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Categoria - Outras histórias O anjo da Avenida de Pinedo Autor(a): Alice Stein - Conheça esse autor
História publicada em 26/03/2008
Cheguei em São Paulo em 1972 vinda do interior da Capital.
Depois de uma longa viagem de Presidente Prudente para cá, despertei exatamente no momento em que passávamos em frente a uma grande estátua que ficava no final da Avenida de Pinedo, próxima à Represa Guarapiranga. Fiquei em estado de êxtase diante daquele anjo com grandes asas. A minha primeira Lembrança de São Paulo foi aquele anjo. Muleca, sempre que me metia em confusões, era para ele que eu corria, como se pudesse ser ouvida ou abrigada em suas asas.
O tempo passou, mudei de bairro e anos depois retornei ao Socorro.
Agora um bairro infestado de camelôs, boates de quinta categoria e calçadas tortuosas, "Com certeza as da Avenida de Pinedo são uma das piores de São Paulo". Procurei o anjo e ninguém sabia me informar do seu paradeiro, passei anos tentando encontrá-lo, como quem procura por um parente distante e desaparecido. Certa vez uma conhecida minha que mora nos Jardins me perguntou onde eu morava, e eu disse que morava no Socorro, ela me indagou: - onde é ísso? É na periferia? Por mais que eu tentasse explicar onde, para ela o Socorro é periferia. E para mim é simplesmente o bairro em que eu cresci e amo muito... Apesar de tudo...
Anos atrás esta mesma conhecida me perguntou em quem eu iria votar para prefeito, e ela mesma, antes que eu pudesse responder, me saiu com essa: - Há, porque eu pergunto?! É claro que você vai votar no PT, você mora na periferia, né? Vez ou outra ela sempre me lembrava que eu morava na periferia, até para terceiros que me indagavam onde eu morava, ela se adiantava e dizia com um ar de comiseração calculada: “ela mora na periferia".
O tempo passou e um dia saindo de uma exposição do Museu da Imagem e do Som, na Avenida Europa, eu estava prestes a atravessar a rua em frente à Igreja Nossa Senhora do Brasil, acompanhada de uns amigos, quando de repente eu o vi e comecei a gritar feito louca:
- O meu anjo! É o meu anjo. E sem ligar para os carros que passavam atravessei a Avenida de baixo de xingos e buzinas.
Era ele mesmo, e a placa aos seus pés não deixava dúvidas.
Era o Anjo da Avenida de Pinedo. Chorei abraçada a ele como uma criança que encontra seu tesouro perdido. Era como estar abraçada à minha infância. Dias depois, ao encontrar "aquela" conhecida, perguntei a ela se ainda fazia suas caminhadas matinais pelos Jardins, indaguei se ela já havia notado o anjo na pracinha em frente à igreja Nossa Senhora do Brasil. Ela começou a se desvelar em elogios a tal estátua, dizendo ser uma coisa linda, uma verdadeira obra de arte e etc... Ao que eu com uma ponta de orgulho, ainda que ferido, alfinetei: pois é, amiga! Aquele anjo que enfeita suas caminhadas pelas manhãs é importado lá da minha periferia.
Como assim? Não entendi! - disse ela fazendo cara de paisagem.
Amiga, - disse eu - quando passar por lá outra vez, leia a placa aos pés do anjo. Pois até os anjos não ignoram suas origens.

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Publicado em 24/02/2013 Eu lembro desta estátua no Socorro que visitei quando era criança... Eu e meus familiares faziamos pique-nique perto desta estátua, eu gostava muito. Agora busquei no Google notícias de onde estava localizada esta estátua, e encontrei este artigo e fico triste em saber que ela não está mais no mesmo local, no Socorro. Eram dois pontos de referência que gostava muito de passar neste bairro, a fábrica da Kelloggs com o grande boneco do tigre na frente e a estátua do anjo do Socorro. Saudades !! Enviado por Andre Levi - [email protected]
Publicado em 03/04/2010 Que legal saber que a obra irá voltar para a região da represa. Lembro que quando criança, final dos anos 70 início dos 80, chorava de medo ao passar em frente a ela, sempre que meu pai levava-me na represa. Achava assustadora. Agora, estou ancioso para ve-la novamente. Enviado por Vinicius - [email protected]
Publicado em 20/07/2009 Sou nascido e criado na região do Guarapiranga, no último dias das mães de maio 2009, encontrei com o verador Goulart e seus assessores entregadndo rosas plásticas para as mulheres e o questionei sobre a estátua, o mesmo me disse que está se esforçando para trazê-la para onde nunca deveria ter saído e que custará R$ 40.000 para reformar a mesma e será reinaugurada quando da inauguração do parque da barragem assim estpero pois é um absurdo numa região carente de história ter sido levada para os Enviado por SÉRGIO RIBEIRO - [email protected]
Publicado em 03/04/2009 SINTO MUITA SAUDADES DO SOCORRO SAI DE LA EM 1987, A SUA HISTORIA ME REMETEU AOS MEUS TEMPOS DE CRIANÇA, MUITO OBRIGADO COM OLHOS CHEIOS DE LAGRIMAS Enviado por EDUARDO JORGE PEREIRA - [email protected]
Publicado em 01/12/2008 MALDITO SEJA AQUELE QUE LEVOU O MEU ANJO
QUE DEUS ABENÇOE AQUELES QUE O TROUXEREM DE VOLTA.
