Heróis da travessia do Atlântico

Heróis da travessia do Atlântico de Gênova a Capela do Socorro – Guarapiranga

O monumento aos heróis da travessia do Atlântico é um símbolo de um sonho, de um ideal concretizado por diversos aviadores, desde o sonho de Ícaro, passando pelo inventor do avião, Santos Dumont, e muitos pesquisadores.

Este monumento representa um momento ímpar na história da humanidade e foi a maneira mais importante de reunir os povos do mundo separados por obstáculos geográficos como relevos terrestre e principalmente o Oceano Atlântico, mas que através desses aviadores pioneiros aconteceu essa aproximação entre as nações e com isso possibilitou a integração da aviação comercial e turística no mundo.

O desejo de voar sempre foi o desejo maior do homem, desde a pré-história, ele observava os pássaros e tentava imitá-los, criando asas de folhas, penas e madeira e outros objetos sem sucesso e com graves acidentes e até fatais e esse desejo foi imortalizado por Ícaro, filho de Dédalo, (mitologia grega), que voou até próximo ao sol, e o calor derreteu suas asas feitas de cera e ele sucumbiu.

Este sonho só veio a se concretizar realmente com o brasileiro Santos Dumont e os americanos Irmãos Wright, que inventaram o avião, cada um com suas características e teve grande avanço em diversos países até chegar ao dia de hoje com viagens espaciais. Um dos exemplos práticos de pioneirismo foi com os aviadores italianos Francesco De Pinedo e do brasileiro João Ribeiro de Barros, no quesito de coragem, distância e técnica de vôo, que com um hidroavião fizeram o primeiro vôo de Gênova a Santo Amaro na represa de Guarapiranga.

Vale salientar que o primeiro vôo com esse tipo de avião foi feita pelos aviadores Sacadura Cabral e Gago Coutinho em 1922, mas pousando na baia de Guanabara, Rio de Janeiro.

A razão do monumento estar em São Paulo se deve a alguns sonhos principais: O primeiro é o sonho pessoal de aventura e desafios que sempre motiva o homem e naquela época com a novidade ainda desse tipo de aeronave o sonho era conseguir quebrar barreiras naturais.
O segundo sonho era a questão da hegemonia que também domina o homem e aqui são os governos que no caso da Itália pretendia conseguir através disso aumentar suas bases e posições estratégicas fora de seu país, por isso o governo fascista de Mussolini que governou de 1922 a 1943, apoiou totalmente De Pinedo nessa aventura em 1927. De Pinedo era Tenente Coronel e chefe do Estado Maior do comando geral da Aeronáutica da Itália e era chamado "senhor das distâncias, pelos seus vôos pelo oriente.

De Pinedo fez o vôo, com sua aeronave modelo Savóia Marchetti- S-55 – Santa Maria em homenagem a nau de Cristovão Colombo. A intenção do aviador era desembarcar em Santos, mas a pedido dos oriundis de São Paulo, que tinha uma enorme colônia italiana aqui estabelecida, aceitou e refez seu trajeto e aqui na Guarapiranga amerissou com sucesso e grande público a aplaudir em 27 de Fevereiro de 1927 com seus co pilotos Carlo Del Prete e Vitalle Zachetti, com apoio total do governo italiano.

No mesmo ano um brasileiro sediado na Itália fez o mesmo percurso e façanha, foi o Comandante João Ribeiro de Barros, que com seu hidroavião Jahu em homenagem a sua cidade natal, anteriormente o hidroavião era denominado Alcione. João Ribeiro de Barros veio com dois co pilotos, o mecânico Vasco Cinquini e o navegador da aviação militar Newton Braga, onde todos os custeios dessa aventura foi com recursos próprios. Não teve ajuda nem do governo brasileiro, muito menos do italiano, inclusive, teve problema de sabotagem, mas completou seu intento.
Ele também saiu de Gênova e chegou na represa de Guarapiranga em 01/08/1927, portanto alguns meses depois de De Pinedo, porém com mais escalas como, Gibraltar, Cabo Verde, Fernando de Noronha, Natal, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Santos e Represa de Guarapiranga em Capela do Socorro – Santo Amaro.

