Exposição Cultural dos Imigrantes

Não sei se algum de vocês se lembra, mas a prefeitura de São Paulo realizava, anos atrás, a Exposição Cultural dos Imigrantes, sediada no prédio da Bienal no Ibirapuera. Vários povos e culturas apresentavam ali suas vestes típicas, suas iguarias (doces, comidas, bebidas), danças, músicas, artesanato.

A Estónia (país dos meus avós) sempre estava presente. O estande era montado uns três dias antes, para que no dia da abertura estivesse tudo em ordem. Você acabava viajando mundo afora em apenas algumas horas.

O que mais me interessava eram as músicas e as danças, principalmente do Japão, da África e dos países andinos. A dança do dragão tem toda uma simbologia que cada movimento prende toda sua atenção. A África trazia roupas muito coloridas. Dos países andinos, o que me encanta é o som da flauta.

O que fez com que muitos povos deixassem de se apresentar ao longo dos anos foi o alto custo do aluguel dos estandes. A prefeitura cobrava um aluguel por metro quadrado e este valor vinha subindo a cada ano. Muitas das pessoas que ali estavam para mostrar sua cultura não eram empresárias: eram pessoas comuns que se uniam para fazer uma bonita apresentação. Nem todos tinham fluxo de caixa para bancar o aluguel e nem sempre a renda adquirida com a venda dos produtos cobria o custo.

Assim, pouco a pouco, alguns países deixaram de se apresentar. É uma pena, pois qualquer tipo de divulgação de cultura deveria ser de graça, pois é do povo e para o povo.

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