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Categoria - Outras histórias Notícias Populares na Versão do Ligeirinho Autor(a): Arlindo-Ligeirinho-Ribeiro - Conheça esse autor
História publicada em 24/09/2008

Lendo a narrativa (e que narrativa!) do José Luiz Batista da Fonseca sobre o saudoso jornal Notícias Populares, que popularmente era conhecida por "NP", me veio à memória alguns fatos relacionados direta ou indiretamente a esse tão criticado jornal paulistano. Eu só não me lembro o nome do seu diretor. Talvez o Mário Lopomo saiba. Mas foi ele quem deu aquele impulso, fazendo de Notícias Populares o jornal mais vendido nas bancas da cidade.

Aliás, esse diretor era para o NP o que foi o Miranda Rosa para o também saudoso Diário Popular, que chegou ser considerado o "Rei das Bancas". Tinha uma excelente cobertura esportiva e uma ótima na polícia como carros-chefes. Também tenho lembrança do "Popular da Tarde", mas deixemos para outra ocasião porque o assunto é outro.

Tinha tanta gente metida a bacana que dizia aos quatro cantos que não lia Notícias Populares, porque era um jornal que, se espremesse, saía sangue. Mas no banheiro sempre dava uma olhada. Aliás, esse estilo de jornal é feito nas principais capitais do mundo. Não sei por que em São Paulo não vingou. Era um jornal dedicado ao povão. Fácil de ler, com muitas ilustrações (fotos).

Eu era Assessor de Imprensa da prefeitura de Diadema. Isso por volta de 1977. Quando chegava, já estavam na minha mesa todos os jornais diários de São Paulo e ABC. Eu aproveitava e recortava aquelas fotos de mulheres. Tenho muitas ainda guardadas. Naquela época, aquelas gatas chamavam a atenção do leitor, o que provocava aumento de vendas.

Eu até cheguei a escrever matérias para o NP. Também mantenho guardadas todas que foram publicadas, muitas delas com aquelas manchetes "garrafais". Em 1975, quando trabalhava na Agência Folhas, passei a escrever "crônicas", tendo, como pano de fundo, ocorrências policiais. Não ganhava nada, mas a repercussão era tamanha que recebia tantas cartas de elogios e também de sugestões.

O Notícias Populares tinha o Geraldo Bernardes, colunista social. Quando era Assessor de Imprensa da prefeitura de Diadema, enviava-lhe matérias e todas eram aproveitadas. Ele até abria um espaço: "Ligeirinho conta as sociais de Diadema". Certa vez, Geraldo Bernardes resolveu lançar uma promoção para escolher as principais personalidades do ano em todo o Estado de São Paulo. Eu apresentei as de Diadema. E também fui distinguido com o destaque do ano como colunista social.

A festa foi numa discoteca (Papadoc, que ficava numa travessa da Avenida Paulista). Bernardes reuniu lá a chamada nata da sociedade de diversas cidades paulistas e também da capital, além de personalidades da televisão, como Carlos Zara e Eva Vilma, dentre tantos. Foi uma festa super badalada.

Notícias Populares tinha por hábito levantar matérias polêmicas e sensacionalistas. Uma vez dedicou semanas sobre o "Bebê Diabo". Seria notícias de um bebê com chifre que teria nascido no Hospital São Bernardo do Campo. Eu ainda estava trabalhando no Diário do Grande ABC como repórter policial. Numa manhã, eu conversei no hospital com os diretores e os médicos que atenderam a criança e eles esclareceram que não tinha nada de chifre, e sim uma pequena saliência na cabeça, fato normal, segundo ele, mas que com o tempo desapareceria. E NP aproveitou para fazer todo aquele escândalo.

Outro tema levantado por NP foi sobre a "Loira Fantasma". Esse deu o que falar. Todo dia tinha uma matéria informando que fulano de tal tinha visto a loira. Segundo as matérias, era uma "loira" que, num determinado momento, em conversa com seu acompanhante, começava a soltar espuma pela boca e depois desaparecia misteriosamente.

Certa vez, o repórter Roberto Moschela estava todo radiante, alegando ter matéria bombástica dando conta de que um homem tinha visto a "loira fantasma", e a Polícia Militar registrado o fato. A ocorrência fora registrada no 1º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Como eu fazia matérias policiais para o Diário do Grande ABC, realmente vi essa ocorrência, mas, logo a seguir, tinha outro BO (Boletim de Ocorrência) que o Moschela não viu, ou deixou de lado propositalmente. Nesse outro, uma loira, funcionária de uma farmácia da Rua Marechal Deodoro, esclarecia tudo.

