Eram apenas "brincadeirinhas"

Edgard Silva sempre foi metido a ser o tal, trabalhava juntamente com sua irmã Mayer, na loja da metalúrgica R…do seu pai. (a firma já não existe mais há muitos anos).

Metido a gostoso e com forte tendência a pedofilia, vivia juntamente com seu amigo Renato, vendedor pracista da empresa, passando a mão, agarrando e seviciando o menino que na época, ou seja, no ano de 1955, aos 15 anos, era o office boy registrado na firma.

Faziam isso a título de "brincadeirinhas amigas". Tudo isso às vezes com assistência e participação do Sr. Camilo, contador da empresa, e a presença horrorizada de sua irmã Mayer, que era caixa da citada metalúrgica.

Quando eu chorava e reclamava eles diziam:
– “É brincadeira garoto!”

Os psicopatas perturbaram tanto o menino que o mesmo, seis meses depois de admitido na empresa, depois de falar com a viúva sua mãe, mesmo precisando muito do salário para a própria sobrevivência como também a da própria mãe, resolveu deixar aquela empresa, para ficar livre daquele assedio sem fim e vergonhoso, para um menino tímido e inexperiente recém-saído, depois de terminar o primeiro grau, de um Seminário de Padres.

Solteiro e noivo Edgard além de pedófilo se achava um galã irresistível e capaz de conquistar qualquer mulher do mundo. Dizia que já havia namorado todas as mulheres que trabalhavam na fábrica da metalúrgica, que ficava na Ponte Pequena perto do Club Tietê no início da Avenida Tiradentes, quando ainda antiga rua que marginava o Rio Tietê, era de terra batida e praticamente sem trânsito.

Esse "simpático" jovem Edgard, com toda a sua velha "sabedoria" de filho de patrão e que por essa razão, por maldade, doença mental, ou falta de formação e de amor ao próximo, um dia entrou pelo cano sem nunca haver na vida trabalhado na Sabesp.

Era dia de pagamento dos empregados da empresa e, é claro, para não expor o abusado menino aos perigos de ser assaltado e roubado, por alguns expertos vigarista e batedores de carteiras, que já nessa época atuavam nas portas dos estabelecimentos bancário, escolheram para a tarefa um adulto responsável e com mais experiência.

O Vivaldo Edgard foi o escolhido, e não deu outra. Na saída do Banco, ao ser abordado por uma bela mulher com problemas com um cheque, fruto de uma herança que recebeu de uma tia em Portugal, nosso "herói" em questão caiu no velho conto do Paco, voltando para o escritório da firma com um saco cheio de maços de papel cortado como se fossem notas de dinheiro presos por elásticos.

Jamais em toda a minha vida senti felicidade com as desgraças dos outros, mas confesso, naquele dia em me senti um pouco feliz, pois o menino de 15 anos dessa historia, era eu.

Até hoje jamais senti rancor pelo desrespeito sofrido, também nunca comentei estes fatos com ninguém a não ser com a minha falecida mãe, dias antes de deixar aquela firma que ficava na Rua Dona Veridiana atrás da Igreja da Santa Cecília.

Peço a Deus que os descendentes, filhos e netos, das pessoas citadas nessa história, jamais passem por situações semelhantes nessa vida. E que jamais escutem alguém dizendo para eles: Era apenas brincadeirinha.

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