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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Vila Zelina de cabelos loiros e olhos azuis Autor(a): Antonio Viotto Netto - Conheça esse autor
História publicada em 27/05/2009
Em São Paulo chegaram mais de 2,5 milhões de imigrantes, compondo um mosaico de mais de 70 nacionalidades. 80% dos imigrantes se estabeleceram em São Paulo entre 1827 e 1939.

Os imigrantes lituanos, russos, dentre tantas nacionalidades, deixaram suas terras natal diante das mazelas provocadas pela 1a. Guerra Mundial e também pela revolução bolchevique de 1917, na Rússia, que se espalhou por todo leste europeu.

E assim, partiram em busca de realização do sonho de melhores condições de vida e trazendo no coração esperança de dias melhores para suas famílias.

Diziam que no Brasil "o dinheiro dava em árvores como se fossem frutos", e assim, na esperança de encontrar o que não conseguiam nos seus países, lançaram-se ao mar em navios precários que levavam mais de 40 dias para chegar à terra sonhada. Nessa viagem muitas crianças não sobreviveram à travessia e morreram, sendo sepultadas no mar.

Aqui chegando, no porto de Santos, subiram a Serra do Mar pela estrada de ferro Santos-Jundiaí, hospedando-se na hospedagem da imigrante da Mooca. O plano adotado para o loteamento foi o de uma espinha de peixe, sendo a Avenida Zelina a espinha de onde partiam as travessas em ângulo de 45o. graus, com o objetivo de diminuir as rampas das ruas. A praça passou a ter um pólo de irradiação, onde foi construída a Igreja, em cinco lotes doados pela Soc. de Terrenos V. Zelina.

Assim, na década de 20 do século XX, vieram os imigrantes lituanos e russos que compraram os terrenos e construíram suas casas no loteamento; instalaram comércios - vendas de secos e molhados, lojas, padaria onde faziam o famoso pão preto, uma contribuição desses povos para a gastronomia paulistana.

Os lituanos construíram a Igreja católica no largo de V. Zelina, e os russos a Igreja ortodoxa Vila Bela e também a Igreja Boas Novas foi edificada. Vila Zelina não tinha nenhuma infraestrutura, apenas energia elétrica; ruas de terra batida, sem água encanada e rede de esgotos.

Então, os imigrantes que se estabeleceram na V. Zelina, descobriram que o decantado paraíso que ouviram falar não era verdade... precisava ser construído o sonho.

Diante dessa realidade, com tenacidade, resolveram abrir trilhas nunca antes percorridas, e esse era o desafio que exigiu deles muita perseverança, coragem, voltadas para enfrentar as tarefas da união entre os homens. Tarefas que exigiam o emprego do pensamento e do talento, sobretudo de toda a mente e todo o coração humano.

Aos olhos dos imigrantes, Vila Zelina era cheia de encantos e magia... Diria que aqui, neste solo sagrado, a esperança aportou, fincou raízes, sua semente germinou, a árvore da esperança floresceu, seus frutos fartaram aqueles que acreditavam num futuro melhor, à sua sombra dessa árvore frondosa que é Vila Zelina... Aqui muitos tiveram alegrias, sofrimentos foram aplacados e muitos construíram anonimamente a grandeza deste bairro, cujos campos altos, antes dos tupi-guaranis; dos bandeirantes; depois dos imigrantes lituanos, russos, italianos, portugueses, espanhóis, alemães, japoneses, libaneses, judeus, sírios e tantas outras nacionalidades que, seduzidos pela efervescência do trabalho, construíram rapidamente a maior cidade abaixo da linha do equador, construídas por diversas etnias, por diversas raças por diversos povos.

Diz o escritor Otávio Paz que: "A memória é a mais alta forma de imaginação humana, e não, tão somente, a capacidade de recordar. Se a memória se dissolve, o homem se dissolve."

Assim, esta festa de aniversário do bairro da Vila Zelina é uma maneira de fortalecimento da memória dos antepassados, que lutaram com bravura dentro das precárias condições humanas, que lhes foi oferecido pelo Criador aos imigrantes, e para que os jovens tenham referência da grandeza daqueles que ajudaram a construir um bairro como Vila Zelina.

Essa vila, esse povoado, esse bairro de Vila Zelina, essa gigantesca cidade de São Paulo, é uma demonstração da vitória do espírito humano.

Viva... Vila Zelina e sua gente.


Texto elaborado com as memórias ouvidas durante as reuniões da comissão organizadora da Festa de Vila Zelina, por Antônio Viotto Netto, filho do bairro.

