Geada me convidou ir ao bar para fazer-me um convite. Depois do enterrado-vivo, ele faria um número num circo e precisaria de um assistente, não vacilei, aceitei, e no domingo próximo à noite lá estava eu assistindo o Geada em um número próprio de faquir que ele fazia e dos bons. Consistia em desmontar as varetas dos aros da bicicleta, colocá-los enfileirados sobre duas cadeiras, eu as desinfetava com álcool, e o Geada ia espetando seu corpo com as varetas pontiagudas previamente preparadas. O Geada era só pele e osso. Puxar uma porção de pele e se espetar era um ato que ele fazia com precisão cirúrgica. Começou pelo pescoço, antebraços, braços, costas das mãos, costas, tronco, barriga, coxas, pernas; no final ele estava parecendo um enorme paliteiro, e era assim que ficou conhecido: "Homem Paliteiro". Dos pontos que sofreu as picadas, apenas sangrou, uns poucos. Muito aplaudido, ainda apresentou o número de engolir fogo. O cachê foi pago à vista.