Resumindo: ela saíra depois das 22h da farmácia onde trabalhava como balconista. Ficou num ponto aguardando seu ônibus. Nisso, aparece um cara que lhe oferece carona. Ela aceita. Quando estavam próximos da casa dela, lá pelas quebradas, o rapaz pára o carro e fica conversando com ela. Mas quando vem a aproximação de uma viatura policial, ela, com medo, abre a porta e dá no pé. Os policiais militares chegam e abordam o cidadão que, olhando para seu carro, não vê mais a mulher e diz, branco e assustado, que ele acabara de transportar a "Loira Fantasma". Foi feito ocorrência porque, na época, os policiais também apareciam no jornal.

De um modo geral, sinto muito que o Grupo Folhas tenha acabado com o NP. Era um jornal que não dava prejuízo. Só com a venda avulsa pagava-se o custo. Aliás, não foi só Notícias Populares que foi para o espaço. Também o Última Hora e até as A Gazeta (Gazetinha) e A Gazeta Esportiva. Só a família Frias de Oliveira pode saber das razões de se ter acabado com esses jornais.

Tenho tanta coisa mais para escrever sobre jornalismo em São Paulo. Fico por aqui. Numa outra procurarei narrar fatos relacionados ao Diário Popular, Última Hora, Popular da Tarde, Diário de São Paulo e Diário da Noite.

