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Categoria - Paisagens e lugares Oui, c'est la vie Autor(a): Alencar Valdir dos Santos - Conheça esse autor
História publicada em 13/08/2009
"La vie c'es belle". Não há como contestar essa afirmação. Não é, na verdade, um mar de rosas, mas traz-nos momentos incríveis, inefáveis mesmo e eternos... Bem, pelo menos enquanto duram... E muitos desses momentos eu passei, sem dúvida alguma, nessa cidade incrível e cheia de novidades, nessa cidade que, além de outras virtudes, homenageia o grande apóstolo homônimo, apóstolo que também escrevia. E muito.

Lá pelos anos 70 do século passado, eu trabalhava na Rua Conselheiro Ramalho, na Bela Vista, e residia na zona leste. Como o meu horário de entrada era mais ou menos flexível, eu chegava na Praça da Sé por volta das sete e meia da manhã. E assim que descia da lotação, geralmente realizada por Kombis ou Opalas, entrava naquele barzinho que hoje fica diante da escada sul do Metrô, tomava uma média de café com leite e comia um pão com manteiga. E depois, em vez de seguir pela Rua Direita até o Largo São Francisco, para depois subir a Brigadeiro Luís Antônio, eu dirigia-me às escadarias da catedral da Sé onde punha-me a contemplar embevecidamente os pombos, que eram alimentados por um senhor que cotidianamente transportava uma sacola cheia de ração ou coisa que o valha. Somente depois de "perder" esse tempo eu seguia para o trabalho.

Encontrava nesse caminhar - subia a Brigadeiro - um prazer renovado: gente que ia e vinha, sol, barulho de veículos apressados, buzinas, gente bonita pelas calçadas, senhores e senhoras que caminhavam lentamente, contemplando o movimento e envolvidos no doce sonho da saudade, das lembranças da juventude, da infância, nessa cidade que é lindíssima, romântica, sedutora; perigosa? Sim. Mas em que parte do mundo não há perigo? São Paulo também não foge à regra.

"Oh souvenirs... aurores"... Um dia desses - hoje já não trabalho naquela empresa, não mais resido na zona leste, mas na sul - saí por aí - "pela minha cidade, pela minha vida", como diz a canção "Balada para um Louco". E fi-lo de ônibus, rejeitando voluntariamente o conforto do automóvel. E o coletivo, primeiramente, seguiu pela Avenida Santo Amaro, depois Nove de julho, chegando à Praça da Bandeira. E estava uma linda manhã de sol. Deixei a Praça da Bandeira na direção do Largo São Francisco, tomei um café no "Eclético", passei sob as arcadas da Faculdade de Direito, onde estudaram Castro Alves, Rogê Ferreira... Dei uma volta naquele pátio repleto de história, de sonhos, de amores vividos em São Paulo. E, como não poderia deixar de ser, caminhei até à Praça da Sé, que continua linda, cheia de pombos, de gente, de sonhos e de amores. Parei, olhei, sonhei também e pude então compreender melhor o poeta Mário de Andrade, que morreu amando nossa cidade, nossa metrópole, que é, a um só tempo, esplendor e nostalgia, paz e guerra, calma e fúria.

Mas o tempo havia passado, não o meu tempo, mas o tempo daquele dia e já estava batendo uma vontadinha de comer, quem sabe, de almoçar. Mas como eu estava longe de casa, parei numa esquina da praça e comi um churrasco grego acompanhado de um suco de laranja. E voltei... Mas farei novos passeios, se Deus quiser. E ele há de querer.

