Goteiras

O termo goteira é empregado em vários ramos da atividade humana, como na Anatomia, na Odontologia, na Medicina, em cada um deles com seu significado específico.<br><br> Mas, indo direto ao motivo destas mais ou menos bem traçadas linhas, quero dizer algo sobre as goteiras que dão a nítida impressão de que chove igualmente tanto dentro quando fora de casa.<br><br> Quando eu era garoto, meus pais e eu moramos na Rua General Osório em duas casas diferentes, uma situada no número 415 e a outra no 248, Hoje naturalmente não mais existem, tendo sido substituídas por prédios de apartamentos.<br><br> Ambas haviam sido construídas no fim do século 19 ou quanto muito no início do século 20. Estou me referindo a fatos ocorridos nas décadas de 40 e 50. Acontece que em ambas havia goteiras. Eram alugadas, (pelo que me lembro da conversa de meus pais) os donos afirmavam que pelos aluguéis cobrados não havia justificativa para que as mandassem consertar.Os inquilinos (meus pais)mal tinham dinheiro para nos manter, portanto, que venham as goteiras.<br><br> Resultado, em épocas de chuvas, havia, dentro de casa, mas, felizmente em locais isolados (!) o aparecimento das ditas cujas. Minha mãe e eu (meu pai estava no trabalho) corríamos para juntar bacias, panelas e tudo o mais que servisse para receber o líquido não desejado. Confesso que era uma azáfama cansativa. Infelizmente eu não pensava na época, para suavizar a coisa, isso poderia ser encarado como um exercício saudável!<br><br> O assoalho era feito de tábuas de madeira de verdade (não as atuais disfarçadas. E isso me lembra que com frequência deviam ser raspadas com um tal de escovão (algo antediluviano) associado à tal de palha de aço. Sempre havia alguém premiado para, num vai e vem contínuo, raspar as tais tábuas para em seguida ser aplicada cera (vinha numa lata redonda e tinha um cheiro característico) também com o escovão, agora munido de um pano, muitas vezes, quando havia, flanela.<br><br> Mas, voltando às goteiras, parada a chuva, vinha a seguir o recolhimento das bacias e panelas e o ritual de despejá-las no quintal. E, a seguir, a parte mais dura, ou seja, a de secar o assoalho com todo o pano que estivesse à mão; em geral já separados para essa eventualidade. Acontece que na época<br>das chuvas, quase que diárias, tudo complicava. E, desacorçoadamente, deixava-se lá estar as panelas, as bacias e tudo que fosse utilizável, como latas de grande porte. E a umidade do assoalho teria que esperar até dias melhores.<br><br> Lembro-me que não éramos só nós que tínhamos esse problema e no entanto a vida continuava (haviam problemas maiores, creio). Daí o dito que bem poderia ser criado: "os moradores de casas com goteiras são antes de tudo uns fortes".<br><br> Nossa vida mudou nesse aspecto, quando conseguimos mudar para um prédio de apartamentos situado na Avenida Rio Branco (lá perto). O apartamento situava-se no segundo andar. Como o prédio tinha nove andares, a possibilidade de termos de novo goteiras era matematicamente impossível! Ufa!<br><br><br>E-mail: [email protected]