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Publicado em 25/10/2009 Trabalhei no NP de 1976 a 1980 sob a direção de Ibrahim Rmadam, fui diagramador e tive o privilégio de diagramar vários suplementos e colunas de Geraldo Bernardes de quem tenho muitas saudades.
Grande abraço.
Enviado por José Maria P. Araújo - [email protected]
Publicado em 06/05/2009 Arlindo,fique muito emocionado, ao ler sua matéria sobre o NP e principalmente sobre Meu Pai O COLUNISTA SOCIAL GERALDO BERNARDES, que como minha própria tia DRª.MARIA DO CARMO A. BERNARDES comentou,ele fez grandes nomes que hoje são famosos,por isso estou reunindo tudo que é material e homenagens sobre meu pai, como por ex: programas do velho guerreiro (chacrinha) onde meu pai participava como jurado,almoço com as estrelas onde tinham sempre sua participação e tantos outro que estão na história Enviado por Marcelo Bernardes - [email protected]
Publicado em 06/05/2009 continuação: que fez ao longo dos anos na imprensa escrita, falada, e televisiva onde recebeu grandes títulos como de comendador e destaques na área jornalística. Gostaria se possível também quem tiver qualquer material sobre meu pai que possa me enviar. Muito obrigado e um grande abraço a todos. Enviado por Marcelo Bernardes - [email protected]
Publicado em 19/04/2009 Arlindo, você não pode imaginar o orgulho e a emoção ao ler sua matéria sobre o NP, e principalmente ver o nome de meu irmão Geraldo Bernardes .Com muito orgulho, foi para mim, e para muitos que ele promoveu nàquela ocasião um grande colunista e divulgador de nomes, hoje famosos, e que nunca, com sua exceção disseram ou publicaram seu nome. Agradeço sensibilizada à homenagem prestada mencionanco o nome de me irmão no seu comentário.Deixo-lhe meu abraço afetuoso. Enviado por maria do carmo - [email protected]
Publicado em 10/04/2009 cara, vc me fez recordar tantas coisas.muito bom, gostei de mais.hj resido no norte do parana, sou radialista. nesta epoca que vc sitou, me recordo que no bairro em que eu morava, vila maria,regiao norte de sampa, o povão, acompanhava os acontecimentos do mundo do crime, tudo, atravez do NP, que saudades. Enviado por chagas balbino - [email protected]
Publicado em 25/09/2008 Em primeiro lugar, solicito a todos os colaboradores e leitores do site SPMC que desconsiderem os comentários de minha autoria feitos no dia 24\9, pra esse texto e reproduzidos abaixo. Já me desculpei com o Arlindo que teve o gesto magnânimo de me mandar uma mensagem a respeito.
Arlindo, seu texto muito bem detalhado, com informações interessantes sobre jornais que fizeram histórias na imprensa paulistana, curiosidades que só quem atuou nos bastidores das redações tem acesso as mesmas. Parabens.
laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 25/09/2008 Ligeirinho. Seus textos sobre jornalismo, são bastante elucidativos. Mas não concordo com uma coisa que você escreveu. De que o jornal Noticias Populares não vingou em São Paulo. O, NP era até 1963, o jornal, A HORA, apenas de forma diferente, A HORA era de formato (tamanho menor) Mas tinha as mesmas características do NP. A HORA também era chamado de jornal que saia sangue quando espremido. Penso que o grupo Folhas, deve ter incorporado aquele jornal tipo “nanico” . O, Octavio Frias grande empreendedor dava sempre uma dimensão de grandeza ao grupo em que trabalhava, e presidia. Ele que tinha como parceiro o Carlos Caldeira, outro grande empreendedor. A partir de 1963 o, NP foi muito bem aceito na praça, mas lido pela classe mais pobre, em termos financeiros, que ia da periferia para o centro quase todos com um exemplar na mão.E desde 1963 o, NP, foi até os anos 2000, sendo substituído, ou apenas trocado de nome pelo jornal, ou Agora SP, do mesmo grupo. Quando o IVC mostrava o percentual de vendas nas bancas o primeiro era o NP, caso não viesse a publico, ai a coisa era outra. Talvez preconceito. Agora em termos de jornal, revolucionário, este foi o jornal Ultima Hora. Que deu outra dimensão a imprensa gráfica isto em 1952. Sabe como nasceu o jornal Ultima Hora? Foi de uma conversa do jornalista, (Talvez o maior de todos) Samuel Wainner, numa conversa com o presidente Getulio Vargas. Presidente, disse ele: Os jornais convencionais não dão uma nota sobre o catete. No que Getulio retrucou: Então porque não fundas um jornal? Daí nasceu a Ultima Hora (motivo de uma CPI, pedida pelos deputados graças a denuncia de Carlos Lacerda. Em seis meses, a Ultima Hora, passou o Globo, Jornal do Brasil e os outros, como jornal diferente em diagramação, fotos nítidas, e colunistas de primeira grandeza. E o de maior vendagem. Graças ao gênio Samuél Wainner. Em 1953, São Paulo tambem passou a ter o jornal Ultima Hora, Suas oficinas e redação eram na avenida Prestes Maia a direita de quem vai a Santana, poucos metros depois do Anhangabau. Mas isso deixo para seu conhecimento de jornalismo, que é brilhante. Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 25/09/2008 Arlindo, quantas coisas tem pra nos contar, só quem trabalhou nesse ramo pode ter acesso a tantas noticias verdadeiras ou n. No caso da Loira Fantasma, acho que daí é que surgiu a Loira que aparecia nos banheiros das escolas...rsrsr. Enviado por margarida p peramezza - [email protected]
Publicado em 24/09/2008 Realmente quem não lera esses jornais por vc. mencionado,aliás como sempre gostei de esportes certa ocasião,quando trabalha na falecida Ind.Bic.Monark,corria com bicicletas tinha a minha Monark 10,mas sem treinador,alimentação adequada,etc.... foi só para fazer figuração e vontade de competir. Quando fui fazer a inscrição tiraram uma foto minha e colocaram na Gazeta Esportiva,foi aquela alegria para toda familia,aparecer no jornal era o maximo,só não me lembro o nome do grande fotografo que anos mais tarde vim a saber que era um grande amigo do meu sogro(lembro que era gordo,corria muito acredito que trabalhou anos na Gazeta Esportiva,pois sempre fazia esportes,era fácil ve-lo no Pacaembú,Parque Antartica,etc.e tal.
O jornal que mais"eu"lia era a Gazeta esportiva",vc. deve ter infinitas histórias.
Muito legal,aguardamos mais.
Um abraço.
Vilton Giglio
Enviado por vilton giglio - [email protected]
Publicado em 24/09/2008 Desde seu primeiro texto, fiz comentários sobre os mesmos, como faço com todos os colaboradores deste site. Me parece que meus textos não são do seu agrado, posição que aceito e respeito, visto estar que nunca te entusiasmaste em mandar uma linha, siquer, em todos os meus textos e vejo, também, que v. não deixa de mandar a todos os colaboradores, menos a mim. Em vista disso vou me abster de ler e comentar seu texto. Sei que não fará, a v. nenhuma diferença mas, a mim , sim.
laruccia
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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