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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Vila Maria baixa - Igreja da Candelária Autor(a): Luiz Ramos - Conheça esse autor
História publicada em 17/05/2006
Nos anos 70, a Vila Maria baixa era meu lugar preferido em São Paulo. Aquela velha Guilherme Cotching, arborizada, bonita; a praça Santo Eduardo e lá no fim da rua a Igreja da Candelária me transmitiam uma sensação de segurança. Aparentemente, nada mudou tanto assim, porém, quando observamos atentamente velhas fotografias, percebemos que mudou sim e mudou muito.
Tudo muda e isso é o natural da vida, claro; O importante é que não caia no esquecimento.
Uma coisa que gostava no bairro eram os nomes das ruas, ou da maioria delas, como Araritaguaba, Amambai e outras com nomes assim, exóticos (claro que a garotada em fase de alfabetização devia sofrer muito com isso). Não gosto de ruas com nome de pessoas, prefiro nomes mais criativos.
Esta Vila Maria de que falo, com a Praça Santo Eduardo ao centro, era a artéria principal, o cartão de visita pós-Tietê, para quem se dirigia à Vila Conceição, Jaçanã, Parque Novo Mundo etc. É claro que havia muitos outros caminhos, mas era o mais gostoso,embora, talvez, não fosse o mais prático, como não é hoje.
Se eu fosse fazer um mapa dos pontos que me trazem saudade em São Paulo, traçaria esse mapa a partir de rua Catumbi, cruzaria a ponte da Vila Maria (rebatizada com outro nome, mas o nome original é que está no coração do povo), seguiria a Guilherme Cotching até a candelária. À esquerda, a Sociedade Paulista de Trote; à direita, aquelas ruas todas que desembocam na Dutra. O campo da FRUM.
Avenida Conceição; das Cerejeiras; Cosmorama; Praça da Alegria; Roland Garros; Luiz Stamat.
Aí, alguém me diria, mas este mapa existe; estas ruas estão lá. Porque não as visita?
E eu responderia: Estão mas não estão; são mas não são, ou eu que já não sou?
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Publicado em 05/02/2012 nasci na vila maria 1952,tenho tanta saudades de tudo e de todos,fui aluna do Rubian,estudava no cespeoc,e eu e outros alunos precisavamos estudar a noite e conseguimos transformar a escola vila maria em extenção do Paulo Egidio.,fui aluna de matemática do professor Costa guedes, nossa minha cabeça é um livro muitas lembranças,os bailes no Ocion,as festas juninas no Paulo Egidio,as escuderias a turma da gavea minha querida amiga Nadir,rua Samurais e Edson de mello,assisti as transfomação da vila, a Guilherme Cothing se transformar em duas avenidas,e um lindo filme que passa pela minha cabeça, meu pai me levava para ver os comicios do janio eu vivia nos shous do silvio santos a caravana do peru conversava tanto com ele e posso afirmar que ele é mesmo muito atencioso eu vivia fazendo perguntas e ele me respondia paciêntemente, se alguem falar de cavaleiro e gentil o primeiro nome é o dele,lembro muito do padre eloy conversava muito com ele tbém eu fazia parte do mojic movimento jovem da igreja catolica,que nem diz meu amigo Roberto Carlos são tantas as emoções. Enviado por mirian sotello - [email protected]
Publicado em 04/02/2012 adoro a vila maria, mudei para o interior onde moro hoje, mas a vila maria é meu xodó, morava na rua vianópolis, e conheço todas as ruas que você citou, Enviado por maria aparecida - [email protected]
Publicado em 27/01/2012 Ai que saudades da aurora da minha vida, da minha infancia querida que os anos não trazem mais,é assim que me sinto em relação a Vila Maria,nasci no jardim japão no ano de 1974 e morei la ate meus 12 anos,na rua padre saboia de medeiros 1870 se nao me engano e sinto tanta falta de lá, estudei no Dom Pedro I que fica atras do tomaz amazoni e cabulava aula pra ficar no clube rs minha madrinha ainda mora ali e tinha varios amigos de infancia,a Sandra e sua irma gloria,a cristiane e varios outros. Enviado por Liliane Cruz - [email protected]
Publicado em 27/01/2012 Amo vila Maria,,,nasci cresci e casei,,,Igreja Santa zita Enviado por Vera lucia santos - [email protected]
Publicado em 12/01/2012 Frequentava a pop em 83,84,85...fiz vários amigos mas não tenho contato com mais niguém.Tinha um namoradinho chamado Edu, que saudades bons tempos.
Estudei na Imperatriz leopoldina e no Paulo egidio
se alguém lemvrar de mim estou no facebook como fc consultoria saudades bjus a todos
Enviado por Fábia cristina - [email protected]
Publicado em 12/01/2012 Grande Luiz, parabéns pelo texto. Fui criado na Vl. Maria e hoje moro em Curitiba. Estudei no Imperatriz e no ainda Colégio 9 de Julho, fui muito na POP Corn, Saint Louis, Domingueiras da ADPM, foi a melhor fase da minha vida sem compromisso com nada nem com ninguém. Enviado por Kico - [email protected]
Publicado em 02/01/2012 e que havia um jovem que estudava com migo que eu gostei e nunca esque hoje com 53 anos eu lembro dela Enviado por josé salim lasmar - [email protected]
Publicado em 26/12/2011 Morei na V Maria Baixa entre 1958 a 1962. Era na esquina da Araritaguaba (ainda de paralelepípedo)com a Eunice (esta não era asfaltada), atual pref.Milton Improta (alguem sabe se este sr governou nossa cidade?). A feira na Araritaguaba aos sábados era enorme, sortida e movimentadíssima!). Estudei no João Vieira de Almeida (prof Da Otília)onde conheci leite de soja (argh!!!!) que acho era ensaio de futura comercialização. Ia a pé para casa e experimentei o Galak, recem lançado! Enviado por Ezio Okamura - [email protected]
Publicado em 22/12/2011 nasci neste bairro e hoje moro na mooca mas meu coração ficou lá e dela não quero que ele saia.Se existe reencarnação existe, é para lá que eu vou voltar. Enviado por fernando teixeira da silva - [email protected]
Publicado em 20/12/2011 Acho que o autor deste belo texto nem deve aparecer com tanta frequência aqui, afinal já fazem 5 anos que foi publicado, mas vale deixar mais um parabéns por essa bela reminiscência aqui publicada.

