Leia as Histórias

Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Um pouco mais do Brás Autor(a): Durval Tirol - Conheça esse autor
História publicada em 29/12/2008
Lendo tantos textos maravilhosos sobre o nosso querido Brás da década de 50/60, me veio a enorme vontade de recordar um pouco dos felizes tempos de infância e juventude.

Nasci em janeiro de 1945 na Rua Carneiro Leão, 483, bem defronte à Rua Azevedo Junior, próximo da Rua Visconde de Parnaíba, isto é, na divisa do Brás com a Mooca, dois bairros que amo. Filho de um homem humilde, órfão de pai e que foi criado em orfanato, mas com minha avó espanhola morando próximo de nós, na Rua Mello Barreto, para onde me mudei aos treze anos de idade.

Por parte de mãe sou neto de italianos. Meu pai, vendedor ambulante, vendia panelas e utensílios de alumínio com um saco nas costas, que muitos do Brás devem conhecer… Ele comprava as panelas na loja de alumínios do Mariano, na Carneiro Leão, e criou cinco filhos: duas mulheres, que são as mais velhas, e três homens, dos quais sou o mais velho. Todos hoje casados, com famílias bem constituídas, frutos de exemplos de meus pais.

Bem, a minha infância foi maravilhosa, nascido dentro de casa, na Vila da Carneiro Leão, defronte a Azevedo Junior, nas mãos de uma parteira. Somente meu irmão mais novo (dez anos mais novo que eu) nasceu em maternidade.

Na Vila tive o meu primeiro grande amigo, Renê Palermo, cujo pai tinha uma marcenaria no fim da Rua Visconde, próximo do Belém. Depois, os amigos da rua, e seria difícil citar todos pelo nome, são muitos, e muitos deles, incluindo o Renê, amigos até hoje.

Fiz meu curso primário no Eduardo Carlos Pereira, na Rua da Mooca, pois ficava mais próximo de casa. Não consegui entrar no Firmino pelo exame de admissão que havia e fui fazer meu primeiro ano ginasial no Vera Cruz, da Rua Piratininga, que era pago. No segundo ano eu consegui me transferir para o Domingos Faustino Sarmiento, onde concluí o ginásio.

Na Carneiro Leão vivi a infância, e como me lembro dos jogos de futebol na rua, cujos gols eram os postes, um que ficava defronte a Rua Azevedo e o outro quase na curva da Carneiro, em frente ao Bar do Português, pai do Albino.

Brincávamos de mãe da rua, em que a gente tinha de atravessar a rua como um saci pererê, com um pé só, e o menino que estivesse selando, isto é, que estivesse no meio da rua, tinha de agarrar quem estava atravessando e colocar o outro pé no chão. Aí ia aumentando o número de pegadores até sobrar um só tentando atravessar.

Palha ou chumbo, em que um grupo ficava de quatro, um abraçando o outro nessa posição, pela cintura, e o outro grupo vinha correndo e pulava em cima (sentando-se), um por um até ficarem todos em cima. Aí diziam palha ou chumbo, e se gente falasse palha era porque estava fácil de aguentar o peso, mas balançando pra ver se derrubava algum de cima para inverter-se a posição na próxima rodada.

Frequentávamos o Parque Infantil Municipal Dom Pedro, onde jogávamos bola, nadávamos (eu não…) tomávamos lanche e ainda muitas vezes levamos leite para casa.

Mudei-me para a Mello Barreto. Fundamos o Leão do Brás, onde jogamos numa faixa etária dos 13/14 anos até 19/20 anos. Saudades também dos Melinhos, clube de futebol de salão.

Foram muitos anos nesse quadrilátero entre Rua da Figueira e Largo da Concórdia. Ficávamos ou na esquina da Piratininga com a Rangel Pestana (Pizzaria Chic), ou na esquina da Mello Barreto.

Grandes amizades, saudades dos bailinhos, caseiros, com Cuba libre (Coca e rum) ou Hi fi (Crush e Gin, salvo falha de memória) ao som de Ray Conniff, boleros, músicas italianas.

Saudades dos lindos bailes de formaturas, de smoking, gravata borboleta, das meninas com vestidos longos, do respeito ao tirá-las para dançar, ao som de orquestras como as de Zezinho, ou Luis Arruda Paes. Dos bailes no Esso, na 24 de maio, de onde voltávamos, às vezes, a pé, de madrugada, até a Mello Barreto.

O bom disso tudo é que muitos amigos do Brás e Mooca ainda mantenho e muito nos recordamos daqueles lindos tempos...

