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Categoria - Paisagens e lugares Tipografia Ferreira Autor(a): Antonio Reynaldo Ferreira da Silva - Conheça esse autor
História publicada em 22/07/2009
Ufa!! Que escadaria, nem sei quantos degraus tinha, nunca contei, mas acredite eram muitos, e de madeira, toda de madeira, fazia aquele barulho quando eu descia correndo para pegar um lanche no bar embaixo, Rua Libero Badaró, 386, a Tipografia do meu pai ficava no 2º. andar, bem em frente à antiga Câmara Municipal... Era 1967, eu tinha 14 anos, nem imaginava que aquelas duas janelonas seriam tão disputadas por jornalistas do Diário Popular, da Folha, do Estadão etc.

Quase todos os dias tinham novidade, e lá íamos nós para o janelão, era o Pelé, o Roberto Carlos e outros que vinham receber a chave da cidade.

Uma vez foi demais, aquele Rolls-Royce preto subindo a rua totalmente tomada de gente, ninguém queria perder. Era a rainha Elizabeth da Inglaterra.

Aí veio 1968, me vem na imagem aquele brucutu da força pública, e que força, colega, era de arrepiar, mas os estudantes daquela época também não eram bolinhos, não, e o pau quebrava, se de um lado a polícia era truculentamente sem medida, por outro os estudantes tinham uma criatividade de dar inveja ao Cirque de Solei. Me lembro bem daquela cavalaria subindo a Libero em direção ao Patriarca para dar de encontro com os estudantes, advinha onde, bem em frente ao nosso janelão. Foi quando a gente achou que ali seria o fim dos estudantes. Ledo engano, pois eles estavam com alguns sacos, desses de sessenta litros, como os de feijão, lotados de bolinhas de gude. Quando soltaram aquelas bolinhas toda no asfalto, aí não prestou, não ficou um cavalo em pé. E aí o confronto foi na mão. Eles eram mesmo muito criativos, usavam pedaços de cano de ferro, esses de encanamento antigo, para direcionar os rojões pra cima das forças de repressão.

Bem, o bonde se foi, a Salada Paulista se foi, o restaurante Giratório também se foi, o prédio com sua escada de madeira também já não existe mais, e aí outras coisas vieram, outras virão e assim vai a vida. Ainda bem que a gente tem estórias para contar.

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Publicado em 04/10/2012 Achei maravilhosa essa estória sobre como era S.P antigamente.Esse assunto muito me interessa; pois sou louca por saber fatos da cidade que tanto amo. PARABÈNS;;; Enviado por Rosangela Brazil - [email protected]
Publicado em 02/03/2012 Olá TATA, li seu comentário do fundador da gráfica e fiquei emocionada. Que saudades do VÔ FERREIRA ,O MEU SOGRÃO, que era que nem um pai p/mim...Realmente a sua marca registrada era o SEU BOM HUMOR, SEMPRE ALEGRE E FELIZ DA VIDA, estas marcas ficam para sempre na nossa lembrança e no nosso coração, enfim recordar é viver!!! Ele O SR.FERREIRA, nos deixou um exemplo de vida, UM HOMEM HONESTO, HONRADO, BATALHADOR, E DIRECIONADO SEMPRE A FAZER O BEM...MUITAS SAUDADES..SÓ TENHO QUE AGRADECER A DEUS! Enviado por Marta - [email protected]
Publicado em 02/03/2012 legal Tata, gostei muito da sua estória, e concordo com vc, Ainda bem que a gente tem estórias para contar....Que Deus te ilumine sempre!! Enviado por Marta Garbini - [email protected]
Publicado em 27/01/2011 .Dia 15 de janeiro passado (2011) o fundador da Tipografia ferreira, Sr FERREIRA nos deixou, com 81 anos e muito bom humor, sua marca registrada Enviado por REYNADO - [email protected]
Publicado em 30/11/2009 RReinaldoldo ,lendo um pedaço da sua historia , parece que estou lá, apesar de estarmos,na época, morando numa cidadezinha fronteira com São Paulo: Delfim Moreira -MG , onde francamente, não tinhamos meios de comunicação para sentir de perto os acontecimentos da época. Mas mesmo assim eu procurava saber um pouco desta ditadura dolorida. Gostei do seu comentario e vivi o tempo estrangulado das nossas vidas abraços nene Enviado por Maria ap.de O.C - [email protected]
Publicado em 28/07/2009 Sr.Silva, que janela para o mundo vocês tinham lá; a pauta era melhor que a do Reporter Esso. Muito bom a lembrança da criatividade dos estudantes, bolinhas de gude contra a cavalaria. Vi em Brasília manidestantes entregando flores às tropas perfiladas para reprimir uma greve de professores e foi fantástico!Parabéns. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
Publicado em 28/07/2009 Reynaldo, gostei do seu relato, me recordei das minhas andanças ali pelo centro qdo era mais jovem, não sabia que a gráfica também se situou na L.Badaró,só a conheci no Anhangabaú.Do Giratório que era do meu pai tb dava pra ver o quebra pau na São João naquela época.
Abraços. Pipo
Enviado por Ezio Barioni - [email protected]
Publicado em 26/07/2009 Reynaldo, como diria aquele jornalista: "Testemunha ocular da história..." A cidade mudou mas não mudamos nós, os que vivenciaram essa época que, se por um lado foi dura, por outro lado nos deixou lições do que não queremos ver se repetir. Saudades só dos lugares bons que hoje são raros, apesar de todo o esforço de alguns em tentar resgatá-los. Parabéns pelo texto. Enviado por Márcia Sargueiro Calixto - [email protected]
Publicado em 23/07/2009 Nos anos de chumbo, cheguei a presenciar soldados da Força Pública (cavalaria) despencar dos animais na Rua 25 de Março. Era uma bagunça, espadas caindo no chão,etc. Enviado por JCOliveira - [email protected]
Publicado em 23/07/2009 Reynaldo: Muito bom mesmo, o teu texto. Os acontecimentos de toda uma época passou por essa janela privilegiada. Conte-nos mais sobre tudo o que você testemunhou. Abração, Natale. Enviado por Wilson Natale - [email protected]
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