Finalmente nessa Copa, esqueci o fracasso do mundial de 1950

A maior frustração da minha vida foi a Copa de 1950. Em que o Brasil perdeu de 2 a 1 do Uruguai, quando com apenas um empate, estaríamos pela primeira vez na Copa Jules Rimet.
 
Como essa Copa estava sendo disputada aqui no Brasil, eu, ainda menino na época (onze anos), chorei amargamente essa derrota do nosso futebol.
 
Durante as semanas que se seguiram, o papo da meninada da Freguesia do Ó, assim como os assuntos e comentários dos jornais e dos programas esportivos do rádio, não foram outros se não o fracasso da nossa poderosa Seleção de futebol – que com alguma antecedência já era considerada, por todos os brasileiros, como a melhor de toda a competição.
 
Nesse “Oba! Oba!” geral, onde goleamos alguns rivais, então chegaram as finais e… Perdemos. Mesmo sem muito acreditar, achei que nessa Copa poderíamos por fim descontar e poder esquecer aquela triste frustração da adolescência.
 
Depois desse placar de 7 a 1 contra a Alemanha, eu esqueci completamente a minha frustração dos 2 a 1 contra o Uruguai em 1950.
 
Estou até achando que em 1950 nós éramos felizes e não sabíamos.
 
Se eu soubesse que um dia eu iria ver o nosso Brasil perder uma final de Copa do Mundo, de 7 a 1, no mesmo estádio onde perdeu em 1950, eu teria passado esses 64 anos agradecendo a Seleção de 50, por ter perdido só de 2 a 1.
 
Salve o Esquadrão brasileiro de 1950. Salve o Barbosa, o Augusto e o Juvenal. O Ely, o Danilo e o Bigode. O Friaça, o Zizinho, o Ademir, o Jair e o Chico.
 
Moral da história: nada com um bom enfarte, para nos deixar felizes e com saudades de uma simples dor de cabeça (risos).