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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Tucuruvi e arrebaldes Autor(a): Marco Antonio (Marcolino) - Conheça esse autor
História publicada em 21/01/2008

Pouco se fala no Tucuruvi, bairro situado na zona norte da Capital, entre Santana e Jaçanã. Posso falar que, depois de Santana, o Tucuruvi é, ou era, o bairro mais importante da zona norte. Oferecia de tudo aos seus moradores e freqüentadores. Uma ida ao centro da cidade se fazia necessária só em último caso.
A grata surpresa de ler sobre o Tucuruvi veio com o Edson Menezes, no seu “Cine Valparaiso – a maior sala de projeção da América Latina” de 09.10.2007. Não conheço outra crônica que fale deste interessante bairro. Se alguém conhece, por favor...
Ao ler o Edson Menezes e o seu “Cine Valparaiso...”, é impossível, para a gente que freqüentou o Tucuruvi, ficar alheio, frio e não sentir a emoção da nostalgia daqueles anos 60, vividos naquele lugar de São Paulo...
Não morava no Tucuruvi, mas no Parque Edu Chaves. Assim o Tucuruvi era passagem obrigatória para quem precisasse comprar alguma coisa mais elaborada ou um serviço mais raro, ou mesmo para quem ia a Santana ou ao Centro da Cidade. O fato é que os dois bairros onde mais vivi foram o Jaçanã e o Tucuruvi. O Tucuruvi tinha seus encantos. Sempre gostei de cinema, assim os meus refúgios eram o Coliseu, os cinemas do Tucuruvi e os de Santana. Era gostoso, sábado a tarde, pegar o ônibus (Viação Brasiluso) e descer num desses bairros, como também causava um prazer enorme ir a pé ao Coliseu, era perto.
No Tucuruvi existiam 3 cinemas. Começando pelo Valparaiso, que era um cinema independente, às vezes passava filmes lançados pelo Circuito São Paulo Sul (Olido-Rivoli-Marabá-República), por exemplo: El Cid – Ben Hur – Cleópatra – Spártacus -Suplício de uma Saudade – Imitação da Vida, e mais a perder a conta.. Descendo a Avenida Tucuruvi, na altura da Avenida Mazzei, havia outro cinema (Cine Tucuruvi? - não me lembro o nome); nunca entrei neste cinema; por não pertencer a nenhum circuito, exibia filmes antigos. Bobagem minha, tempos depois descobri que filmes como”Casablanca” e “A Marca da Maldade” passaram por lá. Depois, no inicio da Guapira, havia o Cine Fidalgo, que pertencia ao Circuito Serrador (Ipiranga-Rio Branco-Ouro-Astor-Paissandu) e por lá passaram, entre outros: Laurence da Arábia - A Face Oculta - Bonequinha de Luxo - Duelo de Titãs - Matar ou Morrer - My Fair Lady - O Professor Aloprado (o original com Jerry Lewis) - O Meninão - O Cardeal - Candelabro Italiano e tantos outros.
Quanto à polêmica de ser ou não o maior cinema da América do Sul, não vou entrar nessa. Só acho que tanto o Valpa como o meu querido Coliseu eram, sim, os maiores, pois abrigaram milhares de corações e mentes emocionados e encantados. Estes cinemas eram como estrelas de magnitude tal que, mesmo mortas, têm brilhos que ainda chegam até nós. Esta é a grandeza deles.
O prédio do Valparaiso era meio arredondado, a enorme sala de projeção ficava no meio e, em volta, existiam vários tipos de comércios e serviços: auto-escola – farmácia –lavanderia – lanchonete e uma papelaria, que a gente não esquece jamais, era a Papelaria Valparaiso, quanto material escolar não comprei ali?
Existia no Tucuruvi uma das melhores escolas públicas de São Paulo: o Colégio Albino Cezar (Ginásio-Escola Normal-Clássico e Científico). Uma escola de primeira. Meu irmão fez o Cientifico lá. Neste Colégio havia um grupo de Teatro Amador, gente competente e premiadíssima. Lembro da menina que fazia “A Dama das Camélias”, era uma atriz nata. O Albino também patrocinava esportes, campeonatos, atividades mil.
Gastronomia? Ao longo da Avenida Nova Cantareira, havia, em algumas mansões, casas noturnas, o Fred ou Fred era uma delas. Até hoje, não sei se eram restaurantes ou boites. A coisa ficava por conta da nossa fértil imaginação. Os mais puros afirmavam ser restaurantes chiques de comida internacional, proibidos para nós, misteriosos, e que os fondues e flambados eram servidos à luz de velas.Outros, menos ingênuos e com alguns Carlos Zéfiros a mais na cabeça, juravam ser boites e que, lá pelas tantas, as mulheres dançavam um estranha dança e iam tirando a roupa, peça por peça, até ficarem nuas e pulavam na piscina e os homens, com roupa e tudo, pulavam também. Um delírio total!
