Feira Livre na 13 de Maio

A feira livre na 13 de Maio era uma atração especial para mim, criada em uma pequena cidade litorânea do Estado do Rio, onde só havia um mercado. Bem cedinho, tia Gemma apanhava o carrinho prateado, empurrando-o rua acima até chegar à feira. E os pregões começavam: freguesa venha provar o melhor pastel da Bela Vista! Pare aqui agora, veja que maravilha de abacaxi, doce como o mel! Experimente já, se não gostar, nem precisa levar, mas experimente essa saborosa espiga de milho!

E assim, o espetáculo descortinava-se entre tendas multicoloridas, bacias reluzentes de frutas, legumes e temperos. E até com cantorias divertidas, éramos brindadas: Laranja da Terra, bela, bela… Menina bonita, leva, leva… Isso sem mencionar os doces caseiros, biscoitos, mortadelas, meias, lenços, chinelos, fitas de cabelo, cintos, ventarolas, piões de madeira, louças variadas, artigos de cama e mesa, uma infinidade de utilidades para o lar.

As horas voavam e nem sentíamos o tempo passar… Chegávamos as sete e só retornávamos depois das onze e meia. No retorno podíamos sentir o perfume das mangas e pêssegos que comprávamos, misturados aos doces sabores da canela e do cravo usados nos bolos e compotas. Isso, sem esquecer do aroma dos ingredientes para os molhos de sardela, que comíamos prazerosamente com os redondos pães italianos.

E o espetáculo transcorria com intervalos regulares, nos portões da vizinhança alegre e falante da Rua Almirante Marques de Leão, onde residia minha saudosa tia. E o espetáculo só findava com um refrescante chá mate bem gelado, acompanhado é claro, de um delicioso bolinho salgado de arroz, frito na hora. O tempo passou, a vida mudou, mas a saudade ficou…

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