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Categoria - Paisagens e lugares O gigante Sampaio Moreira Autor(a): Amauri Inácio Vidal - Conheça esse autor
História publicada em 03/12/2009
Comecei a trabalhar muito cedo, aproximadamente em 1963. Descia do ônibus no Largo São Bento, depois de uma viagem nos antigos ônibus Scania da empresa Alto do Pari. Dirigia-me ao local de trabalho no "Sampaio Moreira", na libero Badaró 346 no 9º andar, onde funcionava o escritório de exportação de café, Sr. Alberto, o japonês.

A bela e bem vestida morena dona Valentina, secretária do Dr. Acácio um dos donos. O escritório tomava quase todo a andar, onde podia sentir o perfume do couro e da madeira de seus imensos sofás. Eu era sempre o primeiro a chegar, pois havia uma sala nos fundos, onde comia minha marmita, que eu tinha que preparar o café naquele imenso coador. O mais gostoso era sentir o aroma do puro café que exalava por todo o andar.

A minha função no escritório era Office boy, e como gostava de andar pelos corredores na hora do almoço para admirar o mármore, as escadas, os metais, os móveis, os lustres, os elevadores, os vitrais, tudo isso contrastando com pessoas que passavam para lá e para cá bem vestidas. De chapéu de cabelos bem arrumados e de boa educação.

Adorava trabalhar naquele prédio, a câmara municipal era bem em frente, da janela às vezes ficava parado vendo o movimento dos carros e dos pontos de ônibus do Vale do Anhangabaú. Sentado em uma mesinha separando as folhas para o arquivo, Sr. Alberto me chamava atenção para que eu não me descuidasse, pois me entretia com qualquer coisa, "tudo era novidade".

Às vezes não trazia marmita, mas adorava comer hot dog no Largo do Café e depois minha sobremesa era um pedaço de "raleu", doce árabe, que comia próximo a casa de queijos e bacalhau. "Era de dar água na boca"...

Adorava quando tinha que pegar o bonde para ir a um local mais distante. Adorava quando tinha que pagar alguma coisa na exposição Clipper, da Santa Cecília no Mappin, na Mesbla. Comer o misto quente das lojas Americanas. Bons tempos que não voltam mais ...


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Publicado em 26/04/2010 Maior jogo no campo do Sampaio foi entre APEA e Santa Cruz das pedreiras Vicente Matheus. Mais de 2000 pessoas. Enviado por Maurício Muhlfarth - [email protected]
Publicado em 07/12/2009 Mário Lopomo, jogar contra o Sampaio Moreira, realmente, não era nada fácil. Além de sempre ter bons times, tinha uma torcida que não era fácil, vários caminhões lotados de torcedores acompanhavam o time, onde quer que fosse. Uma confusão que saisse no jogo, já viu... Mas sempre teve bom futebol o Sampaio Moreira, foi Campeão Amador do Estado, em 1954, decisão foi numa preliminar, no Pacaembu, um domingo, à tarde, se não estou enganado foi frente o XI de Agosto de Tatuí. - abraços - Pedro Luiz - Enviado por Pedro Luiz Boscato - [email protected]
Publicado em 04/12/2009 Sr.Vidal, boas lembranças e uma homenagem a tanta gente que começou na sua vida de trabalhador pela função de office-boy. Lembrei-me da música boa e agitada de Kid Vinil, "Eu sou boy"; abro a marmita e o que tem? Feijão! Grande história. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 04/12/2009 Amauri, em tempo...eu confundi o "octogenário" predio Sampaio Moreira, com o Conde Prates, assim sendo a Casa Godinho, fica pegado ao Sampaio Moreira e não defronte ao mesmo...engano corrigido!!! abraços Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - [email protected]
Publicado em 03/12/2009 Ola Amauri. O Local em que você comia o hot dog no Largo do Café era chamado popularmente de "os três proquinhos". Eu também adorava comer naquele lugar. Se não estou enganado, ainda existia até a pouco tempo. Abraços Paulo. Enviado por Paulo Elorza - [email protected]
Publicado em 03/12/2009 Saudosa marmita, Amauri, a melhor coisa inventada pelos marmiteiros. Como é gostoso comer, quando se tem fome, beber água quando se tem sede, dormir, quando se tem sono e sentir saudade quando se envelhece. Parabéns, Inácio.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 03/12/2009 No seu relato, caro Amauri, posso me ver.Comecei a trabalhar em 1962, numa livraria na rua Formosa, também como office boy. Também ficava extasiado com o luxo dos prédios, com os elevadores gaiola e com a elegancia de homens e mulheres no vai e vem daquele centro de São Paulo.Frequentei os mesmos lugares, quando não levava marmita, adorava almoçar no Metro III (spaghetti a bolonhosa) ou no Esplanada (bife a rolê c/purê de batata).Bons e únicos tempos, aqueles vividos por nós.Abraços,M.Antonio Enviado por Marco Antonio (Marcolino) - [email protected]
Publicado em 03/12/2009 Para mim nome Sampaio Moreira tinha dois sentidos. O magnifico edifício ali por perto do Anhangabaú, me parece na Rua Libero Badaró, e o clube de futebol de várzea do Tatuapé. E C Sampaio Moreira clube de futebol, o mais temido clube de futebol varzeano, era muito bom e forte, e tambem o clube que tinha a fama de o clube mais briguento, principalmente por parte de seus torcedores. Jogar naquele clube ou contra, era a gloria para muitos. E eu um dia sonhei em jogar contra. Como diretor do Flamengo da Vila Olímpia fui a uma reunião ordinária aquelas reuniões semanais para por as coisas em ordem. Fui recebido pelos diretores com muita educação, e na troca de oficio eles ficaram de pensar. O jogo proposto por mim seria no campo do Flamengo, num domingo à tarde. Uma semana depois retornei para saber a resposta, e ela foi contraria a proposta em jogar no nosso campo. Caso quiséssemos teria que ser no campo deles no bairro do Tatuapé. Motivo: Sendo o jogo no campo do Flamengo eles (diretores) não sabiam o que podia acontecer. O mais provável era que uma briga aconteceria, pois sabiam também que o Flamengo também, não era for que se se cheira. E uma briga, era certeza que o prejuízo seria grande, pois derrubariam até o vestiário. Já no campo do Sampaio Moreira eles ficariam quietos, pois perderiam o campo em caso de confusão. Foi o que disse os diretores do Sampaio Moreira. Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 03/12/2009 AMAURI , O PASSADO DA NOSSA INFANCIA, OU ADOLECÊNÇIA, E INESQUECIVEL. Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
Publicado em 03/12/2009 Amaury, você me fez lembrar de duas gostosuras que eram símbolos da rua S. Bento: Os pãezinhos com patê de aliche da Califórnia, seus sucos de frutas e linguiças e o "cachorro quente" do "Pé prá Fora" (não falávamos hot dog em meus tempos) do Largo do Café. Ambos os locais perderam seu perfil original mas mantém a tradição apesar da mediocridade dos sanduiches oferecidos; acabaram por se transformar em botequins de segunda. Boas recordações, parabéns. Ignacio Enviado por joaquim ignacio de souza netto - [email protected]
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