Leia as Histórias

Categoria - Paisagens e lugares A Casa do Tatuapé Autor(a): Ana Maria Lisbôa Mortari - Conheça esse autor
História publicada em 16/06/2008

Foi uma surpresa para mim o convite para conhecer a Casa do Tatuapé.
Não tinha ouvido falar dela até o ano passado, embora tenha sido inaugurada após restauro em 22 de janeiro de 1981. Assim, naquele domingo pela manhã me dirigi ao local, com certa expectativa.
Na altura do 3200 da Avenida Celso Garcia, entramos na Rua Igarassu e a seguir na Rua Guabiju, onde no nº. 49 encontramos, no meio de muitas residências, a casa colonial brasileira, muito bem conservada, conhecida como a Casa do Tatuapé.
Ela faz parte do chamado Museu da Cidade de São Paulo, formado por um conjunto de casas históricas, como a Casa do Grito, a Casa do Bandeirante, a Casa da Marquesa, o Sítio da Ressaca, o Sítio Morrinhos etc.
A casa está situada num dos mais antigos bairros de São Paulo, no Tatuapé – caminho ou barreiro do tatu em tupi-guarani - como já citei em outro texto, que pertencia à histórica Capitania de São Vicente de Martim Afonso de Souza, fundador do primeiro núcleo homônimo em 1532 e, mais tarde, em 1554, no planalto seria fundada a nossa São Paulo dos Campos de Piratininga...
Numa foto aérea do DPH, vê-se a casa atualmente situada num espremido lote no meio do casario local, mas, na época em que foi construída, segundo documentos que remontam a 1698, era propriedade do Padre Matheus Nunes Siqueira e segundo folders expostos no local, ali existiu uma capela, tudo em chão de terra batida, como se vê em sítio preservado num dos cômodos da casa.
A região era muito diferente, com muita mata e índios da tribo dos Guaianases, chefiados por Piquiroby – Peixinho Azul em tupi-guarani.
O tempo passou e a propriedade, já no século XIX, época em que o Tatuapé era região de sítios e chácaras, foi adquirida por Elias Quartim de Albuquerque, registrada em foto com sua família no ano de 1896. Ali, Elias viveu com sua família até a sua morte.
Assim a Casa do Tatuapé transformou-se em casa de fazenda e olaria, como tantas outras que começaram a grassar em São Paulo, para alimentar a construção das outras casas, cada vez mais numerosas.
Em 1945, a propriedade foi adquirida pela Tecelagem Textília, que desejou doá-la ao patrimônio público, mas infelizmente numa época em que pouco valor se dava à memória e à história, o processo durou mais de 30 anos, sendo incorporado pela municipalidade apenas em 1975, já no século XX, o que ocasionou o loteamento total da região e a casa ter ficado espremida no pequeno lote de sua construção, apenas com uma calçada que a contorna e um pequeníssimo gramado, como a vista aérea nos permite verificar, sendo prejudicada em seu visual arquitetônico, o que não ocorre na Casa do Bandeirante, com grande terreno à volta, árvores antigas e espaço para se apreciar o museu.
A parte boa é que está sendo muito bem cuidada, bem limpa e bem pintada, com três teares manuais antigos expostos em seu interior, janelas e portas em perfeitíssimo estado, com suas grades de madeira originais de época e venezianas inteiras de chapas de madeira sem vidraças.
Para mim foi uma viagem no tempo, fazendo-me recordar da casa de minha família no interior de São Paulo, construída no século XVII, com todas essas características, que me são tão familiares...
É uma excelente oportunidade para as pessoas conhecerem a construção de uma autêntica casa colonial brasileira, com paredes em taipa de pilão, mostradas em pontos deixados sem revestimento e até a treliça de madeira amarrada com cipós que era a base da parede para receber o barro do seu acabamento, que a deixava com uma largura de 50 a 60 cm.
Os batentes das janelas e das portas, em dormentes de peroba, por serem extremamente fortes e duráveis, o que realmente foi constatado pelo tempo, já que chegou a nós, assim como as colunas de sustentação do alpendre avarandado com as três portas de entrada: a principal e as duas laterais.
O piso de tijolos rústicos, como se usava nas construções de então, permanece nas mostras deixadas em certos cômodos, recobertos por uma lajota na tonalidade tijolo nas demais dependências.
Acho que todos deveriam visitá-la, pois acredito que muitos jovens da nossa cidade não tiveram oportunidade de verem de perto essas construções, bem semelhantes à do Pateo do Colégio no centro, local em que vivia a tribo do Cacique Tibiriçá, onde a São Paulo dos Campos de Piratininga começou, para se transformar nesta metrópole do século XXI em que vivemos: a 4ª maior cidade do mundo!

