Depois de vista a publicação, fiquei me perguntando por qual razão o site aprovaria um texto de um autor brasileiro qualquer, sobre a minha própria história de amor e vida? Isto provou que os caminhos bonitos, bem aproveitados, têm toda sorte de valor. Agradeço a deferência.
Isso também me pesou a responsabilidade, pois solicitei aguardar os próximos capítulos, que espero corresponder, narrando-os fielmente.
Adolescência. Entrei para a Escola. Que mundo maravilhoso se abria para mim, aquele ambiente de uma das salas do Grupo Escolar Humberto de Campos, de um lado todo em janelas venezianas com vidros abertos circulando o ar puro, embora por ali houvesse minas de carvão mineral e seus resíduos, que produzem enxofre. E pedras com alguns sinais brilhantes chamadas peritas.
Era um rapazinho de calças curtas, cabelos louros, olhos azuis ávidos pelas novidades e a cabeça fixa na professora para receber os primeiros ensinamentos. Dona Lúcia e Dona Simone professoras e Dona Gerda (alemã), acostumada a manter a disciplina, colocar os alunos bagunceiros de joelhos sob grãos de milho duros, maduros ou algumas “reguadas” nos ombros, para mostrar quem lá mandava.
Penso que a disciplina em todo lugar deve existir para haver ordem. Não deixar os afobados penetrar o espaço alheio. Mas é uma questão controversa hoje em dia, devido aos “direitos” humanos e leis específicas. O castigo recebido não deixou nenhuma marca registrada.
Quando aprendi a conhecer as letras, divididas em vogais e consoantes, que mundo maravilhoso abria-se para mim. Podia, a partir da alfabetização, usar as palavras que podiam ser formadas para engrandecer-nos e nos comunicar, fosse o que fosse. Escrever o nome de minha mãe, de meu pai e de meus irmãos, e mais tarde da namorada, que acabou por aparecer.
Dali que fui para o Ginásio. Marcado por uma timidez crônica, ruborizava mesmo com um simples olhar. Padeci desse “mal”, mas assim mesmo não deixava de me comunicar, pois a comunicação pode ser usada de tantos meios, por gestos, imagens, sinais e mesmo mudo, calado.
Comecei ali a desfrutar outras formas de ver a vida, além de casa e da escola, também o teatro e o cinema. Era muito obediente. Assim era o escolhido para alguns papéis, para o teatro representado pelos alunos do ginásio nessa arte cênica, a forma de arte apresentada em um palco ou lugar destinado a espectadores.
Com o tempo, imaginei ser um artista. Já nesse tempo colecionava o álbum de artistas famosos. Rapidamente o tempo passou e, em 1965, já estava no trabalho, aliando essas coisas que os jovens gostam: mulheres, música, futebol, festas. Dali a dois anos, em 1967, trocaria o lugar desses sonhos e devaneios juvenis junto a uma cidade grande como São Paulo. Descera do ônibus que me levara à cidade, com uma bagagem razoável (risos). Era e queria ser um famoso artista. Como atingiria este estágio não sabia, mas haveria de tentar.
Interrompo aqui este ato, unicamente para não cansar o leitor, na fiel esperança de poder continuar por mais uma ou duas vezes essa breve narrativa. Até a próxima oportunidade, se assim Deus permitir.
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