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Categoria - Outras histórias Nostalgias Autor(a): Glauco de Arruda Barlebem - Conheça esse autor
História publicada em 30/11/2009
Hoje me encontrei nostálgico... Sabe essas coisas que a gente começa a sentir depois dos quarenta e que acaba se agravando lá pelos cinquenta? Pois é... Talvez a proximidade do "meio cento" esteja mexendo comigo mais do que eu imaginava que faria.

O fato é que cinquentão ou não, maduro ou não, acordei hoje lembrando de coisas de minha infância e adolescência. E não pude deixar de sentir saudades. No caminho para o trabalho, conversando com minha mulher, no carro, falava de elementos de uma época, que não existem mais. De um tempo guardado no pequeno baú de metal, lotado de fotos amareladas, que herdei de minha mãe.

Lembrei que a gente ia até a padaria, pedia uma ou duas bengalas, todos queriam as pontas, e levava a garrafa vazia, para comprar leite. É caro leitor, leite vinha na garrafa e tinha tampinha de alumínio.
Sentir saudades também do refresco de groselha, vendido na cantina do Grupo Escolar Prudente de Morais em copo americano, por dez cruzeiros. Uma nota verde, com a efígie da Princesa Isabel.

Música a gente ouvia no rádio ou na vitrola, que tocava compactos simples, duplos e long plays. Os programas na TV Philco, Telefunken ou Phillips eram O Fino da Bossa, A Jovem Guarda e o Silvio Santos (esse continua por aí, desafiando o tempo) com a Cinderela e seu programa de galãs, que trazia figuras como Wanderley Cardoso, Marcos Roberto, Márcio Greick, entre outros.

Naquele tempo (e não faz tanto assim, afinal estou falando dos anos sessenta, no século passado, que acabou não faz muito... meu Deus, "século passado"! Essa expressão me assusta um pouco) não havia locadoras de DVD, tampouco TV por assinatura. Nós íamos, aos domingos, assistir à Matiné no Cine Metrô, na Avenida São João, que apresentava desenhos do Tom e Jerry.

Depois, uma parada na Salada Record ou na Leiteria Paulista, para tomar um suco de laranja. Hoje tudo isso me parece distante, apesar de permanecer tão vivo na memória, como um filme em preto e branco, que insistimos em rever dezenas de vezes, justificando ser um clássico.
O que mais me provoca a saudade, porém, não está nas lembranças dos painéis luminosos das lojas Pirani ou do jingle das lojas Garbo.

Minha maior saudade é motivo de uma das minhas grandes tristezas, atualmente. Naquele tempo, quando víamos uma criança perambulando pelas ruas, abandonada ou pedindo algo, sentíamos pena. Hoje, uma cena similar, em qualquer lugar da cidade, nos provoca medo. O mundo mudou ou mudamos nós? Como se não fôssemos nós, os formadores do mundo...


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Publicado em 18/09/2011 Belo texto! Meu marido e eu sempre procuramos recordar coisas da nossa infância e adolescência...Faz um bem enorme à nossa alma...às vezes ficamos garimpando na internet "reclames" e jingles antigos... Nossos filhos acham graça nisso!às vezes recebemos e-mails com fatos, fotos, propagandas ou músicas antigas (ou ainda muito anteriores ao nosso nascimento) e curtimos bastante! Essa volta ao passado dá um novo ânimo para o presente!
Sempre comentamos que estamos, de modo geral,sendo tomados por uma certa "insensibilidade" quando se trata de olharmos "o outro". Como vocês disseram, antes quando víamos alguém em situação difícil nos apressávamos em fazer alguma coisa, sem outros pensamentos! Hoje, devido à violência e à falta de segurança, analisamos, ponderamos, verificamos várias coisas antes de ajudarmos de fato! Não gostamos de agir assim, mas a vida requer que assim façamos... Isso é triste, pois deveríamos seguir nosso coração imediatamente, sem prévia análise, não é?
Abraço
Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - [email protected]
Publicado em 02/12/2009 Não se preocupe, Glauco em passar dos 50. Se vc. soubesse quanta coisa que dá pra fazer depois do cinquenta.... faz quase 30 anos que eu fiz 50... e ainda dou o que falar, (bem ou mal, não importa...), Joguei futebol de salão até 65 anos. E ainda... - vamos parar por aí, que é melhor...
Precioso demais seu texto, Arruda. Parabéns.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 01/12/2009 E olha que vc ainda é jovem, perto da media dos colaboradores...não pegou a tranquila cidade dos anos 60, ou ainda dos 50, da qual testemunhei um pouquinho.
Aí, sim veria o que é mesmo nostalgia.
Abraços.
Enviado por Luiz Simões - [email protected]
Publicado em 01/12/2009 Não te apaúres, caro amigo. Os acontecimentos presentes, serão lembranças do passado, daqueles que viverão o futuro. Nossas lembranças, dos nossos tempos, estas sim, são escudos protetores de nossas saudades, embaladoras de nossos sonhos. O mêdo, é só uma consequência psicológica das agressões que a sociedade nos impõe. Ah.. na nota de dez, a efígie era de Getulio Vargas. Isabel era na nota de cinquenta. Abraços, Nelson Enviado por nelson de assis - [email protected]
Publicado em 01/12/2009 Glauco, como sua contemporânea, também lembro com carinho de tudo isso; se você costumava ir à Leitetia Paulista, também deve ter ido à Confeitaria Vienense, na Barão de Itapeteninga, onde se tomava o melhor chá da cidade. Bons tempos. Abraços Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - [email protected]
Publicado em 01/12/2009 Sr.Barlebem, chega o tempo de fazer balanços e de lembrar coisas positivas ou não em nossas vidas. A pobreza sempre existirá e somos todos responsáveis pelo mundo em que vivemos; omissão não é defensiva somente mas culposa. Abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 30/11/2009 CARO GLAUCO, E NORMAL SE SENTIR NOSTALGICO DEPOIS DOS 50 ANOS. ESTAMOS FICANDO VELHOS, GRAÇAS ADEUS
ESTAMOS VIVOS.
Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
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