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Categoria - Paisagens e lugares Paulista, Fascinante Paulista Autor(a): Arnaldo Martinez Capel - Conheça esse autor
História publicada em 18/09/2008
Aquela minha saída para mais um trabalho como office-boy prometia ser diferente. Era uma tarde ensolarada do outono de 1966. Embarquei num ônibus “Circular Avenidas”, da viação Santa Brígida que, por milagre, não estava lotado, e facilmente consegui um lugar junto a uma janela. Quase ao término da Avenida Angélica, o ônibus estava prestes a entrar naquela que, até então, eu só conhecia por meio de fotos que mexiam com minha curiosidade de adolescente: a Avenida Paulista. Finalmente, eu poderia ver e, quem sabe, sentir tudo o que eu já havia ouvido e visto em fotos.

O ônibus virou para a esquerda e lá estávamos naquela que foi, é e será sempre a jóia dos paulistanos. Como eu iria descer na Praça Osvaldo Cruz, pude percorrer a Paulista em toda sua extensão. Junto à janela, não desviei meu olhar um só momento da paisagem externa, e quem por ventura me observasse certamente acharia curioso o meu empenho em não deixar que nada escapasse ao meu olhar.

Palacetes suntuosos, de estilos diferentes, rodeados por imensos jardins ricamente arborizados, limitados por grades e portões decorados com requinte. Calçadas largas e regulares, a pista da avenida impecavelmente asfaltada. De repente, um espaço verde, charmoso, seguindo em elegância todo o conjunto no qual estava harmoniosamente encravado: o Trianon.

Edifícios, se bem me lembro, eram pouquíssimos. Destes, o que marcou presença no fim da década de 50 foi o imponente Conjunto Nacional, que se tornou, juntamente com o Clube Homs e o Trianon, um dos pontos de referência da avenida. Nos meus quinze anos, mas já com um profundo amor à cidade de São Paulo, aqueles momentos na Avenida Paulista me encheram de orgulho, porque eu sabia que, mais do que um simples passeio, eu estava passando em um logradouro de grande significado histórico para a sociedade paulistana, cuja grandeza estava traduzida em cada edificação.

Hoje, a Avenida Paulista tem outra aparência, e sua metamorfose acompanhou o crescimento da importância da cidade. As mansões foram, paulatinamente, dando lugar a edifícios sofisticadíssimos, que abrigam escritórios de grandes empresas, a shoppings centers, a galerias de arte. Tornou-se, pois, um centro comercial e financeiro, que se nivela em importância aos seus congêneres dos grandes paises.

Porém, mais do que mudar de aparência, a Avenida Paulista passou a ser o local eleito pelos próprios paulistanos para grandes manifestações culturais e sociais. A São Silvestre, a Parada do Orgulho Gay, os Reveillons; enfim, as grandes comemorações de massa têm lugar na Avenida Paulista.

A Avenida Paulista mudou muito. Mudou para melhor e continua fascinante. Como não amá-la? Como resistir a esse fascínio?

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Publicado em 31/12/2008 conheço av. paulista desde 1950, lindos casaroes, o salao de baile trianon, hoje predio do masp, bar fasano,etc. antes do conjunto nacional era a chacara do araçabino, joquei muito futebol na chacara. av. paulista mudou muito mas continua linda. Enviado por joao claudio capasso - [email protected]
Publicado em 21/09/2008 Uma década antes de você, eu fazia este trajeto de bonde, e quando este dobrava à esquerda no Hospital S. Jorge, abriam-se as cortinas do espetáculo da Paulista. Nesta, o que mais me fascinava era a pérgola do Pque. Siqueira Campos, com suas colunatas e as duas estátuas de ninfas nuas, de mármore, em guaritas neo-clássicas. Enviado por Luiz Simões - [email protected]
Publicado em 21/09/2008 Que lindo texto mostrando quão belo foi e é este nosso cartão postal que é a Avenida Paulista. N a conheci com os casarões de antigamente, apenas por fotos. No antes ou no depois, ela sempre me pareceu linda e majestosa e hoje encanta os meus olhos e faz bater meu coração. Parabéns por nos mostrar tão bem este retrato especial da cidade de São Paulo.Um abraço. Enviado por margarida p peramezza - [email protected]
Publicado em 19/09/2008 Eu me lembro das mansões da Paulista porque estudei no Rodrigues Alves e passava todo o dia por lá. Erm, de fato, lindas, imponentes e muito misteriosas. Sobrou a Casa das Rosas, que foi construida por um pai amoroso para sua filha, só não me lembro o nome da familia. A Casa das Rosas, para quem não conhece, fica ali no inicio da Paulista e é um casarão cinzento com torres e jardins magnificos. Enviado por Lygia - [email protected]
Publicado em 19/09/2008 A avenida Paulista é fascinante. O Trianon eu fui a primeira vez em 1954, não era nada diferente de hoje, foi talves o unico pedaço conservado, da mais paulista das avenidas. O Clube Homs que você citou palco de tantos e tantos bailes de formatura, reuniões das mais variadas, era um casarão de fazer inveja a qualqer barão do café. Ainda ontem passando por lá revivia o clube Homs na mente, e meu amigo se lebrou da enorme escadaria de marmore que tinha a entrada do casarão. Hoje o clube Homs é apenas um pedaço do predio que foi construido no terreno do casarão um predio sem formosura, de uma arquitetura arcaica, e mais, o clube Hons fica no sub solo. Quel final triste em gente... Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 18/09/2008 Eta relato paulistanófilo por excelência. Tudo bem contado, em poucas linhas um passeio emocionante. Capel, perca um pouco mais de tempo e conte-nos mais detalhes dessa que é "a nossa avenida". Mais velho que v., a conheci com todos os casarões, os bondes e a noite iamos a "caça" de domésticas dos palacetes. Depois das sete, lugar calmo, socegado, tranquilo e pacífico. Ótimo texto, Arnaldo.
laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
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