Talvez porque meu pai sempre trabalhou na área de transportes; foi cobrador de bonde, de ônibus, passando depois a trabalhar nos escritórios da CMTC, nas garagens, onde permaneceu até 1971, quando se aposentou, eu vim a me tornar um busófilo.
Fazia o ginásio pela manhã e à tarde me dedicava ao ócio, em casa, ou dava minhas saídas para um programinha duplo no Cine Cruzeiro, na V. Mariana, onde morava. Mas meu passeio preferido era passar as tardes na antiga Estação Rodoviária da Júlio Prestes. Antes da ampliação, havia nos fundos, atrás das plataformas, um banco de madeira com encosto, muito confortável, que ocupava toda a parede. Era lá que eu passava as tardes, vendo os ônibus entrando nas plataformas de embarque. E eu adorava ouvir os roncos daqueles ônibus antigos. Cada marca tinha o seu ronco característico, não tinha como confundir. Os meus preferidos eram os GMC, os Scania-Vabis e os FNM. Nunca gostei dos Mercedes, com seu ronquinho asmático e sem graça. Só me levantava, vez ou outra, para ir ao banheiro ou ir comer um pastel, na Av Duque de Caxias. Retornava ao meu posto e lá permanecia até às 6 da tarde, quando voltava realizado para casa. Que me perdoem os adeptos do progresso, mas apesar de todos os avanços tecnológicos e de todo o conforto que os ônibus novos oferecem, eles não têm o mesmo "glamour" daqueles mais antigos. São todos muito parecidos e até os seus roncos se tornaram sem graça, padronizados, impessoais.
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