Enviado por ALICE - [email protected]
Publicado em 30/03/2008 Em termos de periferia, falando da palavra propriamente,existe o preconceito. Periferia ficou sendo sinonimo de gente pequena, sem cultura, sem informação e de "Maria vai com as outras, no caso de votar nesse ou aquele. Mas, na verdade periferia é somente o limitrofe, da cidade. O lugar distante do centro ou do local privilegiado pela procimidade. A periferia tem as mesmas pessoas do perimetro central, ou bairros mais abastados. Por isso o anjo virtual, ou os anjos reais, la podem estar ou serem removidos. De qualquer forma moramos ou visitamos o anteriormente chamado arrabalde, onde a poesia tambem fas parte da vida, e das pessoas. Enviado por Mário Lopomo - [email protected]
Publicado em 28/03/2008 Alice, sempre que sua amiga passar pela estátua do anjo, vai lembrar que preconceito com local de moradia só existe na cabeça de quem tem medo de morar numa casa que tem vizinhos pobres. Pra ela periferia é reduto de gente de segunda classe. Se ela lembra sempre que v. ali morou, (ou mora,ainda)é porque ela tem um forte complexo de inferioridade com relação a v. A moradia se identifica por quem a habita e não o bairro. Um forte abraço.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - [email protected]
Publicado em 28/03/2008 ALICE, AGORA DESCOBRI PORQUE NÃO PUBLICAM MINHAS ESTÓRIAS.......COM CRONICAS TÃO BONITAS COMO A SUA, QUEM IRIA SE PREOCUPAR EM LER MINHAS MENTIRAS?

PARABÉNS MOÇA......PARABÉNS
Enviado por FRANCISCO RAMIREZ SANCHEZ - [email protected]
Publicado em 28/03/2008 ALICE, QUANDO A SENHORA VEIO PARA O BAIRRO DO SOCORRO EM 1972, EU ME FORMAVA NO CURSO COLEGIAL DO COLEGIO ESTADUAL MELVIN JONES NA AV. DE PINEDO NO SOCORRO.
E DURANTE OITO ANOS TOMAVA O ONIBUS Á NOITE APÓS AS AULAS PARA IR PARA CASA NO BAIRRO DE JARDIM SÃO LUIZ,O PONTO FINAL DO ONIBUS REPRESA - JD SÃO LUIZ FICAVA EM PROXIMO A ESSE MONUMENTO.
MONUMENTO ESSE ORGULHO DA ZONA SUL, QUE NA CALADA DA NOITE FOI LEVADA PARA LOCAL ESTRANHO E QUE NADA TEM A VER COM A HISTÓRIA DELA, DEIXANDO EM SEU LOCAL UMA LÁPIDE DIZENDO QUE ALI TINHA UMA ESTÁTUIA, MAIS PARECENDO UM TÚMULO..
NÓS SANTOAMARENSES, BOTINAS AMARELAS, DE A MUITO TEMPO ESTAMOS REINVINDICANDO SUA VOLTA PARA O LOCAL DE ORIGEM
MESMO PORQUE O BAIRRO DO SOCORRO ESTÁ PASSANDO POR TRANSFORMAÇÕES PARA MELHOR E COM A CRIAÇÃO DA PRAINHA DA AV. ROBERT KENNEDY QUE VOLTARÁ A SE CHAMAR AV. ATLANTICA A ESTATUA PODERIA RETORNAR PARA DAR MAIS BRILHO A ESTA REGIÃO.
LEIA A HISTÓRIA DE MEU AMIGO CARLOS FATORELLI INTITULADA A REPRESA DE GUARAPIRANGA E A TRAVESSIA DO ATLANTICO, PUBLICADA NO DIA 29/02/08, QUE TAMBÉM LUTA PARA A VOLTA DO MONUMENTO.
INFORMO QUE APRECIEI SEUS COMENTÁRIOS SOBRE ESSE ASSUNTO MESMO NÃO NASCIDA POR AQUI , DEMONSTROU AMOR , SAUDADES E RECONHECIMENTO DE UM FATO DO PASSADO QUE FEZ PARTE DE SUA HISTÓRIA E CREIO QUE É UMA SANTAMARENSE DE CORAÇÃO.
Enviado por ESTANISLAU RYBCZYNSKI - [email protected]
Publicado em 27/03/2008 Pedro Nastri tem razão. Não é anjo, mas um humano alado. Mas fica sua boa recordação de infância, como anjo. Enviado por Luiz S. Saidenberg - [email protected]
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