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Publicado em 20/08/2009 Bonito passeio Alencar. A rota diferente da minha; provavelmente nos cruzamos em algum lugar.A menor distancia...Bom deixa pra lá! Já o churrasco grego, meu amigo.
Havia um movimentado na esquina da rua Marconi com a 7 de abril, próxima ao Mappin; (verificar o texto São Paulo da gastronomia se desejar).
Pode ser que a preparação daquele churrasco, pedaços de carnes sobrepostas façamos nossas reservas. Ao degustá-lo, porém, fatiado com o pão de trigo e um refri: hum, hum, hum!!!. Saboroso!
Enviado por Clesio de Luca - [email protected]
Publicado em 16/08/2009 Caro Alencar voce me levou a um belo passeio de recordações, que bom que como disse o Modesto Laruccia ainda podemos escrever e ler, viajar no tempo e nos lugares que ocupam nossa memória e não gastarmos essas coisas boas que nos restaram com asneiras, como disse Jesus: É o que sai pela boca que faz mal, não o que entra; o churrasco matou quem estava lhe matando,a fome, não foi? Parabens Alencar. Enviado por Carlos Guilherme Heiffig - [email protected]
Publicado em 15/08/2009 Alencar. Já faz quarenta anos de minha ausência do Bixiga e da Grande São Paulo. Contudo, viajo em meus sonhos por passeios e pelos lugares quais voce passou. A diferença está em que, nas minha memórias não estão as atualidades e sim o que de antigo guardei. Bom passeio, Nelson. Enviado por nelson de assis - [email protected]
Publicado em 14/08/2009 Alencar, certamente você fará novos passeios como esse, se Deus quiser...mas dê uma ajuda a Ele, não facilite comendo outra vez churrasco grego, ainda mais acompanhado de "suco" de laranja. Já que é pra arriscar, varie e arrisque um pastel na Pastelaria Modelo, na Pça da Sé, há quase 100 anos com o mesmo formato e gosto. Vale a pena, no entanto, ficar com os tradicionais de palmito ou queijo fresco. Abraços. Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - [email protected]
Publicado em 14/08/2009 Churrasco grego ? Não faça isto, Asciudeme. Conheço alguém que comeu um, e em Paris- C´est bien servu, hem? disse o vendedor. E minha amiga passou mal o dia todo ! Enviado por Luiz Simões - [email protected]
Publicado em 14/08/2009 que belo passeio,quantas boas lembranças!Quanto ao churrasco grego há quem diga que ele fica rodando tanto tempo que as gorduras e bactérias se vão, lembro-me do Jô Soares fazendo referencias a ele, nunca comi, mas bem que tenho vontade, só está faltando as esfihas que também vendiam nas portas dos restaurantres, essas eu comi diversas vezes. Enviado por cida schoenacker - [email protected]
Publicado em 13/08/2009 ALENCAR, "A MENOR DISTÂNCIA ENTRE DOIS PONTOS É A RETA..." portanto estando na Praça da Sé o menor caminho para o Largo São Francisco, é a rua Benjamin Constant e não a RUA DIREITA, pois por esta, não se vai direto ao Largo...aliás, é o meu caminho para a Faculdade nestes últimos 3 anos... Altair Enviado por ALTAIR SIQUEIRA MACEDO - [email protected]
Publicado em 13/08/2009 Altair, vou dar uma de Lopomo: Segundo a Teoria da Relatividade de Einstein, pode ser uma curva. Mas no caso aí, realmente é isso mesmo.ALENCAR ainda vou comer esse tal churrasco grego, dizem que é uma delícia.Parabéns pela narrativa. Um abraço à ambos. asciudeme Enviado por asciudeme joubert - [email protected]
Publicado em 13/08/2009 Prof.Santos, observar a cidade em vivemos, trabalhamos, estudamos e vertemos o suor do dia-a-dia, é um grande prazer. Quando não estamos na roda viva da labuta diária podemos enxergar a grande cidade com olhos de turista, de observador privilegiado. Viva Sampa e parabéns pelo seu belo passeio. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 13/08/2009 Alencar,andar pelo centro velho, Sé,São Francisco,Direita,São Bento,Boa Vista,Quitanda,Libero Badaró etc. curtindo a arquitetura, as pessoas e os costumes é, sem dúvida nenhuma, um delicioso exercício de Paulistaneidade. Parabéns e um abraço, Rossi Enviado por antonio rossi dos santos - [email protected]
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