Havia também o Mercado Municipal que oferecia qualidade nas carnes, verduras, queijos, azeitonas, frutas e flores. Uma maravilha!
Este era o Tucuruvi dos anos 60 e 70. Hoje está tudo mudado. Há anos não vou lá, moro no interior. Tenho certeza que está bem descaracterizado, irreconhecível.
Faço um apelo ao pessoal do Tucuruvi: escrevam sobre o bairro, contem uma história de (des)amor, daquelas que incendeiam o pessoal todo. O Jaçanã... aliás, o pessoal do Tucuruvi esnobava o pessoal do Jaçanã, pois bem, o Jaçanã tem uma turminha que, quase sempre, escreve sobre o bairro. Vamos lá, gente.

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Publicado em 08/04/2009 Pessoal,amei tudooque li a respeito do nosso bairro.Nosso porque moro la desde 78 meu filho tinha 3 anos.Ele estudou no luzia de godoy depois Silva Jardim até ir p/Faculdade.conheci tudo porlá e ainda moro no mesmo lugar.Agradeço a todos por reviver estas lembranças tão queridas.Bjos a voces.Paz Saude e Muito Amor Enviado por helena bispo dos anjos - [email protected]
Publicado em 31/03/2009 morei em tucuruvi muitos anos,hoje resido em itaquera,mas nunca me esqueci deste bairro tão querido,estudei no silva jardim e no inesquecível iee albino césar,hoje com 50 anos de repente me veio a nostalgia e me lembrei daqueles anos MARAVILHOSOS que passei neste colégio,no momento não tenho muito tempo para falar sobre meus antigos professore,mas me lembro bem do prof roma,da prof dna zoraide,do prof enio,da prof de música a querida dna tarcila,enfim foram anos de alegria .......... Enviado por aparecida - [email protected]
Publicado em 23/03/2009 ObrigaAdo, Neide. Voce estará dando a sua contribuição para possamos, na medida do possivel, atender o Carlos Henrique. Este é o próposito do site, resgatar a memoria daqueles personagens e cenarios que povoaram uma epóca importante das nossas vidas. Quem sabe, ele não acha a Cleide e nós não achamos as outras Cleides que teimam em povoar as nossas lembranças! Neide, um abraço, Marco Antonio (Marcolino) Enviado por Marco Antonio (Marcolino) - [email protected]
Publicado em 22/03/2009 Oi Carlos Henrique, você pede para que comentamos mais vezes e cita o Willian Harding, pois bem, terminei um curso de Geografia em 2008 no qual meu TCC foi sobre a transformação entre a Estação de Trem Tucuruvi e a Estação Metro Tucuruvi, onde a Rua William Harding foi totalmente destruída, e pra falar dessa rua pesquisei sobre William Harding, conto toda a história inclusive descobri que o palacete de João Fidalgo, fora construído por Harding mais tarde vendido ao Fidalgo.
Logo postarei aqui.
Enviado por Neide dos Anjos Lázaro - [email protected]
Publicado em 20/03/2009 muito legal Enviado por alex - [email protected]
Publicado em 07/02/2009 Caro Marco Antonio, sua narrativa me levou aos tempos maravilhosos do meu Tucuruvi amado, nasci lá em 54, estudei no Silva Jardim, França e Santa Rita, quanto ao Val o Garcia que era gerente poderia dizer o quanto fui as matinees e bailes de carnaval(aliás o motivo de ler esta é que procuro por uma pessoa chamada Cleide que morava na vila do Fidalgo), procuro antigos amigos do França, Bar e lanches e deixo aqui uma pergunta, por que não escreve sobre Willian Harding, Juncal, Gatão e outros bailes que foram ícones como o Val, deixo aqui meu oi a todos e torço pra que apareçam alguns dos antigos amigos, mais uma vez parabéns. Enviado por Carlos Henrique - [email protected]
Publicado em 16/01/2009 nasci no bairro do tucuruvi em l944,viajei muito no trem da cantareira,trabalhava no birro do caninde onde tambem fiz muitos amigos,mais voltando ao tucuruvi,lembro me aos domingos,saia da missa das dez horas celebrada pelo conego joao ligabuy pelo qual fui batizado depois da santa missa descia a rua ausonia em direçao ao campo de futebol para assistir o o grande time de futebol de nossa querida varzea enfim ficam as queridas lembranças de uma epoca feliz. Enviado por pedro francisco de oliveira - [email protected]
