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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Minha infância e adolescência Autor(a): Adérito da Silva Neto - Conheça esse autor
História publicada em 22/09/2009
Nasci em 1942 na Rua Casemiro de Abreu numa vila de 5 ou 6 casas. Lá vivi até cinco anos de idade. Lembro-me dos paralelepípedos do amplo pátio da vila onde brincávamos até o anoitecer. Traz-me recordações dos balões, das fogueiras e traques das festas juninas. Lá aprendi as primeiras letras, brincando de escolinha. Meu professor era um rapaz de apelido Beto (já falecido). Ele morava no "cantinho", onde montava a escolinha com cadeiras e ali passávamos horas brincando e aprendendo. Mudamos para a Rua Carlos de Campos, número 248, casa própria, pois meu pai João da Silva já era proprietário da Panificadora Belo Horizonte, na Rua João Boemer, esquerda com a Virgilio do Nascimento. O padeiro era o Piola. Em frente havia uma farmácia, cujo proprietário meu pai chamava de Boticário (nunca eu soube o seu nome). Meu primeiro ano primário foi concluído em 1950, na escolinha da dona Maria, na capelinha de São Pedro ali, vizinha ao lado da transportadora Wolfram. Depois completei os anos restantes no Externato Santo Antonio do Pari. Fui coroinha da igreja com freis: Graciano, Luis Maria, Feliciano (exímio organista). Aos domingos, após a missa das 10 recebíamos senha para o cineminha (depois do catecismo) onde eu vendia refresco de groselha, e guardava a comissão para comprar presente para o dia das mães, que eu comprava na casa Longo, ao lado da igreja. Comprava doces na Flor de Liz e na Balneária. Quando a Portuguesa comprou o estádio do Canindé do São Paulo passei a freqüentar aulas de natação com o Sr. Itamar. Brincava na quadra de basquete e ia às festas juninas do clube. Fiz o ginásio no Ginásio Paulista e no Frei Paulo Luig. Jogava bola no campo do Luzitano em frente ao Frei Paulo, e no campo do Vigor, ao lado. Amigos: Artur, que morava em frente, Wagner, Decio, Valquiria. Ia para o colégio com um amigão, o Tsunau Tsukuda cuja família tinha uma tinturaria na Virgilio do Nascimento. Iam também o Henrique e seu irmão Armando. Na adolescência meu amigo do peito era o Claúdio Martin, vulgo Paco, cuja família tinha uma loja de ferragens na Rua Xavantes. Tomávamos o bonde juntos, pendurados e íamos para o centro, estudar no CE Presidente Roosevelt, onde cursávamos o curso científico. Depois de casado, morei na Rua Cachoeira, casa alugada de um tio do Paco. Depois me mudei, separado, e andei por esse mundo de Deus. Morei Em Ponta Grossa, Cascael, Ivaiporá, Ribas do Rio Pardo, e atualmente moro em Joinville (já faz 24 anos). Mas quem tinha raiz ficou nesse bairro tão querido e pacato na época, onde ainda mora a família de meu saudoso irmão Aurélio. Saudades da minha cunhada Bete, do Murilo e do Marco Aurélio. Saudades do cine Rialto, onde assisti clássicos do cinema como Os Dez Mandamentos, Ben Hur, Cleópatra, Hercules. A casa onde morei não existe mais, mas permanece em alguns sonhos meus e sempre me vem à lembrança quando alguém fala nesse bairro que me viu nascer e só me traz boas recordações. Gostaria de receber notícias de alguém dessa época que conheceu os amigos citados. O cheiro de doces da fábrica Confiança parece que ainda sinto, pois era inconfundível. Eu vi plantarem as árvores da Rua Carlos de Campos quando ela foi duplicada. Eu vi a renovação de frota da empresa de ônibus Alto do Pari, com pontos finais e inicias na mesma rua, e na Rua Rio Bonito, onde havia a fabrica de laticínios Vigor, que exalava um cheiro de leite fervido. Tudo isto me veio à memória ao ler depoimentos de antigos moradores do meu querido Alto do Pari, tão distante de meus olhos, mas presente sempre no meu coração.


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Publicado em 28/07/2010 VOU MANDAR ALGUMAS FOTOS DA NOSSA EPOCA Enviado por Antonio Viziolli - [email protected]
Publicado em 22/10/2009 Nossa Pai que gostoso,ler sua historia ,suas lembramças ...muito legal

seu filho
Daniel alexandre
Enviado por Daniel Alexandre - [email protected]
Publicado em 29/09/2009 Sr.Silva Neto, que grande coleção de memórias. Com certeza os amigos do Pari vão entrar em contato com você. Abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 22/09/2009 Neste excelente trabalho, Aderito, além da boa memória vc. mostra e sabe como, ser grato a uma existência rica em fatos e emoções. Tenho, justinho 10 anos mais do que vc. e durante toda minha atividade de vendedor de embalagens, rodei por mais de 30 anos os locais e industrias que vc. menciona,Neusa, Confiança etc. Bela crônica, Silva. (É provável que tenha conhecido seu pai)Parabéns
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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