Festa do Divino na Freguesia do Ó – Uma grande Tradição com mais de 200 anos

Durante muitos anos, ou seja, desde menino assim como a maioria dos nascidos e moradores da querida Freguesia, acompanhei essa tradicional festa.
 
Lembro-me que corria junto a estes festejos, uma também tradicional pegadinha praticada por muitos de seus antigos moradores, que consistia em mandar algum garoto ir buscar a chave do Divino na casa de algum nome conhecido e tradicional morador do bairro.
 
A brincadeira era tradicional (não sei se a mesma ainda é praticada hoje em dia) e consistia no seguinte: Oferecia-se a algum garoto uma gorjeta para que o mesmo fosse à casa de alguém, para ali pegar a chave do Divino para os festejos.
 
O “coitado” então andava até a casa do morador citado e dizia que veio pegar a chave do Divino. O morador, já sabedor da brincadeira, assim como a maioria dos adultos do bairro, indicava a casa de outro morador como portador da mesma, o mesmo acontecia nesse novo local, e assim de casa em casa o pobre garoto fazia um tour de pelo menos duas horas pelo bairro inteiro, e voltava sem a tal chave que na realidade não existia. 
 
Depois de ter andado horas pelo bairro todo ainda era obrigado a ouvir os risos e os deboches dos amigos que ficavam no meio do Largo da Matriz esperando por sua volta, e assim, no ano seguinte poder também ele rir da próxima vitima dessa tradicional pegadinha.
 
Aos dez anos eu quase fui uma das vitimas dessa famosa pegadinha também. A minha sorte foi que, a caminho da primeira casa, encontrei com um primo meu, bem mais velho do que eu, que me explicou a historia e eu fiquei alguns minutos tomando um sorvete com ele, e só voltei uma hora depois, para pegar a gorjeta, que foi de dois cruzeiros, e que foram repassadas diretamente para as mãos de um comerciante, dono de uma venda que vendia as famosas Balas Futebol. E eu ainda por sorte tirei a figura do Futebolino, que, além de carimbada, era considerada pela maioria dos meus amigos, como a mais difícil do Álbum.