Francisco Rodrigues: o tatu

Rodrigues, também conhecido como tatu, veio do Rio de Janeiro. Jogava no Fluminense, quando ele veio para o Palmeiras, em 1949, Jair Rosa Pinto também veio, no mesmo ano. O Palmeiras tinha uma ala esquerda de fazer inveja a qualquer clube. Jair lança de 40 jardas e tinha um chute potente apesar de suas canelas finas. Rodrigues também chutava forte e, quando fazia seu chute, se curvava, o que lhe rendeu o apelido de tatu. Além do Palmeiras jogava também na seleção paulista e brasileira. Foi o ponta esquerda da seleção que foi a copa de 1954. Ganhou muito dinheiro. Além do ordenado, ganhava também o “bicho” pela vitória ou empate. Era pago em dinheiro vivo no vestiário logo após o jogo. Era uma exigência dos jogadores de todos os clubes. As segundas feiras Rodrigues era visto na mesa de um bar da rua da Mooca, contando dinheiro com ajuda de amigos. Tinha também algumas propriedades por ali. Era um boêmio inveterado. Fazia o que praticamente todos faziam. Gastava muito dinheiro com a mulherada. Jogava nos cavalos. Um dia (sábado) no Pacaembu foi até o alambrado perguntar a um amigo seu ali postado a pedido dele para saber se sua barbada havia ganhado o páreo. As pernas começaram a fraquejar. Ele já não era mais aquele jogador maravilhoso de anos anteriores naquele ano de 1955. Estava praticamente fora do futebol. Não era qualquer clube que se arriscaria contratá-lo, devido sua fama de boêmio. Ainda tentou de novo no Palmeiras em 1957. Mas não tinha mais condição de jogo. Para ter algum ganho foi trabalhar nas indústrias Francisco Matarazzo, como representante comercial. Um dia o encontrei na avenida São João, conversei um pouco, vi que ele estava pouco falante, triste. Já não tinha mais família, estava à mercê da sorte. Os amigos de fastigio viraram as costas. A doença veio, o caos estava estabelecido. A diabetes o pegou em cheio.
Uma perna foi amputada. Tempos depois a outra. Estava sobre os cuidados do INPS. Naquele triste estado, entrevistado pelo jornal A Gazeta Esportiva, disse:
– “Se tivesse que começar de novo, faria tudo igual ao que fiz. Fui feliz. Fiz tudo o que quis”.
Não demorou muito veio a morte. Pelo que foi no futebol, praticamente morreu como indigente.
Seu filho que tinha um pouco de semelhança fisionômica, mas fisicamente mais alto e forte, jogava de meia esquerda no clube do Me, do Itaim Bibi. Onde se situa hoje o parque do povo. Um dia fui dizer a ele que tinha conhecido seu pai e que ele era um grande jogador. Percebi uma réstia de vergonha por ser reconhecido como filho de Rodrigues.
Disse em outras palavras que soube que seu pai tinha sido um bom jogador, e só. Saindo fora da conversa.

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