02/2012 também servi na Cia do QG 2 RM na Abílio Soares em 1972., na época gramamos o campo de futebol.comigo serviu um tal de Gomes , juvenil da Portuguesa.depois fui para o QG no Serviço de Rádio.tenho saudade deste tempo. Enviado por Roberto da Silva - [email protected]
Publicado em 09/02/2012 Parabéns Daniel, muito boa sua narativa.
Tenho 52 anos e vivi tudo isso, é impressionante como sua historia é muito parecida com a minha e de tantos outros.
Morei na Maranjai, que por sorte pertencia a 3 bairros: Vila Monumento, Cambuci e Ipiranga. Estudei no Murtinho Nobre, Joguei no Corinthia, no Vila Monumento, Azul Clube, etc. Pulei muitos carnavais no Clube Atletico Ypiranga, Adorava os jogos da Primavera. Enfim, como o espaço é curto não da para escrever mais, fico por aqui. Abs.
Enviado por Marcos Rodrigues dos Santos - [email protected]
Publicado em 01/04/2011 Só para lembrar você é o Daniel que jogava no São Bento, junto com Azulão, Mario Preto, Carijó se for você, pelo que sei jogava muita bola eu moro na Vila Monumento a 50anos e muitas pessoas citadas por você já se foram, tem uma passagem volto a dizer se for você que penso é verdade da paulada na boca que você levou por causa do Gandu ( lateral esquerdo ) de nome Jorge.`É isso mesmo ? Enviado por Sérgio Ferreira - [email protected]
Publicado em 09/12/2010 Morei em uma pensão na rua da Independencia em 1960.
O passatempo nos fins de semana era ir a pé até o museu do Ipiranga. O transporte era o bonde até a rua xv de Novembro onde trabalhava. Depois me mudei para a Vila Mariana. Saudosas memórias da rua da Independencia.
Enviado por Jose Rocha - [email protected]
Publicado em 15/04/2010 Parabéns pela sua história,linda e maravilhosa. Voce deve ter vivido muito bem aqueles anos, pois descreveu-os em detalhes.Bom lembrar, bom reviver,a infância e adolescencia que marcaram sua vida. Mais uma vez, meus parabéns. Abraços. Enviado por Dora - [email protected]
Publicado em 01/04/2010 OI DANIEL,EU VIVI TODA ESSA ÉPOCA,MORAVA NA BARROCA,NA RUA OLIVEIRA LIMA EM FRENTE AO CAMPO DE
FUTEBOL,NAMOREI E CASEI COM MARLENE,QUE MORAVA NA VILA,ESTAMOS CASADOS ATÉ HOJE,FAZEM EXATAMENTE 42
ANOS,BONS TEMPOS AQUELES,MORRO DE SAUDADES DO LUGAR E DAS PESSOAS,HOJE MORO EM MONGAGUA NO LITORAL,UM ABRAÇO.
Enviado por OSCARH.COMMODARO - [email protected]
Publicado em 15/01/2010 Poxa, que saudades daquele tempo de Piquete. Lembro-me mto bem do dia em que a seleção do exercito foi jogar no campo do Estrela, com o Pelé. Lembro tbm de vc com suas namoradas e depois casando-se c/ a Floriza. Tempos lindos. Agente era feliz e não sabia. Enviado por Dora - [email protected]
Publicado em 24/12/2009 Sr.Araujo, excelente texto revelando uma grande trajetória de vida. Para nós os primeiros anos, a infância e a adolescência marcam bem mais nossas lembranças. Qual será o mistério? Não existe. Nosso corpo está explodindo de vida nesses tempos, e temos um mundo a conquistar. Grande abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 17/12/2009 Sr. Daniel, sou do Cambuci e frequentei o Ipiranga, o berço do meu pai. Todas essas ruas que você mencionou eu conheço, inclusive morei num préio atrás do Oscar Thompson. Bom lembrar, bom reviver, deixar tudo isso passar de novo pelo coração. Um abraço e Feliz Natal. Enviado por Vera Moratta - [email protected]
Publicado em 17/12/2009 Oi, tb. nasci no Cambuci(H.Cruz Azul) e morei até me casar na rua Teodureto Souto. Quando eu era menina a gente descia à pé até a rua José Bento onde morava um primo do meu pai, quase na esquina da Climaco Barbosa onde ficava o Moinho Santista. Como era barulhento aquele pedaço!
Tambem ia com a minha turma fazer piquenique naquela terra vermelha que pertencia ao H.Militar, desciamos de bicicleta pela "barroca" e ficavamos correndo até cansar. Que saudade!
Enviado por Lourdes Cecilia Bove Ciavata - [email protected]
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