Eu, cantor.

A essa hora, estou procurando na internet como passar o tempo antes de dormir…
 
Lá vou eu, tentando encontrar algo de interessante, que me distraía, até o sono me forçar a desligar o computador.
 
Adoro ouvir músicas. Ouvir, pois, embora as mesmas me fascinem, não tenho o menor dom em dominá-las.
 
Quando jovem, adquiri um álbum de músicas clássicas ligeiras, se não me engano das "seleções", e ficava curtindo trechos de óperas: La Traviatta, Aída Cavalaria Rusticana, Bolero de Ravel, Caprichio Italiano, etc.
 
E daí, a danada da memória, me levou ao Zaccaro, o italianíssimo…
 
Eu trabalhava na empresa patrocinadora do programa que ele apresentava, na Tv Bandeirantes, com o produto "Italian Pine", desodorante masculino.  Nas "convenções de vendas" no final do ano, o tal apresentador, era sempre convidado a fazer o show de encerramento da emissora.
 
Um dos diretores da empresa era um italiano, com quem o apresentador tinha ótimo relacionamento. Num aniversário do dito cujo, Zaccaro, promoveu um "jantar", num salão de festas que mantinha no Cambuci.
 
E lá entre vinhos, calabresas e petiscos passamos horas descontraídas. Zaccaro tinha uma equipe musical de cantores, obviamente de músicas italianas. E após algumas horas, começaram a desfilar tais artistas, e nós sentados em mesas, curtíamos as cançonetas.
 
Um deles, um baixinho e gordinho, de voz possante, começou a cantar "funi cuni, funi culá", empolgando a platéia, que cantava junto. Passando de mesa em mesa, oferecia o microfone aos presentes, para entoar o refrão da música. Ao tentar-me no “Ah, Ah”, bradou:
 
– Parem, parem!
 
A música parou. E ele, em alto e bom som, disse:
 
– Aqui temos um gênio – me apontando -, Ele conseguiu, numa nota só: desafinar, atravessar, sair do tom… É uma raridade pessoal, poucas pessoas são capazes de fazer tanto em tão pouco tempo…
 
Gargalhada geral: gozação pra semana inteira!
 
Bons tempos!