O terceiro motivo de o monumento estar aqui é um conjunto de fatores burocráticos, mas rápido, onde a Sociedade Dante Alighieri, solicitou ou em conjunto com Conde Matarazzo que veio ao então município de Santo Amaro conversar com o prefeito na época, Sr. Isaias Branco de Araujo, pedir a construção de um monumento ao evento, esse por sua vez, reuniu-se com a concessionária de eletricidade, São Paulo Tramway Company Light que era dona do espaço e essa concordou prontamente com a obra.

E, para isso foi contratado um escultor italiano radicado em São Paulo, Ottone Zorlini, que em 21/08/1929, concretizou a obra e foi inaugurada nas esquinas da Av. De Pinedo com a Av. João Ribeiro de Barros.

E ali ficou até o dia 20/08/1987, quando o governo municipal de Janio Quadros, na calada da noite a transferiu para a Av. Europa no Jardim Europa, numa praça em frente a Igreja N.Sra. do Brasil, onde ficou até setembro de 2010, quando começou o desmonte para seu retorno a Guarapiranga; portanto ficou 23 anos fora de seu habitat natural e todos reconheciam que onde ela se encontrava não tinha nada a ver com a história.

A alegação da mudança do monumento era de que onde ela se encontrava tinha virado motel, sanitário e dormitório de mendigos, e também os notívagos do Clube Vila Sofia na saída iam se "encostar" no monumento, na realidade tudo isso era verdade, mas também isso se deveu ao abandono da obra como a criação de um muro "muro da vergonha" que deixou o monumento fora da represa, ela ficou entre o asfalto e o muro bem num canto escuro da rua.

Completando o terceiro motivo que pode ser considerado um quarto, foi seu retorno e a reinauguração em 19/12/2010, com localização próxima do antigo local, fica nas esquinas da Av. João Ribeiro de Barros com a atual Av. Atlântica, antiga Robert Kennedy, porém agora dentro do parque cercado por gradis e segurança civil, denominado agora como Parque da Barragem, um dos cinco que estão sendo construídos no programa de revitalização da Represa.

Para isso um grupo de pessoas batalhou através da criação de um movimento denominado Grupo Ícaro com meia dúzia de pessoas que originou um abaixo assinado de cerca de duas mil assinaturas e isso sensibilizou o vereador da região Antonio Goulart que através de uma emenda na câmara municipal liberou uma verba de R$394.000 e com apoio do subprefeito da Capela do Socorro, Sr. Valdir Ferreira e o Prefeito da capital Gilberto Kassab.

Nas décadas de 1950, até inícios dos anos 90, reinou absoluto com seu hidroavião, Seabee, "abelha do mar", modelo Republic RC-3, o aviador Gunar Çucurs que transportava turistas em vôos panorâmicos pela represa de Guarapiranga, cerca de 200 mil pessoas voaram com eles, com saída em Rivieira da Guarapiranga, um dos locais mais belos e conservados da Represa, foi maior numero de pousos e decolagem nesse tipo de hidroavião do mundo.

Nessas pesquisas sobre a represa e o monumento encontramos um morador do bairro do Socorro, Sr. Francisco de Moraes. Que no ano de 2011, completou 96 anos de idade e, portanto, foi testemunha ocular da amerissagem dos hidroaviões e a construção do monumento, tinha na época de 1927, 12 anos de idade e com muito orgulho e emoção que ano passado de 2010 viu a reinauguração do monumento.

Não podemos deixar de citar como homenagem aos que trabalharam, lutaram de alguma forma para o retorno desse monumento através de reuniões, Orkut, abaixo assinado, ONGs, associações e moradores em geral de nosso bairro, maioria anônimos a essa descrição.

Desde 1997, o monumento tem seu dia comemorativo é o dia 13 de Abril.

Em 2009, o CONDEPHAAT, libera o retorno do monumento ao bairro do Socorro.

O monumento aos aviadores consiste basicamente em: coluna central quadrada de granito cinza de aproximadamente 2,5m2 por uma altura de 6m e uns degraus ao seu redor também de granito.

Coluna redonda, de granito rosa romana, que fica incrustada na coluna quadrada em uma de suas faces.

Capitel, a parte mais trabalhada da coluna romana, fica no seu topo, é uma arte, romano – grega da ordem coríntia, dórica.

Fuste, do latim pau, madeira, mas na obra é a própria coluna de granito rosa que fica entre o capital e base no caso do nosso monumento ele é cilíndrico monolítico, rugoso.

