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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas A batalha que não houve Autor(a): Ana Maria Lisbôa Mortari - Conheça esse autor
História publicada em 07/04/2008

Na semana passada, nós descíamos caminhando pela Cardoso de Almeida, admirando mais uma vez o magnífico edifício do Colégio Santa Marcelina, com seu marcante estilo Gótico Lombardo, quando de repente começamos a recordar um episódio que ficou durante muitos anos marcado nas Perdizes como a batalha dos cadetes.
Corriam os anos 50, os famosos anos dourados, quando as moças e rapazes se reuniam semanalmente em festinhas e bailinhos nas casas do bairro e, vez por outra, em salões de festa, como o Monte Líbano, Odeon, Pinheiros, entre outros.
Normalmente, todos eram conhecidos ou levados à festa por um dos amigos da família, o que garantia o bom desenrolar dos eventos, sempre supervisionados pelos pais da anfitriã.
Foi num desses bailinhos de final de semana, realizado na espaçosa residência de uma das moças, situada bem em frente à entrada do externato do Colégio, onde atualmente existe um enorme edifício de apartamentos chamado Dinalba, que tudo começou.
Era normal os rapazes do bairro ou do grupo, onde normalmente havia as irmãs de alguns, terem ciúmes das meninas do grupo e, assim, tentarem impedir que rapazes de fora se aproximassem e entrassem na concorrência de possíveis namoricos.
Assim aconteceu naquele dia.
Os jovens bailavam ao som das grandes orquestras famosas da época como Tommy Dorsey, Benny Goodman, Glenn Miller, The Mammas and the Pappas, alguns trocando pequenos sussurros nos ouvidos, até o momento em que chegou um primo mais velho da anfitriã, acompanhado de amigos, elegantemente fardados, da Escola de Cadetes de São Paulo.
Bastaram apenas alguns poucos segundos para que arrancassem suspiros das garotas, que logo começaram a disputá-los para dançar, gerando uma revolta geral na rapaziadinha do bairro, que se viu ameaçada em seu prestígio.
Não custou muito para surgirem pequenas provocações entre os presentes, pequenos empurrões e atitudes provocadoras pelo grupo da festa contra os cadetes presentes e, como não podia deixar de ser, a seguir acabaram com a festa, numa briga enorme, onde se viam olhos arroxeados, camisas rasgadas e rostos arranhados de todo lado.
Claro que o pior sobrou aos cadetes que, em minoria, não tiveram chance de se defender e tiveram de abandonar a festa às carreiras... Mas, prometendo vingança, ao som de muitas vaias do grupo presente!
No dia seguinte, um domingo, o bairro das Perdizes amanheceu parecendo uma praça de guerra, coalhado de alunos da Escola de Cadetes, vasculhando as ruas da região à caça dos rapazes da festa.
Preciso contar o final?
Como num passe de mágica, não se viu um único rapaz do bairro caminhando pelas ruas e os cadetes, depois de muito esperarem e procurarem, desistiram da porfia.
Foi assim que uma batalha prometida deixou de acontecer por obra e graça dos sumidos valentões do bairro.

e-mail da autora: [email protected]

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Publicado em 14/06/2008 Mirça, obrigada por apreciar e possuir meus quadros é sempre uma satisfação quando temos essas surpresas. Eu também achava muito bonito o uniforme das marcelinas. Enviado por Ana Maria Lisbôa Mortari - [email protected]
Publicado em 02/05/2008 Era comum rapazes de um bairro, apanhar bastante em outro. Bairros, tido como de encrenca mesmo era a Vila Maria e a Vila Olímpia. Me lembro bem que a Vila Maria era o bairro mais temido. Lá em seu território "neguinho" valente saia correndo. Já Vilaolimpianos, alem de quebrar a cara de quem viesse com valentia em seu território, ia em outros bairros e sentava o pau. Era difícil, a batota da Vila Olímpia sair perdedora. A não ser quando três valentões foram no Bixiga e tomaram um homérico pau da turma do cordão do Vai-Vai. Quem mandou eles mexerem com a cabrocha mais querida, do pedaço. Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 18/04/2008 Ana Maria : De 38 a 58 eu residí em Perdizes, nas ruas Itapicuru, Ministro Godoy e Franco da Rocha. Estudei no Externato Assis Pacheco, no Ginásio Perdizes, no Colégio Batista Brasileiro e na PUCSP. Não me lembro do entrevero descrito. A turma do bairro não gostava de cadetes por princípio, nós os chamávamos de "baleiros", porque seus uniformes se assemelhavam aos "baleiros" que haviam nos cinemas da época, salvante os cadetes da escola preparatória da FAB, de fardamento caquí, que eram os "pasteleiros" ou "coca-colas". Pela sua descrição a "turminha" que estava no bailinho defendeu seu território, protegeu suas meninas, algumas delas irmãs e primas. Os "baleiros" fugiram com medo de apanhar e só voltaram no dia seguinte com a tropa inteira, isto é coragem mesmo só existia quando o ´grupo era muito numeroso . . . Coisas da juventude dos "anos dourados". EMP Enviado por expedito marques pereira - [email protected]
Publicado em 18/04/2008 Ana Maria, tive uma querida amiga de nome Zélia que morou na Turiassú com a Cardoso, na mesma calçada do Santa Marcelina, cujas alunas eram elegantérrimas em seus uniformes. Quanto a mim, tenho alguns quadros seus na parede de minha casa. Abraços. Mirça Enviado por Mirça bludeni de Pinho - [email protected]
Publicado em 08/04/2008 Mas, é sempre assim, Mortari, eu, no meio da rapasiada faria o mesmo, v. acha que iria gostar de galinhos de outras "granjas" viessem cantar no nosso terreiro e ainda mais fardado... ahh, v. me fez lembrar o que vou contar num dos próximos textos, mais ou menos igual, só que no Brás... a surra foi maior, com direito a retorno quando pau comeu pior ainda. Aproveitando, v. é parente do Claudio Mortari, técnico de basquete?.
Parabens e um abraço.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 08/04/2008 Ana, era assim tb lá no bairro da Penha, os meninos n gostavam de sentir-se ameaçados pelos novatos que apareciam e que desviavam nossos olhares, era guerra na certa...eta meninos que n sabiam perder por nada mesmo!! beijos. Enviado por margarida p peramezza - [email protected]
Publicado em 07/04/2008 Para que avivar-se as brasas de uma fogueira que havia acabado de se extinguir?
Valentões ajuizados esses meninos.
Enviado por miguel - [email protected]
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