Não sei por que cargas d'água ontem lembrei-me do personagem chamado "Sujismundo". Este era um tipo de "cartoon" muito conhecido nos anos 70, divulgado em campanhas publicitárias veiculadas na época na mídia escrita, falada e "televisada". A campanha era para conscientizar a população sobre higiene e limpeza.
E assim esta lembrança levou-me a uma outra, que pretendo contar aqui nesta narrativa e que podia ter acabado com minha futura carreira teatral.
No antigo ginásio no Grupo Escolar Matilde Macedo Soares, já citado aqui em outros textos, numa das inúmeras aulas de Português, a minha professora Thais sugeriu que fizéssemos uma dramatização que falasse do combate à sujeira e à falta de higiene.
Eu entrei em pânico quando ouvi a palavra encenação, por causa da minha já citada timidez, não queria me expor à frente da classe numa performance teatral.
Relutantemente entrei num grupo, o qual decidiu utilizar o tal personagem "Sujismundo" pra ilustrar o trabalho. Escrevemos um roteiro básico e muito simples: Entra em cena o Sujismundo, fazendo muita sujeira na cidade, jogando papéis e tudo mais no chão, o que o leva a ser preso, e de lá da cadeia mandaria uma carta pra sua mulher, a dona Sujismunda, a qual seria interpretada por esta que vos escreve. Após eu ler a carta, deveria ficar chocada com a situação e finalizar a nossa peça dizendo uma fala que seria a moral da história, mais ou menos assim: "Quem mexe com lixo sempre acaba mal". A bem da verdade um slogan bem do mixuruca, contudo isto não vem ao caso agora.
Ensaiamos algumas vezes e, quando chegava a minha vez de atuar, eu gaguejava um pouco e o texto saía num pequeno fio de voz, o qual era prontamente corrigido pelos meus colegas de grupo que diziam pra eu falar mais alto.
E assim foi por vários "ensaios", ou, como dizíamos na época, treinamentos. Bom, eu já falei da minha timidez, né??
Ok, no dia da tal apresentação, ia indo tudo bem até quando chegou a minha parte. Só pra lembrar: eu era muito tímida!! Bom, entrei em cena na hora em que eu tinha de atender a porta, que nesta altura era a porta da sala de aula, para o carteiro entregar-me a famosa carta e finalizar com a minha fala. Meus joelhos tremiam que nem vara verde, eu mal consegui alcançar a maçaneta da porta, e quando peguei a carta, que também tremia em minhas mãos, não consegui dar continuidade a minha performance. Eu não sei o que eu pensei na hora, simplesmente tive uma reação inesperada e inusitada, fiz que desmaiei.
Na realidade eu nao caí desmaiada, eu simplesmente deitei de barriga pra cima e fechei os olhos. E assim fiquei. Eu só escutava num tom raivoso: Etelvina, levanta já e diz a fala. Eram os meus colegas do lado de fora da sala de aula, desesperados, tentando salvar o "espetáculo.
Nao durou mais que uns trinta segundos, o restante do grupo entrou em cena, acabaram levantando-me e dizendo a frase final. O nosso público, os alunos da classe, bateu palmas, nós agradecemos e voltamos a nossas carteiras.
Não consigo me lembrar da nota que tiramos, mas o mais engraçado é que ninguém mais tocou no assunto. Aquela reação pode ter parecido estranha na época, mas hoje dou risadas e penso: "A gente quando criança faz cada coisa"!!
E assim, quando lembro do Sujismundo, lembro desta minha gafe escolar, nos bons tempos numa das salas de aula do meu querido "Matilde Macedo Soares".
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