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Publicado em 13/01/2011 minha avó veio da Lituânia,o nome dela era Maria Yevanoskaine,nunca conheci nenhum parente dela ,a mãe que se chamava Magda morreu cedo e não tinha pai,o pai ficou na guerra,mas sempre ouço falar na vila zelina,mas não conheço....
fiquei muito curiosa para conhecer,pois falam muito que tem comidas tipícas da Lituânia por ai,então pretendo conferir.......abraços a todos
Enviado por vera lucia - [email protected]
Publicado em 18/09/2010 fui criada na vila zelina, na rua rio do peixe, morava na casa da minha tia Ana Butrimavicius e meu tio Genaro Funicelli, junto com meus primos João Alberto, José Carlos, Lurdinha e Luiz Gustavo, minha mãe morreu em 1956, então morei com meus tios, estudei no Colégio São Miguel Arcanjo. Como era bom o nosso tempo de criança,as missas na Igreja S.José, suas procissões na páscoa, o coral lituano que encantava todos.O cine Zelina, o adoravel pão preto, que saudades... Enviado por marilene aleksandravicius de carvalho - [email protected]
Publicado em 31/08/2010 Que-bom-saber-algo-sobre-meus-parentes-estou-radiante-em-saber-que-voces-fazem-parte-da-Familia-Lipky.Abraços.....M.Lucia.Que-Deus-proteja-todos-da-família-Lipky,e-os-outros-descendentes-de-imigrantes-que-tanto-lutaram-e-sofreram-para-desbravar-essas-Terras-Brasileiras. Enviado por Maria-Lucia-Slobodianiuk - [email protected]
Publicado em 06/08/2010 Sou-parente-dos-Lipsky-por-gentileza-gostaria-de-conhecelo-los-pois-tenho-parentes-no-Rio-Grande-do-Sul-mas-nao-tenho-o-endereço..Entrem-em-contato-pelo-meu-email...Obrigado. Enviado por Maria-Lucia-Slobodianiuk - [email protected]
Publicado em 13/12/2009 muito boa esta historia pena que soube depois de 18 anos de onde vim Enviado por pedro luis rakauskas - [email protected]
Publicado em 28/10/2009 Morei perto do Largo de Vila Zelina, ali, onde é hoje o Unibanco, do lado direito era vizinho do bar/restaurante do Raimundo/Clarisse Weiderpass e do lado esquerdo, com a casa de Alfredo/Bruna Lipsky e de seus filhos Haroldo, Henrique e Betinha, casa essa não mais existente e também fazendo parte do mesmo Unibanco... que o tempo levou mas deixou um legado onde quer que estejamos: lembranças. E o pão preto da padaria do lituano Kusma? Hoje é feito ainda numa padaria da praça. Enviado por Guilherme Eduardo Neumas - [email protected]
Publicado em 29/06/2009 Parabéns, Viotto, este é o caminho que a Amoviza tem no seu projeto para tematização do Bairro de Vila Zelina como Bairro do leste Europeu.
Contamos sempre com a sua colaboração.

Abraços


Demetrio Dimitrov Neto
Enviado por Demetrio Dimitrov - [email protected]
Publicado em 12/06/2009 Sou filho e neto de imigrantes, tenho poucas informações dos meus antepassados, pois meu pai chegou ao Brasil em 1928, vindo da Rússia, meu avô era Lituano e minha avó Russa, meu pai e meu tio foram naturalizados brasileiros, meu avô, morreu ainda novo.
Meu tio chegou a se casar e teve dois filhos, mais também morreu novo.
Minha avó, justificando que tinha medo do governo Russo após guerra, cortou relações com todos, inclusive com uns primos que tinha em São Paulo, e, se desfez de todos os documentos que tinha inclusive os passaportes. Já tentei usando os nomes deles, para achar o nome do navio que vieram, também relação de imigrantes em vário lugares sem sucesso, tenho pouco material ou quase nenhum para investigar.
Se puderem me ajudar ou me ensinar um caminho para isso eu agradeço.
Avó:Anne Machulis
Avô: Brunius Machulis
Tio:Eduardo Machulis
Meu Pai:Bruno Machulis 83 anos
Eu Bruno Machulis Filho 56 anos
Um Abraço;

Bruno Machulis Filho
Enviado por Bruno - [email protected]
Publicado em 30/05/2009 Grande Vila Zelina eu tinha dois grandes amigos nesse bairro,irmãos,João Funicelli e Jose carlos Funicelli,filhos do Sr.Genaro.Joguei no time deles Noroeste da Vila Zelina.Abraços. Enviado por jose carlos passos - [email protected]
Publicado em 29/05/2009 Viotto, uma visão fugás mas consistente de quem realmente sente a emoção de ser descendente de desbravadores. Empolgante e sincero relato, parabéns, Antônio.
modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]