Fascio, (feixe de lictor), dois fascios compõe o monumento, um de cada lado da base quadrada, que na obra é de bronze que sustenta um machado na sua extremidade. Esse feixe de origem etrusca adotado pelos romanos, que quer dizer poder.

Constelação do cruzeiro do sul, incrustada na parte alta da coluna quadrada.

Franquisque, o machado de guerra que fica na extremidade do fascio, simboliza uma arma dos romanos.

Piras, duas piras compões o projeto do monumento, ambas incrustada nos vértices da coluna quadrada a uma altura de 2m feita em bronze, só que ela só existe no projeto e nas primeiras fotos do monumento, com certeza foram roubadas e nunca mais a substituíram, no local foi feita um remendo parecendo uma cicatriz muito bem feita que poucos reparam que ali tinha duas piras, possivelmente ela foi tirada quando da sua primeira estadia aqui por volta dos anos 1940, essa falta da pira foi observada pelo historiador Carlos Fatorelli, comparando as primeiras fotos com as atuais e com um livro da época da construção.

Placa de identificação, duas placas inicialmente feitas em bronze, porém sempre roubadas, hoje confeccionada em mármore negro com inscrições da aventura De Pinedo e João Ribeiro de Barros, ambas posicionadas em lados opostos da coluna de base quadrada.

Homem alado, feita em bronze situada na parte mais alta da coluna quadrada, representa Ícaro com suas asas abertas e o braço direito esticado e punhos cerrados apontando para o leste, Oceano Atlântico e Europa, parecendo dizer: “de lá eu vim e para lá eu voltei, mas deixei aqui um símbolo do progresso, do futuro promissor e a união entre os povos”. Portanto, esse monumento não é um anjo, não é um pássaro, não é o super homem, ou será que foi tudo isso? Depende de quem o vê, de quem o interpreta.

E para o sucesso desse empreendimento a população teve seu mérito, sua participação através de várias formas de reivindicações com reuniões, indagações, sugestões, reclamações junto as autoridades e para isso foi criado grupos de trabalho e contatos pela internet como Orkut, e um
grupo formado e denominado, Grupo Ícaro, formado por, Neuza Meneghelo, Carlos Fatorelli, Vilton Giglio, Estanislau Rybczynski, Pedro Gouveia, José Fonseca Lima, in memorian, foi presidente da associação dos moradores do bairro do Socorro na Rua Moraes Navarro, onde foram feitas as primeiras reuniões e depois no escritório de Neuza Meneghelo, onde tomávamos nossas diretrizes, como visita á sub prefeitura, visita aos moradores e idas no local da futura obra. Muitas de nossas idéias para a reinauguração não foram atendidas, mas a principal foi e o monumento está lá.

Outras pessoas que não foram da comissão, mas tiveram papel importante na causa, como, Nair da Silva Petrovics, João Zillig da Silva, Jeremias Homero Bhering, o farmacêutico mais antigo da região, Francisco de Moraes, a testemunha ocular do pouso do hidroavião, Werena Çucurs, que depois entrou para a comissão, de família tradicional de aviadores, Hilda G. Sterchele, Edmundo Manzini, sobrinho de Vitor Manzini, dono do Jornal "A Tribuna de Santo Amaro" Pedro Gouveia, morador e sempre lutou pela causa, atuante pelo Orkut da comunidade do Socorro, José Francisco Pachecco do Couto, Cyro Mascarenhas de Campos, Lourenço Borba, de família tradicionalíssima de Santo Amaro, Ana Paula Fonseca, Nilo Placoná, que recuperou e nos entregou uma planta original dos anos 1930 com o mapa da represa Velha de Santo Amaro, depois Guarapiranga, Armando da Silva Prado Netto, dono do jornal "A Gazeta de Santo Amaro". E com tudo isso, Santo Amaro, volta a ter novamente mais um pólo de turismo cultural e ao mesmo tempo de lazer na Represa de Guarapiranga.

E para complementar todos os anos temos nossa árvore de Natal, tão grande e bonita como a do Parque Ibirapuera, situada na prainha da represa na Av. Atlântica, ex Av. Robert Kennedy.

Isso é Santo Amaro, um bairro cidade, em dimensão, lazer, turismo, indústria, comércio, reserva florestal, e densidade alta populacional.

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