Inspirado pela entrevista do Laruccia com Izaura Marques veio-me à lembrança o tempo em que, em meu pequeno radio de cabeceira, ouvia com frequência as rádios de capital paulista. Começava pela ponta direita do dial com a Radio América cuja atração maior era o programa de Salomão Esper. Ficava num belo prédio próximo à Biblioteca Mario de Andrade.<br><br>Em seguida a Radio Cultura, na Avenida São João, quase na esquina com a Avenida Duque de Caxias. Gostava de ouvir O Desafio aos Catedráticos – alguém se lembra? – e o programa de calouros chamado Peneira Rodine, que revelou muita gente boa.<br><br>Havia em seguida a Rádio São Paulo, especializada em novelas e que ficava na Avenida Angélica. Eu não ouvia novelas, mas às vezes a sintonizava só para ouvir a voz do locutor Marino Neto, uma das mais belas do radio brasileiro em todos os tempos. O Mario Lopomo certamente se lembrará dele.<br><br>A Radio Piratininga não tinha lá muita audiência. Transmitia a hora certa diretamente do Mosteiro São Bento É só o que dela me lembro.<br><br>Radio Tupi, a mais poderosa emissora paulista, no Sumaré, tinha nos programas jornalísticos sua maior força. O Grande Jornal Tupi era imperdível. Ouvir a "Ponta de Lança", crônica diária de Maurício Loureiro Gama, lida por Homero Silva era obrigatório. Tinha, também, a velha Tupi, bons programas humorísticos e novelas que marcaram épocas. Vale lembrar o Túlio de Lemos, grande produtor dos melhores programas da taba. A Tupi transmitia futebol e o seu locutor principal era o irreverente Aurélio Campos e os comentaristas Ari Silva, sóbrio e tranquilo e o destemperado Geraldo Bretas, sempre de mau humor. A equipe contava ainda com Wilson Brasil. Haroldo Fernandes, o Ávila Machado e outros.<br><br>Junto à Tupi, no dial, estava a Radio Difusora. Do mesmo grupo dos Diários Associados e pobre programação.<br><br>A Radio Nacional de São Paulo não tinha a mesma popularidade da Nacional do Rio com uma programação que alcançava todo o país. Lembro-me do “Parada de Sucessos”, com Helio de Alencar e alguns programas humorísticos com Manoel de Nóbrega, Golias e outros. A “Conversa do meio dia” com Walter Forster era um dos meus preferidos<br><br>Na Radio Record eu gostava muito das Histórias de Malocas de Oswaldo Molles onde brilhava o corintiano "Charutinho", personagem interpretado por Adoniran Barbosa e também do "Incrível, fantástico, extraordinário", programa apresentado pelo legendário radialista Almirante. Havia outros bons programas musicais que os prezados leitores poderão relembrar.<br><br>A Radio Gazeta primava pela programação de música erudita que não era meu forte. Gostava mesmo era de sambas, chorinhos e serestas. Com a idade aprendi a admirar a chamada música clássica e hoje ouço Mozart, Vivaldi e outros com muito gosto.<br><br>Da Radio Bandeirantes lembro-me do "Telefone pedindo bis" com Enzo de Almeida Passos e do programa de Helio Ribeiro, às 12h e que era ouvido "pela moça do Karman Ghia vermelho". Muito bom! A noite ficava por conta de Moraes Sarmento com uma excelente programação de música brasileira. Quase me esqueço: acordava ouvindo "O trabuco" com o inimitável Vicente Leporace que comentava as manchetes dos jornais com verve e sarcasmo.<br><br>Havia ainda a Radio Excelsior "uma poltrona em cada lar" e vizinha dela a Rádio Panamericana, imbatível nos esportes que transmitia até corridas de tartarugas. Pedro Luiz, seu principal narrador era, em minha opinião, o melhor do Brasil.<br><br>Vou dar a cara para apanhar: nunca admirei o estilo de Fiori Gigliotti, considerado incomparável por muita gente. Excessivamente melífluo, meloso, maçante. Era demais para o meu gosto. Fazia poesia até em cima dos chutões do Brito ou Bellini.<br><br>Finalmente, lá na ponta esquerda, só para constar, a Radio Nove de Julho. A Radio Eldorado não existia nesse tempo.<br><br>Estas eram as "estações" de um tempo em que eu era jovem e os programas mencionados são aqueles que me agradavam. Como “gosto se discute, ao contrário do que diz o velho aforismo, acatarei com respeito às opiniões divergentes daqueles que me derem a honra de ler este pobre texto.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>