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Categoria - Outras histórias A Escada do Viaduto do Chá Autor(a): Glauco de Arruda Barlebem - Conheça esse autor
História publicada em 15/08/2008
Lá pelo início da década de sessenta, eu ainda um garoto - acreditem este quase cinqüentão que vos escreve já foi um garoto -, havia na Rua Direita uma loja de calçados chamada Eduardo. Na sobreloja funcionava um salão de cabeleireiro infantil, o Eduardinho.
Pois bem, minha mãe resolveu, um belo dia, me levar lá, na Rua Direita, para cortar o cabelo. Ela costumava me levar em um salão na Ponte Pequena, mesmo, o bairro onde morávamos. Porém, sei lá o motivo, daquela vez decidiu me levar ao centro da cidade, no tal Eduardinho.
E lá fomos nós: trolebus até o Vale do Anhangabaú, onde descemos. Só que a Rua Direita ficava em uma parte mais elevada da região, à altura do Viaduto do Chá, que passava por cima do Anhangabaú.
Pois bem, minha mãe descobriu uma escada, que ficava paralela ao viaduto e servia de acesso a quem, como nós, estava no vale e pretendia subir ao nível do Teatro Municipal, do Mappin e da Rua Direita. E lá fomos nós, pela bendita escada. Ela era estreita e além dos degraus e do corrimão, nada mais havia que pudesse conferir segurança aos usuários.
É isso aí: minha mãezinha descobriu a escada e eu descobri que tinha acrofobia, quer dizer, um verdadeiro pânico de lugares altos.
Conclusão: eu travei, assim que chegamos ao ponto médio da escada. Não subia nem descia. Congelei.
Depois de ter congestionado o trânsito na escada e de intermináveis vinte minutos de tentativas de minha mãe e de algumas outras pessoas de me convencer a sair daquele estado de congelamento físico e mental, alguém teve a brilhante idéia de chamar um policial da guarda civil (lembram do uniforme azul?), que com muita paciência, me pegou no colo e desceu a escadaria, de volta ao Vale do Anhangabaú, de onde, em minha opinião, nunca deveríamos ter saído.


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Publicado em 13/10/2010 há que saudade de ouvir historia como essa, pois eu tambem me lembro muito bem, dessa escada e da praça da sé ali eu ficava todos os dias engraxando sapatos de querm por ali passavam. Enviado por valdomiro pereira da silva - [email protected]
Publicado em 06/11/2009 Glauco, gostei da história. Só o seguinte: Vc não sabia da escada rolante na praça do Patriarca ? Foi a primeira escada rolante , pelo menos em SP. Eu tinha 16 anos em 1956, trabalhava na casa Beethoven. Hje com 69, fiquei fulo da vida quando a Marta modificou a cobertura. Por falar em barbeiro, eu levava o filho do patra, Waldemar Rossi para cortar cabelo no Mappin. Lembra dos Twin Coach aqueles ônibus super macios. Estações, Monções e outras linha circulares que não lembro Tinha a 29, penha Enviado por Erich Dieter Binder - [email protected]
Publicado em 08/11/2008 Dei muita risada. Desci muito aquela escada qdo mocinha e ia trabalhar na Casa Lemcke Enviado por darcy - [email protected]
Publicado em 02/09/2008 Espero que vc já tenha se curado. Mas, para uma criança a dimensão de altura é bem maior que para um adulto, até uma pessoa com estatura muito elevada pode assustar uma criança.Estou querendo me situar, pois vou aos mesmos locais, ou seja, as imediações do Mosteiro de São Bento, aquele viaduto Santa Ifigênia e parece-me que o local fica nessas proximidades. Como já estou cinquentona evitei subir umas escadas para sair no viaduto e acabei saindo em ruas totalmente diferentes, andando em círculos, isso agora, na Páscoa, depois que reconheci uma igreja, foi que notei o quanto havia girado.Abraços. Enviado por ana clara vinhas - [email protected]
Publicado em 30/08/2008 Caro Glauco, lembro-me bem dessa escada, utilizei-a muito quando do meu tempo de office-boy, nesse mesmo tempo em que aconteceu esse episodio com voce, tenho um pouco mais de tempo, ja fui um cinquentão, lembro-me de outra escada, bem pior do que essa, era aquela escadinha do viaduto Santa Efigenia, do Anhangabaú para o Largo São Bento, aquela também era terrível. abraço,Beira Enviado por José Camargo Beira - [email protected]
Publicado em 18/08/2008 Pra gente subir na vida, tem estes percalços, Barlebem e metaforizando seu relato, quando empacamos, sempre tem alguém que nos dá um "empurranzinho" ou, simplesmente, nos carrega no colo. Belo e sincero relato, Arruda. Parabens.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 17/08/2008 Oi Barlebem,Se fosse nos Dias atuais, vc não teria passado por esse travamento, pois agora aquelas escadas são rolantes, alias foi uma das primeiras que tive a oportunidade de caminhar, e veja como os prefeitos do passado eram maravilhosos. o Vão dos degraus eram estreitos porque o Grande Prefeito, O melhor que São Paulo já teve,(que o diga o Mário Lopomo), construiu tudo deixando espaço para que no futuro a prefeitura não perdesse tempo e dinheiro quebrando tudo para construir a escada rolante. Bons tempos políticos aqueles, onde se administrava para servir e não para se servir. Ah quase ia esquecendo seu Nome ENG° PRESTES MAIA . Enviado por Arthur Miranda - [email protected]
Publicado em 17/08/2008 Esse problema continua, Glauco, ou você melhorou, sarou? Tomara, claro, que tenha curado.
Loja de Calçados Eduardo, não sei se é a mesma, tinha uma que patrocinava o Circo do Arrelia, Casas Eduardo, programa que era apresentado aos domingos, pela TV Record, antes do futebol. Falava, também, uma música de propaganda, em Eduardinho. A música dizia: "As casas Eduardo, que calçam o papai e a mamãe, tem também para o filhinho o calçado Eduardinho". Seria a mesma?
Enviado por Pedro Luiz Boscato - [email protected]
Publicado em 16/08/2008 Se a escada que voce fala é aquela entre a Light e o Viaduto, eu quando trabalhei no
Mappin "cansei" de subir e descer por ela pois o onibus do meu bairro me deixava na rua Formosa e ela não tem nada de "estreita" e que segurança mais alem dos degraus e corrimão, pode uma escada dar ??? ACROFOBIA NO PONTO MEDIO DA ESCADA ???? (tava ruim heim!!! eu tambem tenho, mas de "uns 5 metros" não)... esta escada nos leva ao Teatro Municipal, ao antigo Mappin, mas a "rua Direita" ???? não seria a Xavier de Toledo ou a Barão de Itapetininga...?? para a rua Direita seria as escadarias da Galeria Prestes Maia... Altair Siqueira
Enviado por Altair Siqueira Macedo - [email protected]
Publicado em 16/08/2008 Quase cinquentão. Pois aproveite Glauco, a vida voa.Gostei de sua narração a respeito do nível da Rua Direita e as conseqüêntes localizações do centrão, nosso chão muito conhecido por sinal.
Meninão medroso você!
Enviado por Clesio de Luca - [email protected]
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