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Categoria - Personagens A divina cantou para mim Autor(a): Antonio Rossi dos Santos - Conheça esse autor
História publicada em 06/07/2009
O Benê era um amigo especial. Levava sua vida na tranquilidade sem se preocupar com os estudos ou ocupação regular, patrão, horário, tanto que, até o final de sua vida, na década de noventa, nunca teve uma profissão ou emprego fixo, entretanto saiu-se muito bem como "lobista", atividade esta que se encaixava perfeitamente a sua personalidade, e lhe deu "status" e patrimônio. Gostava de dançar e das conquistas amorosas, no que, aliás, era extremamente hábil. Nossa amizade vinha da infância, nos anos 50, quando morávamos na Rua Marapoama, de onde nossas famílias mudaram-se para o Alto da Lapa.

Quando chegava o período das férias escolares Benê era minha companhia constante, e, durante a semana, íamos para o centro da cidade aos cinemas, salões de bilhares do Martinelli ou o Maravilhoso, da Avenida Ipiranga, e, principalmente, em busca das paqueras, no que eu me saía muito bem com o Benê, pois o meu excesso de cautela em me aproximar das garotas era compensado pela sua impetuosidade.

Numa dessas noites, após o cinema e nenhuma conquista, caminhávamos pela Avenida São João quando Benê sugeriu uma passada pela TV Paulista, que apresentava um programa musical nos finais de noite, sempre com artistas consagrados. A TV Paulista, conhecida emissora da Organização Victor Costa, tinha sua sede instalada na Rua Sebastião Pereira, onde hoje é o jardim da estação Santa Cecília do metrô, tendo sido comprada em 1965 pela Globo dando origem à gigantesca rede dos dias atuais.

Aproximadamente onze horas da noite entramos no deserto auditório, onde, além de nós, havia mais meia dúzia de notívagos assistindo à apresentação de uma cantora, mulata delgada, voz incisiva e que era acompanhada pela orquestra do maestro Pocho, muito famosa naquela época.

De início não identificamos a cantora, mas sua voz diferenciada penetrava nossos tímpanos e atingia nossas almas. Estávamos sentados na primeira fileira de cadeiras, e ela, como se estivesse agradecendo aos aplausos de dois jovens bem vestidos, no auge de seus vinte anos, e interessados na boa música brasileira, dirigia seu olhar e sorriso para nós, que retribuíamos com mais, e, calorosos aplausos.

Até a terceira canção ainda não havíamos identificado a simpática mulata, muito embora sua voz maviosa soasse familiarmente aos nossos ouvidos. Entretanto, quando ela iniciou "Nossos Momentos", em magistral interpretação, nossa ficha caiu, como vulgarmente se fala; quem se apresentava, quase que com exclusividade para nós, era simplesmente ELIZETE CARDOSO, "A DIVINA".

Sorte a minha de ter como amigo o saudoso Benê, as transmissões de televisão serem ao vivo naquela época, e, por que não dizer, ter vivido minha juventude no momento certo (anos 50/60) e, principalmente, no lugar exato, nossa querida cidade de São Paulo.

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Publicado em 09/10/2012 Rossi, eu era pequena mas ouvia ele comentar e lembro vagamente, vocês tiveram a oportunidade de conhece-la e tenho certeza que se ele estivesse entre nós vocês iriam contar muitas histórias da nossa São Paulo. Enviado por Deise Jacarini - [email protected]
Publicado em 09/12/2009 Rossi
Esta história, ótima por sinal,você me contou pessoalmente.Teno inveja de não esatar ali com você,para saborear tal canja...
Abraços,
Marchi de Queiroz
Enviado por Marchi de Queiroz - [email protected]
Publicado em 09/09/2009 Oi, Rossi
Ela era amiga de meus pais e muitas vezes ficava hospedada em nossa casa. Eu ainda pequeninha, me levava para a Rádio e depois TV Record. Eu ficava fascinada, vendo-a se arrumar, chique como sempre, amorosa comigo, me apresentava como sobrinha. Prá mim, era simplesmente o paraíso.
Um abraço
Dagmar
Enviado por Dagmar Ferreira - [email protected]
Publicado em 19/07/2009 Vida de solteiro sem namorada, antigamente o mais sofiscados iam aos sábados no La Vie en Rose, onde se encontravam as "meninas" mais fáceis e bonitas da cidade. Ali aconteciam shows. Tive oportunidade, mesmo sem querer, te ver e ouvir, bem pertinho, dalva de Oliveira,Angela Maria e Cauby. Bons tempos aqueles. Até esqueci as primas rsrsrs Enviado por nilo de araujo borges junior - [email protected]
Publicado em 10/07/2009 Bela crônica, Rosso, ressaltando a figura da "Divina" e de seu amigo, Benê. O Matarazzo, nos seus jantares anuais, nos brindou, na década de 60, com a presença de Elizete Cardoso. Noite inesquecível. Parabéns, Antonio.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 06/07/2009 AMIGO ROSSI, EU JÁ RELATEI NESSE SITE ALGUMAS HISTÓRIAS DA TV RECORD - EU TIVE A FELICIDADEDE CONHECER, FOI LA NOS ANOS 65 - EU CONHECI A SRA. ELIZETE CARDOSO NOS BASTIDORES DO TEATRO RECORD CONSOLAÇÃ0 - ELA FAZIA UM PROGRAMA "BOSSASAUDADE" (ACHO QUE COM O CIRO MONTEIRO)- ME DEU UM AUTOGRAFO - A PELA DELE PARECIA UMA MAÇA DE CHOCOLATE DE TÃO BELA. ABRAÇOS. Enviado por RUBENS ROSA - [email protected]
Publicado em 06/07/2009 Rossi, boa lembrança! E vou dizendo, com a música da Elizete: "Saudade, torrente de paixão..." Conheci a Elizete, antes que virasse Elizeth, em um bar do Passeio, no Rio. Foi um dia memorável. Abração, Natale Enviado por Wilson Natale - [email protected]
Publicado em 06/07/2009 ROSSI, CONHEÇI A DIVINA JA NO FIM DE CARREIRA
NO CLUB PIRATININGA, EM SÂO PAULO. MAS AINDA
CANTAVA MUITO.
Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
Publicado em 06/07/2009 Rossi, você parece ser uma pessoa com laivos de romantismo incontrolável. Elizete mereceu sua história e merece milhoes de outras crônicas louvando sua beleza e seu talento. Lembrar é bom, assim a gente esquece das Tatty(?) Quebra Barracos da vida...Melhor é a voz da Enluarada. Muitissimo obrigado pelas lembranças.
Ignacio
Enviado por joaquim ignacio de souza netto - [email protected]
Publicado em 06/07/2009 Sr.Santos, e bote privilegiados nisso! Ouvir "A Divina" conforme batizada por Haroldo Costa. Elizeth 1920/1990, cantou com tudo de bom que existia na época, músicas, compositores e conjuntos. No último sete de maio completou-se 19 anos sem a sua presença. Brasil mais pobre fica com éguas pocotós e dança do créu...SOCOOOORRO! Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - [email protected]
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