Falando de aromas, palavras e canções…

Dos aromas da minha infância e adolescência, prevalece o Jasmim. Vejo-me nos ombros de meu pai, feliz, com três ou quatro anos, voltando à noite de um passeio pelos arredores de minha rua, com minha mãe andando ao nosso lado, rindo. Um cheiro de Jasmim nos envolvia e hoje creio que era um presente da natureza para perpetuar aquela noite na minha lembrança.

Nunca mais ela andou conosco! Nem andou de mãos dadas comigo, nem me acompanhou a algum lugar! Naquela noite, em algum momento, ela resolveu morrer para o mundo, mas não para nós. Dentro de casa ela cumpria sua função de mãe e esposa carinhosa, lépida, lavando, cozinhando, porém nunca mais saiu "além do jardim".

Eu sempre soube que ela era sadia apesar de sua gordura, a grande vilã. Aquela gordura que eu amava. Na qual eu me aninhava quando criança e que era bonita porque era dela, porque era ela! Então, levávamos uma vida mais reclusa do que as outras famílias, porém não menos feliz porque essa era a felicidade que eu conhecia e que me foi apresentada.

Hoje, eu confundo o aroma do Jasmim com o da Dama da Noite. Às vezes quando saio na porta e sinto o cheiro de terra molhada misturado com Jasmim, eu volto a ser criança. Saio com chuva, com frio, sem agasalho nem guarda chuva, a qualquer hora, ao encontro deles… Que estão logo ali, ao virar a esquina. E quando volto… Existe música no ar. Estou em paz!

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