Abraços a todos.

e-mail do autor: [email protected] E-mail: [email protected]
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 13/01/2012 Caro Durval, acho que fomos comtemporâneos no Vera Cruz. Tivemos como colegas Elenice Crevelin, José Montes, Domingos Marziona, Ailton Pinto, Mauro Cimatti entre outros. Lembra-se de algum deles ?
Não poderia esquecer da lanchonete do sr. João.
Grande abraço
Enviado por João Plastina - [email protected]
Publicado em 12/10/2011 Tambem morei la de 60 a 68!! saudades!! Bailes de formatura no aeroporto, casa de Portugal, bailinhos na minha casa...Tinha 4 irmao ( Zezinho, Carmen e Carlos)e sempre estavamos em bailinhos.Saudades do Nelsinho( casou-se com a Wanderly), os irmaos italianos que moravam no unico predio da rua..do pessoal do mercadinho, da tinturaria, das vezes que chegavamos dos bailes e todos iamos tomar cafe da manha na minha casa..iamos buscar churros na rua Ana nery..da Maria Lucia, irma do Andre (dos mosca) Enviado por Maria Valentina - [email protected]
Publicado em 14/09/2010 voces vão querer saber que o grande momento do começo dos anos 60 chamava-se brasil bras clube clube que ficou na memoria de todos na esquina da carneiro leão com visconde de parnaiba saudade de todos um beijo estão todos comigo espiritualmente até hoje sergio magrão do brasil e do apea Enviado por sergio - [email protected]
Publicado em 08/06/2010 Eu morei no Brás, na Av. Rangel Pestana, 1326 - esquina com a Prof. Batista de Andrade, no prédio onde havia a Casas José Silva, bem próximo da Mello Barreto - de 1971 a 1979 e depois na Carneiro Leão de 1979 a 1982.
Estudei no Annie Frank ou Romão Puigari e depois no 30 de outubro, na Mello Barreto conheci uma banda de baile - Os Moscas - do André Baroni, alguém conheceu? Até a cantora Joelma da Jovem Guarda residiu nesta rua e conheci uma garota que era linda a Mirian Rodrigues.
Enviado por Carlos Rocha - [email protected]
Publicado em 23/01/2009 Grande Durval,

Talvez vc não lembre de mim, afinal são passados mais de trinta anos desde os tempos de Brás.
Eu sou o Aristides (Aristides Nicolau Abramides.
Vivemos a mesma época de ouro da Rua Mello Barreto, de tantas recordações e enorme saudade.
Eu era da turma dos menores, junto com seu irmão Rene(eu e ele estudamos na mesma classe da dona Conceição, do 1º ano primário, no G.E. Romão Puiggari).
Nossa turma "dos pequenos" tinha, entre tantos "pentelhos", o Toninho Martins (irmão do Zé Mello e do Ademir), o Kuni (Kunitaka Shibao) irmão do Mutsuo e do Tsuruki, todos da Tinturaria Nippon, lembra?
São muitas as histórias dessa época maravilhosa, não é? Época boa em que faziamos campeonatos de jogo de botão, que brincavamos na rua sem qualquer risco, que jogavamos futebol de poste, muitas vezes quebrando uma ou outra vidraça.
Época do grande Leão do Brás e da UPEB - União dos Pequenos Esportistas do Brás que, de certa forma, deram origem ao Melinhos.
No Melinhos eu fui uma espécie de secretário do "seô" Oronzo, com quem aprendi muitas lições de vida nas mesas do bar do Rascaglia e do Toninho.
Miguel, Zé Mello, Luciano Assumpção, Toto (Milton)e Durval, era um time praticamente imbativel na quadra do Periquitos do Bras ou do ARCA, trajando o celeste dos deuses da bola. Posso estar esquecendo alguém, me perdoe.
Voce lembra da sede do Melinhos na antiga gráfica? ficava no armazém embaixo do sobrado onde moravam os Harnik que, salvo engano, eram seus parentes.
Enquanto escrevo lembro de nomes, pessoas, momentos. Lembro da vendinha do "seô" Antonio Gallo, da quitanda do "seô" Jesus (pai do Sa Ramon), do Comendador, dos vizinhos da vila do fim da rua (sem saida), onde eu morava com minha mãe Guiomar, minhas irmãs Marilena e Guiomarzinha e minha querida avó Otilia.
Recordo os grandes amigos William, Toninho e Teleco Gallego, do Reginaldo e do Carlinhos Reis, do teu irmão Laerte, do Savério Mastrochiricco, do Walter Assumpção.
Saudade dos Moscas, da casa de ensaios, dos bailes, do André Baroni, do Vitinho, do João Carlos, do Cafuringa. Dos Montone, Carlos e Fortunato, dos Gomes, Nelson, Wilson e do saudoso Joãozinho,
dos Falanga, dos italianos Gigi e Carmine de Cesare, da Riri, do Jácomo, do teu primo Rodimir. dos Avena, do Edson e do Nilo - grande craque da bola - e de tantos outros amigos e amigas
que me escapam os nomes mas permanecem na lembrança.
Tinhamos idades diferentes, modos de vida diferentes, moravamos diferente, mas mesmo assim éramos uma grande e maravilhosa familia.
Lamentavelmente o tempo passou e cada um de nós, cada amigo, foi enveredando por caminhos diferentes, menos ou mais distantes. Alguns tristemente não estão mais entre nós
deixando saudade e vazio.
Permita-me te chamar de velho amigo e agradecer por seu relato, que me fez voltar no tempo e criar um belissimo mosaico de imagens e emoções.

