Eu contarei as pequenas histórias

“Daqui á 40 anos quem se lembrará que eu passei por esse mundo. Quem contará minhas pequenas histórias”.<br><br>Esse é o pedacinho de um texto escrito por Augusto Frederico Schmidt que virou livro, e que sempre me emocionou. Talvez por falar muito ao meu coração. Na correria do dia a dia. Na luta pela sobrevivência, pelo crescimento, o tempo passou muito depressa. Hoje me vejo no alto dos meus 40 anos, com corpinho de 20 e carinha de 18 (risos). <br><br>Com muitas conquistas e com alguns sonhos não realizados. O sonho da maternidade é um deles. Infelizmente meus bebês não vieram. Vivo em um tempo no qual a ciência e a medicina contribuem favoravelmente para que esse desejo se realize para mulheres com mais de 40 anos. E isso nos faz respirar mais tranquilamente quando o assunto é a vinda de herdeiros. Mas ainda sou meio “antiguinha” e mais do que a ciência conspirando a meu favor, creio que o primordial é encontrar a pessoa certa para a formação de uma família e não para a realização de um sonho de forma egoísta e individual.<br><br>Mas, sigo o meu caminho sem frustrações ou melancolias pelo sonho ainda não realizado. Sempre achei que somente nossos filhos são capazes de contar nossas pequenas histórias e que como disse meu poeta daqui á 40 anos ninguém contaria as minhas pequenas histórias. <br><br>Estou aqui na frente do computador relendo as passagens que por aqui contei. Fatos corriqueiros, engraçados, emocionantes, saudosos. E espero que essa iniciativa de narrar os pedacinhos da nossa vida, declarar nossa paixão por nossos bairros, resgatar cheiros, sabores e paisagens da infância e adolescência, falar dos grandes e muitas vezes não declarados amores possa durar por muitos anos.<br><br>Independente dos partidos que governam o município. Independente da ideologia política ou cultural que possam se instalar nas próximas gestões. Quem nasceu, mora ou morou em São Paulo tem sempre um pequeno livro de memórias escrito em seu coração. Ninguém passa por São Paulo sem sofrer uma transformação. Nessa cidade perdemos a noção do perigo, do cansaço, da distância, da super lotação. Tornamo-nos corajosos, batalhadores, fortes. <br><br>Ganhamos sabedoria enquanto vivemos nessa doce selva de pedra. Ganhamos o mundo quando saímos daí muito mais guerreiros e destemidos. Emociono-me com cada história. Com cada lembrança. Identifico-me com muitos, viajo no tempo com outros tantos. E apesar da ausência dos herdeiros hoje posso dizer que contarei aqui nesse site as minhas pequenas histórias. Parabéns a todos os responsáveis pelo SPMC. Parabéns a todos os "poetas" que me fazem viajar no tempo e matar a saudade.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>