Mas como não sou afeito à nostalgias, vou me dar o direito de ir na contra mão de quase todos posta que eu li, com exceção da [email protected] que também não se deixou levar por um saudosismo que nos cega e que tinge de cores belas o que não é tão belo assim.

Fui para o bairro da Vila Maria com 1 ano de idade, depois dos meus pais saírem do Tatuapé (de onde acho que não deveriam ter saído haja visto o desenvolvimento de um e do outro lugar). Minha mãe contava,(ela já é falecida) que chorava quase todos os dias pois o conjunto habitacional que eles foram morar, ao lado de uma lagoa onde hoje é o hipermercado Carrefour, era rodeado de brejos infestados de sapos que ela morria de medo.

Os brejos eu não tenho lembrança mas os sapos, enormes, moravam em quase todos os jardins das casas. Vila Maria e Guilherme, para quem não era de origem portuguesa ou italiana, era na verdade um bairro- dormitório a exemplo da Vila Maria Zélia, quase um gueto, que deveria ter sido tombado pelo Patrimônio Histórico com sua aparência assustadoramente semelhante ao Gueto de Varsóvia.

O bairro, usado como marketing pela figura bizarra de Jânio Quadros, nunca recebeu melhorias que toda uma população amontoada em cortiços e favelas (sim, eles existiam e eram vários) que era obrigada a conviver com problemas sérios de esgoto e saneamento básico.

A tal lagoa de grandes proporções, que depois foi aterrada, era um local, pro exemplo,que nem sequer se imaginava que deveria ter sua água tratada e que deveria ser causa de inúmeras doenças dada a concentração de mosquitos que lá habitavam.

Mesmo com ares interioranos, tão bem descritos no texto acima, VM já mostrava sinais (nas décadas de 60 e 70) dos problemas que eclodiram na década seguinte. Com um mínimo de infra-estrutura urbanística o bairro "empurrou" para os bairros localizado nos morros a população mais pobre levando junto o tráfico de drogas e a bandidagem que, tempos depois, ganhou manchetes e transformou nomes como Jardim Brasil, Vila Sabrina e Parque Edu Chaves em lugares famosos não pela paz e tranquilidade.

Já próximo à rodovia Dutra, do lado leste do bairro, proliferaram favelas gigantescas que eram tratadas como "outro bairro" e que não deveriam ser consideradas como fazendo parte da Vila Maria. Ironicamente chamado de "Parque Novo Mundo".

Já na Vila Maria baixa, propriamente dita, uma sutil discriminação determinava quem era quem no bairro. Os que frequentavam o clube particular ou os que só podiam estar nos "campinhos". Os que estudavam no Colégio Sion ou Nove de Julho ou os que iam para as escolas estaduais. Os que casavam fora do bairro ou na simplória igreja da Candelária.

Provavelmente poucos saibam mas, nos anos 70, toda uma geração de músicos, artistas e estudantes criararm uma resistência cultural muito atuante nos bairros periféricos já que no próprio bairro imperava uma alienação bem ao gosto da classe média que ali reinava (os tais bailinhos e as tais discotecas da avenida principal). Com apoio do PCB, Partido Comunista do Brasil, várias atividades culturais eram realizadas na EEPSG Paulo Egydio como forma de divulgar e promover uma resistência pacífica à ditadura.

Tanto que o DOPS, órgão de repressão da época, mantinha professores-informantes instruídos a passar relatórios destas atividades subversivas como forma de identificar lideranças.

Essa Vila Maria real, "underground" e reflexo das contradições do seu tempo, não faz parte das memórias da maioria.

Mas ela existiu e tem sua memória também.
Enviado por Luiz Claudio Lins - [email protected]