Publicado em 04/01/2009 Também estudei no Albino e há pouco tempo procurei a associação dos Ex Alunos, mas só se interessam por encontros em fins de ano, com o que me desapontei; também tenho saudades, é claro, mas a realidade de nossos filhos e netos supera tudo isto, daqui a 30 anos ELES é que terão saudades, na mesma proporção; guardo uma ou outra foto antiga mas conclui que ajudar os atuais alunos e a Escola seria bem melhor,menos egoísta; o pouco que sei devo ao Albino e suas antigas salas amplas e bem iluminadas, o Laboratório de Física – lembro-me até das experiências com aparelhos que hoje devem ter se perdido- e seus melhores professores;o pessoal todo reunido limpando o lodo da piscina , a formatura no Teatro, as filas antes de subir; as broncas da Diretora Nilza, e de Dona Cândida; sai do Albino em 1968 , após concluir o científico; depois disso, comecei a dar algumas aulas, após meu primeiro ano na USP, em Matemática, e ... a graça acabou! A felicidade estava em nós, na nossa infância e juventude, não no Albino e sua periferia, é como se quiséssemos ver nossos filhos sempre crianças, mas são eles mesmos sempre,só que mudamos todos fisicamente;nas nossas ilusões de vida, na ingenuidade e nas tardes ociosas de sol;qualquer Escola nos causaria este bucolismo, acho; não vi nenhum comentário sobre os alunos ricos que tomavam lugar dos mais pobres, seus pais vindo busca-los com carros novos, enquanto andávamos a pé; também de alunos medíocres que vandalizavam a escola; Havia certa preferência da Direção sobre alunos com pais importantes, etc; hoje, se procurar , nem achará um site para comunicar com o Albino, oferecer seus ínfimos préstimos, proferir talvez uma palestra...estimular os atuais alunos; esta é minha opinião; o desaparecimento gradual das cenas, dos casarões, do Chácara Souza, do Bazr e Cine Valparaizo , o Acre Clube,num antigo terreno baldio onde eu ouvia radio galena, que vimos tantas e tantas vezes, são apenas uma transformação transparente a nossos sucessores, eles nem sabem do que estamos falando; o comércio horroroso que se instalou nessa região mostra a necessidade de atualizar-se; acabou o romantismo, chegaram as contas, horários , compromissos; é mais cômodo deixar como está, mas só quem já foi ou é professor, sabe como é gratificante instruir os alunos e motiva-los , como muitas vezes os antigos Professores faziam conosco; também fui Professor por dois anos, as coisas vão de mau a pior; acho que temos ao menos alguma responsabilidade;

Saudações
Aleixo
Enviado por Aleixo - [email protected]
Publicado em 29/11/2008 Cara Maria, você quer saber de outras histórias a respeito dos bairros, pois bem, o Cantor e compositor Adoniram Barbosa, imortalizou o trem da Cantareira na música "Trem das onze" Onde ele diz: "Moro em Jaçanã, se perder esse trem que sai agora as onze horas, só amanhã de manhã". Na música não sabemos qual era a estação que a pessoa pegava o trem, só sabemos que ia para o Jaçanã. Pesquisando, descobrimos que, a única estação cujo trem passava às onze horas (23h), era a estação da Vila Mazzei nos domingos e feriados, então "o namorado" da música pegava o trem na Vila Mazzei e ia para o Jaçanã, na estação seguinte.
Espero ter contribuido com mais esta curiosidade.
Enviado por Neide dos Anjos Lázaro - [email protected]
Publicado em 14/11/2008 "No dia 16/07/2008, fui matar saudades da rua em que nasci. Ao fotografar o que restou dela senti um aperto no coração, fiquei ali parada olhando... Um filme passou pela minha cabeça, lembrei-me de como tudo aquilo era bonito, quanta gente, quantas casas, crianças correndo e brincando, jovens conversando e outros namorando, senhoras batendo papinho nos portões, os homens indo e vindo do trabalho, outros até “jogando conversa fora” no balcão da “vendinha do Armando”... Senti o perfume das flores, das frutas, ouvi até o barulho do trenzinho passando, os gritos das crianças... Quando voltei a realidade vi somente uma criança na rua e as portas da “vendinha” fechada, assim como estavam fechadas as portas e janelas das casas, o barulho que eu ouvira, não era do trem e sim do metrô chegando na Estação de Tucuruvi".
E estes foram o motivo que me levaram a fazer meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre a rua Willian Harding, onde faço um breve histórico sobre o Bairro do Tucuruvi, um histórico da rua e também um breve histórico da antiga Avenida Cabuçu, hoje Antonio Maria de Laet.
Apresentei meu TCC à banca no dia 05/11/2008,onde foi muito bem avaliado.
Enviado por Neide dos Anjos Lázaro - [email protected]