Eu não sou de viajar. Raramente arrumo uma mala e quando o faço é mais por dever do que por prazer. As pessoas dizem que faço mal, que viajar é preciso, mudar a rotina, respirar outros ares… Não digo que estão erradas, mas para mim o simples fato de sair de um lugar para outro em São Paulo já é uma "viagem".
Vejamos: Moro na Vila Prudente, numa rua que ainda lembra alguma rua do interior deste imenso país. Trabalho em pleno centro da cidade, ao lado da Praça da Sé, no Centro Velho, pertinho da 25 de Março, esse imenso bazar a céu aberto! É um outro mundo! Agitação, multidão, trânsito, sirenes, buzinas. Mil sons, mil cheiros, mil cores, mil cantos e lamentos…
Aí saio em direção à faculdade na Rua Boa Vista e… Surpresa, outro mundo! Bancos, bares, gente de terno e gravata, executivos e financistas, funcionários do governo. Outros cheiros, outras cores e outras palavras.
Se vou até a Paulista atrás de algum livro lá no Conjunto Nacional, ai parece até que saí do país! Arranha-céus azuis e negros, vidro, concreto, ternos, saltos altos, cafés sofisticados e artistas de rua, ao melhor estilo nova-iorquino!
Esta minha querida São Paulo abarca o mundo! Se quero comida japonesa, dou um pulinho até a Liberdade; e se quero comida árabe desço até a 25 de Março. Se quero um espetacular bolinho de bacalhau vou até o Mercadão, e se nada disso apetece, corro até um vegetariano lá no Largo do Café.
Como não amar esta cidade? Sei que precisaria de uma vida inteira para viajar aqui mesmo, dentro dos perímetros da minha cidade para poder conhecer toda a imensa riqueza humana, social, cultural e histórica que ela abriga, porque Sampa tem coração de mãe!
Parabéns minha cidade do coração, que abriga o mendigo e o doutor, o migrante e o estrangeiro, o novo e o velho. E meu desejo para você nesta data especial, é que possam os teus habitantes aprender a olhar para você com olhos atentos e amorosos! Feliz Aniversário!
E-mail: [email protected]