e-mail da autora: [email protected]

Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 28/06/2011 adoro...... Enviado por mirtes - [email protected]
Publicado em 07/04/2011 Então Ana eu estou fazendo um trabalho escolar sobre o tatuape e essas informações serão uteis mais se vc publicar mais coisas sobre o tatuape vai ser mt util pra mim e para mts outras pessoas
obrigada
bjussss
leitora:Stella
Enviado por stella - [email protected]
Publicado em 17/09/2009 Ana estou fazendo um trabalho Sobre a casa Tatuapé, e gostaria de saber se pode me passar mas algumas informações relacionado ao restauro da mesma.

ATT
Enviado por Gabriela Lombardi - [email protected]
Publicado em 18/05/2009 Ana, estou procurando pessoas com o nosso sobrenome, inclusive na Italia, gostaria de saber se você já procurou também, e se já obteve algum sucesso
Pretendo viajar para Itália, e pesquisar em Viareggio, região da Toscana, onde acredito nasceu meu "nono" Giuseppe Mortari, pelas histórias que me contava.
Parabéns pela matéria "A Casa do Tatuapé".
Grato
Enviado por José Vitorino Mortari Justo - [email protected]
Publicado em 31/10/2008 Obrigado a autora, pois me levou à elembrança maravilhosa que tive neste pedaço do Tatuapé, pois nasci e cresci neste quarteirão, exatamente na Rua Francisco Bueno, que começa na rua Iguarussu, tal como a Guabiju,esta por sinal termina na rua em que morava.
Lembro-me precisamente da familia que lá morava, do pé de romã à porta, dos jogos de bolinha de gude, na calçada que não era cimentada.
Lembro-me também das historias da casa, que nunca se chegou a comprovar, como o quarto de castigo dos escravos, aros de ferros e outros equipamentos afins. Das histórias de fantasmas que a criançada acreditava que a casa se cercava. Isto tudo entre outras passagens da minha infancia proximo do casarão do Tatuapé. Que saudades, que mundo feliz que vivi também neste tempo.
Grato
Enviado por rubens de carlos passos - [email protected]
Publicado em 01/07/2008 Ana Maria
fiquei muito feliz em ler o seu texto, pois voltei no tempo, há mais ou menos quarenta anos, quando morei no tatuapé ente 1963 a 1986 e conheci a casa do tatuapé quando criança e nem lembrava mais daquela linda casa colonial. hoje moro em salvador e vejo com muita tristeza a degradação do nosso pelourinho, mas nem tudo está perdido espero que a manutenção da nossa casa do tatuapé não pare. parabéns, valeu mesmo.
renato ferro. (01.07.2008)
Enviado por renato ferro - [email protected]
Publicado em 18/06/2008 Ana Maria, parabens pelo relato quando eu for a São Paulo quero ir conhecer!Adolpho. Enviado por Adolpho Adduci - [email protected]
Publicado em 17/06/2008 Um convite bem interessante, Mortari; seu relato traz um conjunto de informações dignas de análise mais apurada por quem se interessa em conhecer certas particularidade a respeito dessa megalópolis que é a nossa querida São Paulo. Parabens.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 17/06/2008 Bonito texto, e bastante historico. Uma pena que não possamos colocar foto no texto,pois essa foto que se refere se encaixaria muito bem. Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 17/06/2008 Ana, lindo texto historico! Os alunos das escolas aqui do tatuapé,pelo menos as particulares, todo ano em uma determinada serie, fazem um trabalho envolvendo a Casa do Tatuapé. Bom né, assim as crianças aprendem um pouco mais da historia deste bairro muito querido. Enviado por margarida p peramezza - [email protected]
« Anterior 1 2 Próxima »