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Categoria - Outras histórias Adoro vocês Autor(a): Francisco Lemmi Filho - Conheça esse autor
História publicada em 25/03/2009

Várias vezes, aqui no São Paulo Minha Cidade, citei o nome "Nacional do Caxingui", clube varzeano pelo qual joguei de 1967 até 1972. A partir de 72, dediquei-me mais à namorada Rosangela e aos estudos, que havia parado em 1964. Portanto, faz mais de 35 anos que parei de frequentar o querido Nacional do Caxingui.

Alguma ou outra vez, esporadicamente, após 72, ameacei voltar, mas ficou só no ameaço. Eis que, apesar de adorar futebol, já tinha perdido o pique para jogar pós-72.

Pois bem, aconteceu que um filho de um ex-colega nosso do Caxingui leu mensagem minha aqui citando o nome do bairro Caxingui, e depois me enviou e-mail perguntando se por acaso eu não conhecia o pai dele. O fato é que o pai dele, cujo nome é Dori, organizou em 07/03 do ano corrente uma reunião em sua residência no Caxingui de ex-jogadores do Nacional, o pessoal dos anos 60/70/80, e eu estava presente.

Estou escrevendo agora e lhes garanto que continuo perplexo, boquiaberto com o que vi. Amigos meus que não via há 35 anos... Passei perto de uma meia dúzia sem reconhecer nenhum, momento em que o dono da festa/reunião, o Dori, me falava que aquele era sicrano, porquanto aquele era beltrano. E a cada revelação do Dori, eu ficava parado, pasmo, de boca aberta, pois estava vivendo uma experiência que jamais eu imaginei que um dia fosse viver.

Meu irmão que conta com 63 anos de idade hoje, portanto, quatro a mais do que eu, também me acompanhou e ficou tão perplexo quanto eu, no que diz respeito a o quanto as pessoas mudaram... Claro que todos mudam com o tempo, mas será que mudam o suficiente para não serem reconhecidas?

A mudança ocorrida em meus amigos foi implacável. Um deles mostrava sequelas de derrame, outro se apoiava em muletas, outro, segundo comentários, está com câncer, e o outro sofre de doença hormonal que quase o impossibilita de andar. Além da senilidade, muitos deles foram acometidos por doenças. Estas, mais o tempo implacável, lhes modificaram.

Finalmente, encontrei na tal reunião alguns amigos que ostentam apenas as marcas do tempo no rosto, estes são mais identificáveis do que os que estão doentes. O fato é que na missa do domingo, já no bairro do Ipiranga, a emoção se fez em mim, porque me entristeceu ver pessoas que fizeram parte de minha infância, juventude, formação, estarem assim, tão judiadas.

Agradeço a Deus por ter vivido o que vivi no bairro do Caxingui, ao lado destes seres humanos maravilhosos que eu vi neste sábado, 07/03.

É como o Nelson Rodrigues dizia: A vida como ela é! Aquela reunião de boleiros, ocorrida na casa do Dori, lá no Caxingui, afinal, valeu a pena, afinal, adoro vocês.

e-mail do autor: [email protected]

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Publicado em 27/03/2009 FRANCISCO LEMI, QUANDO EU RELATEI NO MEU SITE,
( A VELHICE E FEIA) QUE EU FIQUEI ASSUSTADO COM O MEU AMIGO CABEÇÂO, MUITOS ACHARAM QUE EU FUI INJUSTO COM O RELATO. MAS E VERDADE NOS MUDAMOS MUITO.
MINHA ESPOSA DIZ OS AMIGOS, SÂO OS ESPELHOS DA VIDA.
Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
Publicado em 26/03/2009 Valeu Francisco, bela demonstração de sua sensibilidade e de valores humanos. Enviado por Clesio de Luca - [email protected]
Publicado em 26/03/2009 Prezado Francisco. Isso vem nos advertir que nessa vida tudo passa. Nada nos pertence de forma definitiva. A beleza, a juventude,a riqueza,os bens materiais, nossa capacidades físicas tudo passa. Na realidade somos nesse mundo apenas caseiros de um grande proprietário...Deus. E as vezes cuidamos muito mal dessa propriedade. Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
Publicado em 26/03/2009 Lemmi, o Capasso já escreveu aqui que "A velhice é feia" (que eu não concordo)o fato é que nós não percebemos a velhice em nós mesmos e só nos damos conta, quando aparecem as "artrites" e "cositas" mais...porém quando se encontra amigos de outrora, o impacto é sempre forte e nos pergutamos:"será que também envelhecí assim, ou êle estará doente ???" o importante, é não darmos importância e continuarmos"tocando A VIDA COMO ELA É" - Abraços - Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - [email protected]
Publicado em 26/03/2009 Lemmi, que feliz maneira de recordar os bons anos; apezar de alguns personagens sofrerem mais do que outros no passar dos anos, isso demonstra o corolário da vida na sua exposição. Parabéns, Francisco.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 26/03/2009 A propósito de futebol, mas não só, dizia o Fiori Gigliotti:- o tempo passa !!! Enviado por Luiz Simões - [email protected]
Publicado em 26/03/2009 Francisco, parabéns, recordar é viver é matar saudades,a vida sem isso que voce descreveu não tem sentido, eu guardo todos os nomes dos formandos do ginásio , colégio e faculdade e futebol, pretendo homenagea-los com uma história em breve, encontro com alguns as vezes, é muito bom, Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - [email protected]
Publicado em 26/03/2009 Realmente uma reunião para matar saudades. Acaba quase matando a gente de espanto.É vida com suas sequelas. As vezes eu penso que passamos pela vida. Mas na verdade e a vida que passou por nos. Enviado por Mario Lopomo - [email protected]
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