Francisco Alves o Rei da Voz, foi um dos que mais gravaram e venderam discos. Quando ele morreu, em 27 de setembro de 1952, não existia LP ou compacto. Era somente os 78 rotações. E como ele gravou tal disco em toda a história da música brasileira, que era chamado de bolacha preta. Ele gravou 526, num total de 983 canções. Francisco Alves foi compositor de 132 músicas, muitas das quais compradas de compositores anônimos dos morros cariocas, segundo as más línguas. Carinhoso de 1917, só fez sucesso, 20 anos depois numa gravação de Orlando Silva, já com letra de João de Barro (Braguinha). Antes a música de Pixinguinha havia sido rejeitada por Carlos Galhardo e também por ele Francisco Alves.
Francisco Alves também foi fonte de inspiração na carreira de Elis Regina. Na casa de Elis, a rádio nacional (Rio) ficava ligado o dia todo. Os pais dela eram fascinados pelo programa apresentado por Francisco Alves, e pela música Boa Noite Amor. Francisco Alves pegava alguns torrões de açúcar, botava na mão ia para a cocheira do Jóquei Clube, na Gávea todo dia às 5 horas da manhã. Quando o cavalo vinha pegar o açúcar, ele cantava Boa Noite Amor. Boa noite amor, meu grande amor. Contigo sonharei e a minha dor esquecerei. Se eu souber que o sonho seu, foi o mesmo que o meu….. Em 1952 Francisco Alves foi contratado para fazer alguns programas na rádio Nacional de São Paulo. O programa ia às sextas feiras à noite. No dia 27 de setembro de 1952, um sábado, às 14 horas Francisco Alves foi fazer um Show no largo da Concórdia no bairro do Brás. Cantou varias músicas, entre as quais Criança Feliz gravado dias antes cuja renda era para as crianças da casa de Lazaro, que cuidava de crianças pobres: Criança feliz, que vive a cantar. Alegre a embalar seu sonho infantil. Oh, meu bom Jesus que a todos conduz, olhai as crianças do nosso Brasil. Criança com alegria, qual um bando de andorinhas. Viam Jesus que dizia – Vinde a mim as criancinhas. Do outro lado do disco, estava uma música que também exaltava a criança. A brincar a marchar e a cantar vamos todos num mundo infantil. Amanhã saberemos também lutar, pela paz pelo bem do Brasil. Minha infância tão cheia de esperança ouviu da sua voz esta canção. No futuro virão outras crianças que felizes também a cantarão. A marchar,……
Dali Francisco Alves rumou para o Rio de Janeiro, pela via Dutra, recentemente inaugurada, em seu Buick ano 1951. Ia ao lado de um amigo carioca que estava sempre em sua companhia. No rádio ouvia a transmissão do jogo do América FC. Na altura de Pindamonhangaba, numa curva, bateu de frente a um caminhão que invadiu a contra mão, seu amigo foi jogado para fora do veículo rolando pela ribanceira. Francisco Alves preso ao volante morreu carbonizado. Acabou ali a vida do rei da voz.
Chico Viola como era conhecido, cantava essa música que foi talvez o seu maior sucesso.
ADEUS, ADEUS, ADEUS, cinco letras que choram, num soluço de dor. Quando o rádio anunciou sua morte houve uma forte comoção popular. Uma multidão incalculável foi vê-lo para dar o ultimo ADEUS.