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Categoria - São Paulo do século XXI Retratos 3x4 de São Paulo Autor(a): Daniel Pereira - Conheça esse autor
História publicada em 31/01/2006
Jornalista é bicho curioso por natureza. E circular por São Paulo sempre aguça esta característica. Na região da agitada 25 de Março pergunto para um camelô o que representa para ele a cidade que está completando 452 anos esta semana.

- Moço, se eu não tivesse vindo pra cá não sei o que seria hoje. Aqui achei trabalho. Foi muito difícil no começo porque é muito grande a concorrência. Mas, para um sujeito que não estudou, dá pra ganhar a vida e criar os filhos com dignidade. Prá quem veio de Xique Xique, no fundão da Bahia, isto aqui é o paraíso.

Eles, os camelôs, são mais de 50 mil na cidade. Vêm de todos os lugares do mapa verde-amarelo. Uma questão social ainda longe de solução. São só um naco na multidão de migrantes que para cá vieram e continuam chegando. Vixe!

Um pouco adiante, já na Senador Queiroz, entrei numa pastelaria e tentei travar diálogo com um chinês que, logo percebi, era um dos mais novos imigrantes desta megalópole que acolhe todo mundo de braços abertos, sem distinção de credos, de raça ou de ideologia. Só pude tirar dele um sorridente “tudo bom, ne”, “tudo bom, ne” enquanto mandava pra frigideira de óleo fervente mais uma fornada de pastéis.

Um choppes e dois pastel. Orra, meu Rei, isso é que é bom. Já que estava por ali resolvi conferir como ficou o Mercado Municipal, o Mercadão, depois da reforma. Uma beleza. Lá dentro. Agora inventaram até happy hour, com música, comida de primeira e segurança impecável. Mais uma inovação na velha cidade que vai pegar, com certeza, né mermo?, me diz um carioca que traçava com apetite praiano o belo sanduíche de mortadela que é uma das referências do Mercadão. Aliás, São Paulo é a capital gastronômica do mundo. Aqui tem de tudo para todos os gostos: são quase 13 mil restaurantes e 15 mil bares com dezenas de especialidades.

Saí do Mercadão e parei em frente a uma loja de eletrodomésticos. Os aparelhos de televisão estavam todos ligados na festa de abertura da São Paulo Fashion Week, a mais importante semana da moda da América Latina e uma das principais do mundo. Não vi a Gisele. Ela só ia desfilar na apoteose da festa. La Bundchen não foi: quem brilhou foi a careca do Serra. A propósito, a semana da moda é apenas um entre os 75% dos grandes eventos do país que acontecem em São Paulo.

Um pouco aborrecido por não ter visto a musa, quase fui atropelado ao atravessar a avenida Tiradentes para pegar o rumo do centro velho. Barbaridade, tchê, como tem carro esta cidade: são mais de 5 milhões, um quarto do total da frota de todo o Brasil. Já imaginou? Alguns metros adiante já estava na avenida Ipiranga, naquela famosa esquina com a São João, cantada e encantada pelos versos de Caetano, Tom Zé, Billy Blanco e ilustre companhia. O velho centro é uma colcha de retalhos que os sucessivos governos municipais ainda não conseguiram refazer. Mas há boas notícias. Logo ali perto tem o Theatro Municipal de cara limpa, a renovada Estação da Luz, a Sala São Paulo, obras da nova linha do Metrô, e está em curso um processo de revitalização que a atual prefeitura garante que desta vez vai andar. Pelo menos já acabaram com a Cracolândia, meno male, né belo?



Fui em direção à Praça da República, que está um canteiro de obras quase intransitável. Olha a cobra! Uai, sô! Era um vendedor de bilhetes da loteria federal. Também tem vaca, galo e macaco, mas é a cobra que vai dar. Cobra? Lembrei-me do Instituto Butantan. Sabiam que lá existe uma da maiores coleções de serpentes do mundo? E é também o mais moderno centro de produção de vacinas e soros da América Latina? Pois é, mano velho: São Paulo é grande em tudo. Aqui está um terço do PIB, o Produto Interno Bruto, que é a soma das riquezas e bens do país. Tem a USP, a terceira maior instituição da América Latina, uma das 100 mais conceituadas do mundo. Claro, também tem Curinthia, os pó-de-arroz do Morumbi, Parmeira, Daslu, Daspu, Ibirapuera, favelas, enchentes – mas não no Rio Tietê, percebe? Aquela paisagem, meus caros, vai voltar muito em breve a ser mais um cartão postal da cidade. Não é uma coisa arretada? Então, Viva Sampa!

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