Quem tem entre 50 e 60 anos ou mais, com certeza se lembra do Futebol Dente de Leite da TV Tupi, organizado por Roberto Petri, Ely Coimbra e Sergio Baklanos. As manhãs de sábado eram repletas de emoções para os seis times que se revezavam em dois tempos de 15 minutos no Campo do Nacional, o Nicolau Alayon, que deve até hoje deve ter como recorde de público o jogo final entre Nacional e São Paulo, vencido pelo primeiro.
Eram cerca de 16 times, que jogaram um único turno todos contra todos. Os times representavam os quatro cantos da cidade e cada time revelou muita gente boa de bola. Muricy Ramalho, o maior de todos. O São Paulo que foi a grande sensação tinha um timaço e seu ataque (Waltinho, Muricy, Colonese, Ministro e Vitor Hugo) ainda é tão lembrado como o ataque do Grande Santos Futebol Clube (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe).
O Clube Atlético Ypiranga, tinha Mug, Armandinho, Renatinho, Stela, Albertinho. O Pinheiro tinha um meio esquerda sensacional que driblava para frente, chamado Marcelo Vella, e também tinha Bittencourt de volante e fechando o meio de campo, um tal de Caneco (que é ninguém menos do que o ator Marcos Frota, ex-marido da Carolina Dieckmann). O Penha, tinha um meia baixinho e habilidoso de nome Biquinha, que depois jogou na Portuguesa e no Palmeiras, e um centro avante negro forte que era conhecido como Linha.
O Matarazzo tinha Walquir na ponta-direita, Primo Pompílio na lateral esquerda, Feijão na meia-direita, Cuca, centro-avante implacável e goleador e Mosca, médio volante, pegador que sabia sair para o jogo e que juntamente com Primo foi jogar no São Paulo. O Brasil da Pompéia, revelou Amaury que jogou profissionalmente pelo Corinthians e que cruzava as bolas para o centroavante Betão, alto e que lembrava muito pelo estilo de jogar o Ferreti do Botafogo do Rio. O Juventus tinha no gol Zé Carlos, que foi um dos goleiros do Dente de Leite que chegou à Seleção Brasileira Juvenil (o outro foi Mateus do Banespa e anos mais tarde, o Barbirotto do São Paulo) tinha ainda Sidney Papel na zaga central, Bizi um lateral esquerdo que caiu na graça do Rei Pelé (acho que o Pelé começou a dar fora aqui), Berto, outro centroavante goleador, mas que fazia um estilo mais clássico. Tinha o Esquerdinha, que jogava com a 10 e depois fez carreira e sucesso na Portuguesa e o primeiro Dentinho, que foi jogar no Botafogo do Rio de Janeiro como Rubens Nicola.
O próprio Nacional que foi campeão tinha entre outros, Toninho Vanusa, como seu destaque e que tinha este apelido em alusão a sua loira cabeleira e pelo fato da cantora Vanusa estar no auge (naquele tempo ela devia cantar sem errar o Hino Nacional), tinha Monga, o autor do gol do título de 1969 e mais, Ademir, Bió, Osmar, Mário Perez entre outros.
A Zona Sul era representada pelo E.C. Banespa que revelou entre outro Mateus (goleiro e que foi o primeiro a ser convocado para uma seleção brasileira de juvenil, naquele tempo ainda não se usava a expressão juniores) e que foi campeão no Chile juntamente com Muricy (ambos no caso já jogando pelo SPFC), tinha ainda um lateral direito fantástico, Laerte e um zagueiro central que saia jogando como só vi Luiz Pereira fazer, de nome Alcides (outro que jogou no SPFC), na reserva deste time tinha nada mais nada menos do que José Sergio Presti, depois anos mais tarde arrebentou no profissional sendo conhecido como Zé Sergio (São Paulo, Santos, Seleção Brasileira), tinha ainda Paulo Barbosa, meio direita cheio de raça, que depois jogou no Juventus. No Banespa ainda jogavam Paulo Sérgio, que jogou no SPFC também, e dois loirinhos no meio de campo LaSelva, o das livrarias LaSelva, e Paulo Roberto, que hoje mora em Londres e foi durante muito tempo Editor Executivo da Revista Exame da Abril.
Representando a zona central tínhamos o São Vito do Brás, que revelou Tostão, outro que também formou no SPFC (vocês reparam que estou falando de vários jogadores que depois formaram nos juvenis do SPFC. Vou contar numa próxima ocasião, a história do maior time infanto-juvenil que eu já vi jogar na minha vida, o SPFC de 1970 a 1973). A Portuguesa tinha um bom goleiro, Arnaldo, assim como o Clube de Regatas Tietê, o Marco Antonio.
Dava gosto acordar cedo, pegar primeiro o bonde, depois um ônibus até o centro e depois outro até a Lapa para assistir ao vivo os jogos do Dente de Leite. Principalmente quando o SPFC jogava, pois era sinal de casa cheia, com a torcida uniformizada do Senhor Silva (ah, quanta saudade daquele tempo em que torcida ia aos campos para torcer) e a famosa charanga são-paulina.
Estes "meninos" estão e ficarão para sempre na minha retina, pois dava gosto de vê-los jogar. O lema daquela turma era Bom de Bola, Bom de Escola. Dá tristeza ver hoje nossos pseudos craques esnobarem a torcida, derrubar técnicos e por ai vai. Por isto, quem viveu aquela época há de concordar comigo, quanta saudade…
Meninos, eu vi…
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