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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades Ainda lembro dos "tempos de escola" Autor(a): Dr. Jorgival Gomes da Silva - Conheça esse autor
História publicada em 10/11/2009
Há pouco, pude ler neste espaço SPMC, a história de um amigo do passado. Estudante do Colégio Oswaldo Catalano. Também como eu, ele viaja no tempo nas caminhadas pela Silvio Romero até chegar a Escola.

Naquela época, éramos bastante carentes, minha família tinha chegado a pouco tempo do Nordeste - 1970 e, como é sabido, a gente vêm para cá, sonhando ou na garupa de outros sonhadores. Tudo parece novo, mas lá no fundo do coração, mesmo ainda criança, pude guardar e sentir coisas tão profundas, quanto os mais velhos.

E foi assim comigo, o tempo passou e a lembrança dos colegas de Escola, o cheirinho de biscoito, que sentíamos no horário das 17h, quando saíamos da Escola e retornávamos para casa. Camisa branca, calça cinza, sapatos preto. Era esse o uniforme da gente.

Perto da Rua Felipe Camarão, havia uma Fábrica de Biscoitos, que vendia aqueles pacotes grandes de biscoitos quebrados. Costumava comprar, e não via a hora de chegar em casa para comê-los com meus irmãos.

Havia uma menina na minha sala, de nome Vanessa: "olhos verdes, cabelos castanhos e de lábios encantadores", era assim que eu a via. Toda moçada tinha a sua paquera, e eu, só sonhava... Naquela época, eu era o mais "carente", não tinha recursos para namorar ninguém. Até porque, ainda me lembro dos "x vitória", que se fazia na Escola. Era o lanche mais caro, e só dava para comprar uma ou duas vezes no mês.

Não era fácil, mas isso não impediu nosso objetivo de estudar e vencer. Prova de que "tudo é possível àquele que crê"! Daí, o tempo se foi e muitos se foram também.

Houve certa ocasião na Escola, que apresentamos a peça: Frei Luiz de Souza, de Almeida Garrett. Foi todo mundo assistir, meus pais e os pais dos meus companheiros de classe. A apresentação foi um sucesso. A professora ficou orgulhosa, e nós, mais ainda.

O tempo passou, mas a viagem continua... E, como diz o poeta: "A lembrança tem uma filha, que se chama saudade, eu sustento mãe e filha, contra a minha vontade".


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Publicado em 11/10/2011 Como o Jorgival, tambem me lembro dos meus tempos de criança. O biscoito abaeté era sucesso no interior de Minas gerais, lembro do caminhão parado à beira das portas vendendo biscoito por kilo. Que saudade! nossa visinha dona olga murta sempre comprava, e eu ainda criança nem entendia de compra mais tinha desejo de comprar, mais comi muito desse delicioso biscoito que ficou na minha lembrança.Até hoje tenho saudade desse sabor.E muita saudade dessa cidade tão aconchegante que é São Paulo. Enviado por isabel alves castro - [email protected]
Publicado em 04/07/2010 Maravilhosa expressão dos bons tempos , que se foram e não voltam mais. Enviado por suely silva - [email protected]
Publicado em 13/11/2009 Dr.Silva, seu texto revela refinamento e uma alma leve do dever cumprido. Qual seria o nosso ânimo se não tivéssemos vindo lá de baixo da vida simples com carências de toda a ordem. Voce veio, viu e venceu. Agora só resta recordar, o que também faz bem para a alma. Abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 12/11/2009 PEÇO LICENSA, E FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DE "MARY CLAIR", E SE O SR. ACEITAR DIVIDO AS DESPESAS DO SUSTENTO DESTAS TÃO IMPORTANTES "MÃE E FILHA", E AGUARDO COM ANSIEDADE MUITO MAIS TEXTOS TÃO BEM RELATADOS PELO SR., OBRIGADO E PARABENS!

FORTUNATO MONTONE
Enviado por FORTUNATO MONTONE - [email protected]
Publicado em 11/11/2009 Saudável recordação, Jorgival, esse trexo do Tatuapé traz boas recordações. Por acaso essa fábrica de biscoitos, não era o Abaeté? Parabéns, Gomes.
laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 11/11/2009 Lindo, Jorgival! S.Paulo é isso...a terra sonhada...o pote de ouro...o distante e sonhado Eldorado. Cada um de nós, descendente de imigrante ou de migrante, aqui está porque um dos nossos se aventurou, e veio, e lutou, e construiu
o que Caetano chamou de realidade...Sonhos que se sonham são apenas ilusão, sonhos que se constroem
chamamos de realidade.
Enviado por Trini Pantiga - [email protected]
Publicado em 10/11/2009 Dr. Jorgival, quantas lembranças no famoso bairro do Tatuapé; e pensar que hoje existem ruas próximas a praça Silvio Romero, em que não há mais casas, somente enormes edifícios de ambos os lados da rua. Quem te viu e quem te vê. Niderce Enviado por Niderce Teresa - [email protected]
Publicado em 10/11/2009 Dr.Jorgival, o poeta bem diz sobre mãe e filha, porém, que seria de nós se não tivéssemos lembrança e saudade? Iria ser bem sem graça, eu acho. Então, trate de sustentar mãe e filha com muita boa vontade. Abraços. Alaíde Enviado por Alaíde Santos - [email protected]
Publicado em 10/11/2009 Que lindo Jorgiva...Dr.Jorgival...Embora as carências vc conseguiu, conseguiu porque abraçou a causa e com perseverança se fez forte. Eu também era a mais pobre do colégio, a mais simples,não podia comprar e ficava morrendo de vontade de tudo, roupas, calçados, lanches... Hoje, minha vida é simples mas o sonho sempre está presente, realizo todos, encenando em cada ato da minha história de vida...No palco todos se fazem presentes.
Parabéns pelo texto! A sua ultima frase já foi anotada e semearei.
Enviado por mary clair - [email protected]
Publicado em 10/11/2009 sempre que preciso for.
Um grande abraço.
Enviado por mary clair - [email protected]
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