Um grande e fraternal abraço. Saúde e Paz.

Aristides.
Enviado por Aristides Nicolau Abramides - [email protected]
Publicado em 10/01/2009 Durval,que lindas recordações, adorei parabens.

Lembro-me da loja do Mariano onde vendia aluminio e louças, a loja ficava em frete onde eu morava, lembro de um Sr, que vendia aluminio pela redondeza, diz minha irmã, que o Mariano tambem era motorista de taxi, e era o unico da redondeza. Quando eu estava com 15 anos minha mãe comprou para mim um lindo jogo de porcelana real, azul com filetes dourados na loja do Mariano, antigamente quando as mocinhas começavam namorar as mães já começavam a fazer o enxoval das filhas , e até esse lindo jogo de porcelana eu tinha , hoje o tenho só para decorar minha cristaleira, pois para mim tornou-se uma reliquia.
Voce relembra os bailinhos, que saudades... nos quintais, nas garagens das casas , dançavamos os lindos boleros, orquestra de Ray-Conniff, enfim tudo de nossa época, coisas lindas , simples que nos deixou inesqueciveis recordações.
Durval , quantas coisas maravilhosas que todos nós guardamos em nossas memorias, parabens pelo seu texto,adorei,um abraço a voce e a todos. Pilar.
Enviado por Pilar Fernandes - [email protected]
Publicado em 05/01/2009 Sabe o que vc. fez, Durval? simplesmente filmou cenas dessa época (1950) guardou os diapositivos e de repente... expõs a todos nós, um belíssimo quadro animado onde assistimos, encantados, treichos de nossa juventude, com nitidês perfeita, mesmo sem o colorido falso cinematográfico, num B\P realista, estigmatizando a foto, com animação e sem som pois, a explosão de realismo que vc. armou, basta pra que fiquemos, todos, chorando lágrimas de saudade de um verdadeiro tempo de nostalgia incomensurável. Meus parabens, Durval, depois de mais um "reveion", estamos, novamente em campo.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 02/01/2009 Só quem viveu tudo isto pode entender, eu o irmão mais novo com 10 anos á menos, vivia um pouco de tudo acompanhando os jogos do Leão do Bras ou do Melinhos onde torcia principalmente para meus irmãos, o Durval foi um ponta esquerda de uma habilidade, velocidade, e chute.. hoje sempre falo para os meus filhos que ele jogaria em qualquer time grande no Brasil, além dele o Leão tinha um goleiro chamado Miguel também fantastico, além do "tôto" que jogou profissionalmente em varios clubes do Brasil e foi jogar no exterior, O Durval além de irmão, de um grande jogador de futebol, foi sempre meu exemplo como pessoa , sempre busquei nele que erá o orgulho do meu pai, para me espelhar para ser uma pessoa de bem... e sobre tudo que escreveu me fez lembrar-me de tantas situações maravilhosas que sempre fez, como em um Natal um poema para nossa mãe que estava muito doente na época que fez que todos nós chorassemos de emoção... enfim tivemos pais maravilhosos e hoje temos a certeza do amor que todos os cinco irmãos tem um pelo outro... lindo o que escrevel Durval... Enviado por Rene Tirol - [email protected]
Publicado em 02/01/2009 Só quem viveu tudo isto pode entender, eu o irmão mais novo com 10 anos á menos, vivia um pouco de tudo acompanhando os jogos do Leão do Bras ou do Melinhos onde torcia principalmente para meus irmãos, o Durval foi um ponta esquerda de uma habilidade, velocidade, e chute muito forte.. hoje sempre falo para os meus filhos que ele jogaria em qualquer time grande no Brasil, além dele o Leão tinha um goleiro chamado Miguel também fantastico, além do "tôto" que jogou profissionalmente em varios clubes do Brasil e foi jogar no exterior, O Durval além de irmão, de um grande jogador de futebol, foi sempre meu exemplo como pessoa , sempre busquei nele que erá o orgulho do meu pai, para me espelhar para ser uma pessoa de bem... e sobre tudo que escreveu me fez lembrar de tantas situações maravilhosas que sempre fez, como em um Natal um poema para nossa mãe que estava muito doente na época que fez que todos nós chorassemos de emoção... enfim tivemos pais maravilhosos e hoje temos a certeza do amor que todos os cinco irmãos tem um pelo outro... lindo o que escrevel Durval... Enviado por Rene Tirol - [email protected]
Publicado em 31/12/2008 Belo! Durval, sinceramente a gente é Bem Feliz e nem percebia, as coisa eram mais naturais, a vida era mais simples, naquele tempo o Braz era um reino e nos todos eramos Reis.
Parabens
Enviado por FORTUNATO MONTONE - [email protected]
« Anterior 1 2 Próxima »